Por que fazer Plantio Direto?
Artigos Técnicos
Publicado em 10/06/2006 por Silvino Guimarães Moreira - Engenheiro agrônomo; Doutor em solos.

No passado, o preparo do solo foi uma das maneiras mais inteligentes encontradas pelos agricultores das regiões temperadas para aumentar a temperatura dos solos congelados durante os invernos rigorosos e, dessa forma, criar condições para germinação das sementes das culturas implantadas na primavera/verão.

 

Nas regiões tropicais, com algumas exceções em que realmente é exigido o revolvimento do solo (cultivo de hortaliças, solos compactados, incorporação de corretivos em solos argilosos, pobres em nutrientes), o preparo do solo pode não ser justificável.

 

Os primeiros cultivos sob semeadura direta no Brasil ocorreram no início da década de 70 nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. No entanto, a maior evolução na utilização desse sistema de cultivo ocorreu nos anos 80 e 90, principalmente, na região sob cerrados.

 

Atualmente, é difícil aceitar que após mais de três décadas do surgimento do Plantio Direto (PD) no Brasil, muitas propriedades ainda ignoram o sistema como faziam produtores no início dos anos 70.

 

Sabe-se hoje, que o PD que é adotado em mais de 20 milhões de hectares no Brasil, trouxe tantas vantagens aos seus adeptos, que acabou sendo exportado para muitas regiões do mundo com clima semelhante ao nosso.

 

Suas vantagens principais estão relacionadas às menores perdas de solo e água, melhor aproveitamento de alguns nutrientes, redução do consumo de óleo diesel, bem como do custo de produção em áreas produtoras de grãos, dentre outros inúmeros fatores. No entanto, talvez a principal vantagem do PD seja permitir que locais com condições de solo totalmente impróprios ao cultivo, como parte dos solos rasos da região dos campos gerais do Paraná, se tornassem verdadeiros pólos de alta tecnologia – hoje referência nacional e internacional.

 

Apesar de suas imensuráveis vantagens, o Sistema de PD tem se esbarrado ou sido impedido de crescer em determinadas regiões do país por motivos não muito justificáveis.

 

Em certas regiões sua implantação foi difícil, uma vez que a tecnologia foi simplesmente transferida do sul do país (com clima totalmente diferente), sem nenhuma adaptação regional. Isso pode ser exemplificado pelo caso típico da transferência do PD nos campos nativos do sul, para região central do país, com o plantio sob pastos degradados, em solos argilosos com sérios de problemas de fertilidade do solo.

 

Outra região em que o sistema vem patinando é o sul de Minas Gerais em que a falta de rotação de cultura – principal base do sistema foi deixada de lado. Nessa região, infelizmente muitas áreas foram revolvidas recentemente devido a sérios problemas de doenças na cultura do milho.

 

Por outro lado, quando se considera as áreas produtoras de silagem, sabemos que as dificuldades são infinitamente maiores, quando comparadas às áreas produtoras de grãos, principalmente, nos solos argilosos em anos chuvosos. O problema é mais grave ainda nas propriedades menores em que a colheita é feita com um equipamento de uma linha, causando extrema compactação do solo.

 

Mesmo nesses casos, em que às vezes o revolvimento pode ser inevitável em alguns anos, há muitos exemplos de sucesso de produtores que apenas subsolam suas áreas nos anos de maiores dificuldades, implantando uma cultura de outono-inverno para cobertura do solo e semeando a cultura de verão em sistema de PD.

 

Portanto, acreditamos que para quem busca a sustentabilidade técnica e econômica de suas propriedades, o Plantio Direto e/ou Cultivo mínimo é a única saída viável.

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