Conheça a "Biologia do Boophilus microplus e Sistema estratégico de controle", por Régis Henrique Ferreira. Confira a 1ª parte do artigo!
Artigos Técnicos
Publicado em 24/08/2006 por Régis Henrique Ferreira, estagiário Equipe ReHAgro

Biologia do Boophilus microplus e Sistema estratégico de controle, Parte I

Sobre o Boophilus microplus

O Boophilus microplus, conhecido no Brasil como carrapatos dos bovinos, é um parasita que necessita obrigatoriamente passar por uma fase de sua vida sobre o bovino, ingerindo linfa, substratos teciduais e sangue. A espécie B. microplus originou-se provavelmente da Ásia. Adaptou-se perfeitamente ao clima dos países tropicais, onde o calor e a umidade propiciam condições favoráveis à sobrevivência e manutenção da espécie.

O carrapato dos bovinos é um parasita de alta importância, produzindo perdas diretas e indiretas pela transmissão dos parasitas que causam a Tristeza Parasitária e pelo custo de seu combate. Ainda hoje apresenta alta incidência e prevalência no Brasil e mesmo em países desenvolvidos de clima tropical, como a Austrália, pela complexidade dos fatores envolvidos no seu combate e pelo desconhecimento dos produtores de informações específicas necessárias à adoção de práticas efetivas de controle em suas propriedades.

Ciclo de vida do Boophilus microplus

O ciclo de vida do carrapato B. microplus divide-se em fase de vida livre e fase de vida parasitária. A fase de vida livre inicia-se após a queda da teleógina ingurgitada. A fase de vida parasitária inicia-se quando a larva infestante instala-se no hospedeiro passando a ser larva parasitária. São necessárias várias transformações para que o parasito chegue ao estádio adulto.

De forma mais simples, o ciclo do B. microplus para o Brasil-Central é descrito por Furlong (1993). Na fase de vida livre, são necessários em tono de três dias para a pré-postura; de três a seis semanas para a postura; de vinte e dois a trinta dias para a eclosão das larvas e de dois a três dias para o fortalecimento de suas cutículas, transformando-se em larvas infestantes. O autor afirma, ainda, que a cada postura uma fêmea produz de 2000 a 3000 ovos. Na fase parasitária são necessários, em média, de 18 a 26 dias para a fixação, alimentação, troca de cutícula, fase adulta e acasalamento, assim como para a alimentação, ingurgitamento e queda das fêmeas. Os machos permanecem mais tempo sobre o bovino e se acasalam com outras fêmeas.

O ingurgitamento e queda da fêmea do B. microplus são bastante rápidos, porém, os padrões de ingurgitamento se diferenciam entre as estações, assim como em bovinos estabulados, sugerindo que este sofre uma influência do ambiente externo, principalmente de luz e temperatura.

Variação de resistência das raças bovinas ao Boophilus microplus

Vários autores demonstraram a maior resistência dos zebuínos ao carrapato quando comparado aos taurinos. Esta diferença foi demonstrada inclusive nos cruzados, sendo que, quanto maior o grau de sangue zebuíno, maior a resistência ao carrapato.

Há diferentes explicações para a diferença da resistência entre taurinos e zebuínos ao carrapato. Alguns técnicos tentam explicar tal característica, pelo fato dos zebuínos possuírem mais glândulas sebáceas na pele, produzindo odores que afastariam o carrapato, assim como maior mobilidade geral do animal e de sua pele, o que possivelmente faz com que de defenda melhor da infestação. Veríssimo (1991) explicou que o sistema de alimentação da larva de B. microplus depende de uma ação inflamatória que se inicia no momento da fixação da larva. Os zebuínos apresentam uma reação inflamatória mais intensa que gado europeu e seu comportamento sanguíneo leva-o a proceder a uma auto-limpeza mais eficiente, o que contribuiria para um equilíbrio carrapato/hospedeiro, sendo, nesses animais, a infestação mínima.

Influência dos fatores sazonais no ciclo do Boophilus microplus

Vários autores demonstraram a influência dos fatores sazonais no ciclo de vida dos carrapatos e a conseqüente diferença de infestações nos animais, de acordo com o clima da região em que vivem e com a época do ano.  Estudos demonstraram que, além do efeito relacionado às estações do ano, há diferença significativa na interação raça x estação.

O clima da região Sudeste do Brasil permite o desenvolvimento e a sobrevivência do carrapato durante o ano todo, em níveis mais que suficientes para causar perdas. Porém, o período seco, de temperaturas mais baixas, entre os meses de abril e setembro, prejudica o desenvolvimento da fase de vida livre, fazendo com que o ciclo de alongue.

De forma geral, pode-se concluir que na região Sudeste há quatro gerações de carrapatos que se desenvolvem por todo ano, tendo seu ciclo de vida mais curto e maiores infestações na “época das águas”, ou seja, nos meses entre setembro e março; portanto, a época mais recomendada pra proceder ao controle químico de forma estratégica.

Os meses que apresentam maiores infestações na região Sul do país foram de janeiro a junho; isso vem demonstrar a influência do clima da região no ciclo de vida do carrapato; portanto há necessidade do conhecimento do clima onde se pretende proceder a um controle efetivo.  

Não perca, na próxima semana, a continuação desse artigo vai abordar o sistema estratégico de controle e a resistência ao carrapaticida! Até lá! 

:: Comentários ::

Marina - 30/11/2008 09:51
Consultor Técnico

É muito importante conhecer todo o ciclo do parasita para efetivar um tratamento e um possível controle, e por isso gostei muito das informações que obtive aqui.
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