Artigo Técnico - Adubação (NPK) do cafeeiro - dicas práticas importantes sobre adubação de café! Por Daniel Veiga, Equipe ReHAgro
Artigos Técnicos
Publicado em 13/10/2006 por Daniel Veiga, engenheiro agrônomo, Equipe ReHAgro

ADUBAÇÃO (NPK) DO CAFEEIRO

1. INTRODUÇÃO
 
O cafeeiro possui exigências diferentes quanto aos nutrientes e em épocas distintas de acordo com a variação climática, solo e potencial de produção das lavouras, onde parte dos nutrientes será fornecido para suprir a demanda da planta para produção da safra esperada e vegetação do cafeeiro, formação da safra seguinte.

É extremamente importante fazer a previsão de safra, não apenas do ano da safra em questão, mas também da próxima safra para sabermos o quanto será produzido pela planta nos dois anos (ciclo bienal).

A previsão de safra pode ser feita no campo, através da percepção visual da lavoura em complemento com o histórico da lavoura, a partir daí será definido as duas safras, alta e baixa, ou, baixa e alta, e o quanto irá produzir nas 2 safras.

2. EXIGÊNCIA DO CAFEEIRO EM PRODUÇÃO

Para a produção, as exigências dos nutrientes são maiores no ano de safra alta, e quanto à vegetação, as exigências são maiores nos anos de safra baixa, de acordo com o quadro abaixo:

É importante lembrar, caso a lavoura apresente deficiência dos nutrientes (análise de solo, análise foliar e análise visual), será necessário considerar os cálculos acima mais a quantidade de nutrientes necessária a ser corrigida. Os nutrientes em deficiência podem ser corrigidos separados, ou em formulações de adubos (NPK) que atendam a necessidade.
 
Outro ponto importante é o excesso de nutrientes, não apenas a deficiência, porque o nitrogênio em excesso leva a deficiência de boro, cobre, zinco e ferro, e maior susceptibilidade a Phoma e Pseudomonas, e o excesso de potássio provoca a deficiência de cálcio e magnésio.

3. COMPORTAMENTO DO CAFEEIRO EM RELAÇÃO AO CLIMA

A exigência do cafeeiro em umidade varia de acordo com as fases da planta. No período de outubro a maio, época que corresponde a fase de vegetação e frutificação, é fundamental a disponibilidade de água no solo. No período de junho a setembro, período que corresponde fase de colheita e repouso, a exigência de água no solo é pequena, sem grandes prejuízos, podendo o solo ficar próximo ao ponto de murcha ou até mesmo gerar uma pequena deficiência hídrica para estimular o abotoamento do cafeeiro, quando no reinício das chuvas apresentar uma florada mais uniforme. É importante lembrar que o déficit hídrico em excesso pode causar grandes prejuízos.

As regiões aptas à cafeicultura de café arábica, são consideradas regiões com déficit hídrico menor do que 100 mm, por isso, é importante lembrar que nesse ano, de acordo com os dados do PROCAFÉ o índice pluviométrico do mês de agosto foi de 16,2 mm, semelhante a média histórica para o mês que é de 18,0 mm, mas como ao longo dos meses anteriores a precipitação vinha ocorrendo abaixo da média histórica no final do mês o déficit hídrico foi de 246,0 mm e no mês de setembro a precipitação foi de 102,8 mm, acima da média histórica para o mês que é de 77,2 mm, amenizando o déficit hídrico, atípico e excessivo para a região, com reflexos negativos na próxima safra.

As temperaturas ótimas para o crescimento do cafeeiro jovem são de cerca de 30°C durante o dia e 23°C à noite. À medida que a planta cresce, elas diminuem, sendo que, após um ano e meio de idade, as temperaturas ideais, diurnas e noturnas, situam-se em torno de 23°C e 17°C. A máxima fotossíntese ocorre a uma temperatura de 24°C, havendo um decréscimo de 10% no processo, com o aumento de cada grau da temperatura. Assim, a 34°C a fotossíntese é nula.

