Quase sempre nos deparamos com proprietários e mesmo gerentes de empresas rurais procurando no mercado bom profissionais, nas diversas funções – muitas vezes essa busca é em vão. O bom ordenhador, tratorista ou mesmo gerente não é um produto encontrado facilmente no mercado.
A realidade nos mostra que a sustentabilidade da equipe passa pela formação das pessoas. Se quisermos um grupo coeso, comprometido, temos que investir na formação de bons profissionais.
Modelos devem ser reavaliados, paradigmas quebrados, verdades assumidas, repensadas. Devemos nos lembrar que, trabalhando com pessoas, a mudança para melhor deve ser sempre uma meta. Quando nos acostumamos com isso, a equipe se torna sustentável. Além disso, ao se formar as pessoas criam-se vínculos, que geram comprometimento e a valorização mútua se torna um das maiores riquezas para a empresa e o funcionário.
A primeira pergunta a ser feita é: As pessoas com as quais nos relacionamos querem melhorar? Podemos dividir as pessoas em dois grupos, bem distintos, para responder a essa pergunta; aquelas que querem melhorar e aquelas que não sabem que querem. Vamos deixar claro que estamos falando em melhoria num sentido amplo, que significa crescer pessoal e profissionalmente, ter sucesso, ter credibilidade como profissional. Será que há alguém que não quer isso?
Esse questionamento me recorda um fato que me aconteceu há algum tempo. Logo após assumir a gestão de uma empresa comecei a realizar entrevistas periódicas com o intuito de diagnosticar cada membro da equipe “herdada”. Dentre os objetivos estava enxergar os futuros líderes da equipe que eu pretendia ajudar a construir. Depois de algum tempo, com as pessoas identificadas superficialmente, iniciei a segunda fase: oferecer a possibilidade de ser um futuro líder dentro do grupo. Em minha opinião essa possibilidade era um trunfo para motivar as pessoas a se destacarem e serem candidatos. Algumas pessoas ouviram o anunciado com total indiferença, outras com um sorriso, mas uma pessoa em especial me chamou a atenção, respondendo. Muito francamente: “Eu? Ser chefe? Nem ganhando o dobro, a última coisa que quero é assumir alguma coisa”. Meu constrangimento foi evidente. Não entendia como o que para mim era uma conquista era desprezado pelo meu subordinado.
O trabalho de conscientização das pessoas que compunham a equipe foi iniciado. A princípio com foco na importância do comprometimento, de assumir algo, como seriam suas vidas se houvesse uma mudança de atitude, nos benefícios práticos que poderiam surgir na sua vida caso eles aprendessem a liderar, no quanto a vida premia quem luta contra a omissão e a comodidade, etc. Isso foi o bastante para que aquele funcionário me procurasse algum tempo depois dizendo: “Tudo o que quero na minha vida é ser líder no meu setor, independente do quanto vou ganhar a mais por isso”. Perguntei a ele por que mudara de opinião e ele me respondeu que antes não sabia o que eu estava oferecendo, mas agora ele havia entendido a e tinha certeza que queria muito.
Contribuir para a melhoria das pessoas é um desafio. Para vencê-lo dois ingredientes são imprescindíveis: insistência e persistência. É simples e fácil mostrar porque determinadas pessoas não tem jeito, o difícil mesmo é encontrar o caminho do jeito delas.
Melhorar as pessoas passa antes por conhecê-las. Você conhece bem as pessoas com as quais você quer se relacionar bem? Será que você, como líder, está disposto a ouvir as pessoas? Está disposto a destinar tempo para diagnosticá-las?
Após a fase de reconhecimento é preciso usar a transparência, para indicar os pontos fracos, que podem ser melhorados. Sabemos que não é fácil ouvir um feedback. A melhor maneira de entender isto é nos colocando no lugar de quem recebe - conseguimos aceitar criticas? Não é mais fácil aceitá-las das pessoas que admiramos e confiamos. Precisamos, então, saber como está admiração destas pessoas por nós? Quer saber qual o melhor caminho para se conquistar a admiração das pessoas - ajuda-las a crescer, contribuindo com a sua melhoria.
Construir uma equipe comprometida é um triunfo do candidato a líder, e como toda grande conquista depende de uma grande luta onde as principais armas são, a insistência a persistência e o "querer ajudar", "querer servir".