Na avaliação da atividade é comum enumerarmos fatores que impossibilitaram a obtenção de melhores resultados. A produtividade e o preço médio obtido pelo produto quase sempre encabeçam a lista. Isso está correto em parte, mas outros fatores devem ser levados em consideração, pois interferem significativamente na produtividade e por conseguinte no custo final.
A qualidade é um desses fatores. Como anda esse fator tão comentado e às vezes tão pouco praticado? Se medíssemos os níveis de qualidade interno e externo de nossa empresa, qual seria o resultado?
Avaliando superficialmente não é difícil prever a resposta. De modo geral, a qualidade oferecida nos mais diversos setores é muito baixa, principalmente no que diz respeito aos prazos estabelecidos.
Nossa referência de qualidade contribui para o baixo padrão estabelecido, ou seja, acaba proporcionando aos nossos fornecedores o conforto de não precisar cumprir o combinado. O atraso é comum no país, sendo assim, quem está fora do padrão é quem cobra qualidade, sendo chamado de chato.
Há poucos dias fizemos um projeto de irrigação, no qual adquirimos peças e motores de três fornecedores. Traçamos um cronograma, e trabalhamos baseados nele. A bomba, porém, teve um “pequeno” atraso de 97 dias, tudo muito bem justificado. Férias coletivas da empresa, prolongamento das férias coletivas, peças que compunham a bomba presas na alfândega, erro interno da empresa na formulação do pedido, prazo de montagem não cumprido devido a problemas internos, atraso no envio da bomba para a empresa transportadora, falta de profissionalismo da empresa transportadora, erro de endereço,e, por último, entrega na cidade mais próxima e não na fazenda como havia sido combinado.
Se não tivéssemos coincidentemente uma bomba que foi adaptada, teríamos perdido a cultura, que por si só não representa o prejuízo pois os danos maiores seriam a falta do produto na alimentação do rebanho que geraria outros problemas. Mesmo assim a bomba adaptada não tem a mesma vazão, e com isto a eficiência de irrigação é baixa, e a produtividade é menor, quem paga por isso? A atividade.
As justificativas aliviam o prejuízo? Parece que sim, pois as empresas falam nas justificativas como se fossem a solução de nossos problemas, ou seja, havendo justificativa, estamos livres de sermos considerados ineficientes. De que adiantam as justificativas? No caso da bomba elas não substituem a água para as plantas, as plantas não conseguem ser compreensivas, elas morrem.
Um fato muito interessante e me chamou a atenção nesse caso: a bomba que chegou com 97 dias de atraso, muito bem embalada, tinha um selo ISO9001, em destaque. Será que essa é a referência de qualidade que aceitamos? O padrão deve ser, “até 100 dias de atraso na entrega é uma referência de qualidade”, pois a empresa deve estar acima da média. Média que nós, consumidores, aceitamos, e deixamos que quem reclama seja tratado como chato.