O cafeeiro tem seu maior crescimento a partir das primeiras chuvas e elevação da temperatura, com a chegada da primavera, setembro-outubro, até o verão, e reduz o seu crescimento no período do outono e inverno, juntamente com a redução das chuvas e temperatura (além do efeito nutricional e fotoperiodismo), a planta entra em repouso.
 
4. ÉPOCA DE ADUBAÇÃO

O que define a época de adubação é o período de maior exigência de nutrientes pelo cafeeiro para seu desenvolvimento vegetativo e frutificação.

Durante a frutificação, no período da florada até chumbinho, a exigência de nutrientes é menor, quando comparado com o grande aumento exigido no período a partir da passagem dos frutos para o estágio de verde-aquoso, na granação (verde-sólido), até a maturação dos frutos. Quanto ao crescimento vegetativo, 73% ocorre de outubro a abril e o consumo de nutrientes para a frutificação é, também, concentrado (mais de 80%) nesse período, ou seja, o período de outubro-abril é o período de maior exigência de nutrientes, tanto para frutificação quanto para a vegetação, o que determina a época de fornecimento de nutrientes através das adubações, e maio a setembro ficando com as reservas formadas.
 
Trabalhos experimentais sobre época de adubação, de acordo com PROCAFÉ, mostram correlação entre a necessidade de crescimento e a aplicação dos adubos. Parcelas adubadas com 100% de NPK de outubro a março e 3 parcelamentos produziram o maior acréscimo (77%) em relação à testemunha, enquanto esse acréscimo caiu para 40% quando metade da dose (mesma total) de adubo foi aplicada após março. Poucos trabalhos mostram correlação positiva em relação a adubação de Nitrogênio em maio (inverno), mas há dúvidas em relação a disponibilidade de água nesse período, e o cafeeiro tem um crescimento sazonal e nas regiões normais cresce pouco no inverno, mesmo com suprimento de água. Por isso, para essa prática há necessidade de mais trabalhos, principalmente regional, para comprovar a viabilidade dessa prática.

Para solos argilosos o potássio pode ser parcelado em duas vezes e o fósforo uma única vez já é o suficiente (adubação corretiva).

O intervalo de parcelamento do nitrogênio compreende 45-60 dias entre as adubações, e para os adubos formulados o potássio segue a mesma regra do nitrogênio, mesmo intervalo de parcelamento.

5. CONCLUSÃO

A adubação do cafeeiro no Sul de Minas Gerais pode ser realizada no período de outubro a fevereiro/março para melhor aproveitamento dos adubos em função da disponibilidade de água no período, e parcelada em 3 vezes para minimizar as perdas de nutrientes, principalmente nitrogenados (perdas por lixiviação e volatilização).
 
Quanto à umidade do solo e temperatura, são dois fatores de grande importância também, muito importante para validar a eficiência da adubação em resposta ao cafeeiro no campo.
 
Diante de todas as considerações citadas acima, é importante lembrar que os cálculos para uma boa adubação do cafeeiro é necessário além do conhecimento teórico, é preciso ter experiência no campo e bom senso.

Referências:
-IV CURSO DE ATUALIZAÇÃO “MANEJO TECNOLÓGICO DA LAVOURA CAFEEIRA”, 17 a 21 julho/2006 – PROCAFÉ;
-CULTURA DE CAFÉ NO BRASIL “NOVO MANUAL DE RECOMENDAÇÕES” – Edição 2005;
-BOLETIM DE AVISO Nº 96 e 97 “AVISOS FITOSSANITÁRIOS”
www.fundaçãoprocafe.com.br

 


:: Comentários ::

wandenkolk -
Produtor - Cafe

Minha lavoura sofreu muito agora com a panha. Não pude acompanhar a colheita, por estar em atividade na prefeitura, mas fiquei sabendo que muitas pessoas bateram muito na lavoura com porrete, para derrubar o café, com isto, quebraram-se muitos galhos e a maior parte das folhas. Fui à poucos dias no sítio, e fiquei muito triste, por ver só varas no lugar dos pés de café. Nem florada deu direito, só em alguns. Como faço para recuperar a lavoura? Tenho 9.700 pés de café, sendo 800 de café com 2 anos de idade, e o restante com 8 anos.
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Daniel Veiga Soares -
Consultor Técnico

Seu questionamento é muito importante e envolve diversos fatores que podem ter levado as lavouras à grande desfolha, como: produtividade dos anos anteriores, tipo de colheita, variedade... Para uma boa recuperação é necessário verificar se as correções de solo estão adequadas, atender a demanda N-P-K nas adubações, controlar a infestação de pragas e doenças, um bom manejo do mato, e se há necessidade de poda, apesar da época estar atrasada (época ideal de poda: julho a agosto). Espero poder ter contribuído. Abraços, Daniel( Coordenador Café - Rehagro)
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pedro -
Produtor - Cafe

Minha lavoura já esta indo para a terceira colheita, mas não estou satisfeito. Todo ano estou fazendo 5 adubações de adubo 20 00 20 de100 gramas para cada pé e 200 quilos de adubo cloreto de potassio por 3500 pes de café, mas a minha produção nao passa de 4 litrs de café cereja por pé de café. Como faço para mudar isso, senão não vou mais ficar no mercado. Gostaria de saber por que minha lavoura nao produz adequadamente.
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Daniel Veiga Soares -
Consultor Técnico

Caro Pedro, Pelas adubações que o Senhor tem feito, tem atendido os teores de nitrogênio e potássio, ou estão até em excesso. O Senhor tem feito análise de solo para saber a necessidade da calagem gessagem, fosfatagem e boro? Porque se algum nutriente estiver com baixa disponibilidade ele será limitante na produtividade mesmo fazendo várias adubações. Outro ponto importante também é verificar se o pH está adequado e o alumínio baixo. É de grande importância também fazer as pulverizações. Abraço, Daniel (Coordenador Café - ReHAgro)
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ricardo -
Consultor Técnico

Minha lavoura não está dando alta produtividade. O que é bom para produzir e fazer os pes de café dar todos os anos com alta produtividade? Tenho café de 05 anos, 5500 covas.
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Equipe ReHAgro -
Consultor Técnico

Prezado Ricardo, é importante que o Sr. receba em sua propriedade a visita de um engenheiro agrônomo. Ele irá avaliar e propor soluções embasadas para obter altas produtividades em sua lavoura.
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Éber lopes -
Consultor Técnico

Sou recém formado em téc. Agrícola, e trabalho em uma área favorável à desenvolvimento cafeeiro. Gostaria se possível de obter informações sobre recomendação de adubos, Inseticidas e Fungicidas. eberlopes2@gmail.com Atenciosamente EBER.
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Equipe Rehagro - 31/03/2010 12:02
Consultor Técnico

Caro Éber, recomendamos que você consulte um agrônomo para visitar sua propriedade. E recomendamos o livro "ABC do cafezais" caso você queria aprofundar ainda mais no assunto.
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Alysson - 09/07/2010 12:32
Funcionário Empresa

EM LAVOURA IRRIGADA POR GOTEJAMENTO DE UM ANO E MEIO OPTEI POR NAO DAR ESTRESS HIDRICO SOMENTE VOU DIMINUIR A LAMINA QUANTOS MM DEVO COLOCAR DIARIAMENTE OU MENSAL ESTOU SITUADO NA REGIAO DO ALTO PARANAIBA.
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henrique -
Estudante

Queria saber como se faz o calculo para se chegar a produção final (em sacas) de café. Sabendo que conto com 12000 mil pés. Desde já agradeço.
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Equipe Rehagro - 19/08/2010 11:49
Consultor Técnico

Caro Henrique, segundo nosso técnico agrônomo Rodrigo Denipote, é comum na cafeicultura medir produção de café em coco (sem beneficiamento) em Litros por planta. Por exemplo, 3L/planta (depende muito da produtividade da lavoura). Sabendo quantos Litros por planta em média produz seu cafezal, deve-se multiplicar a produção por planta pelo número de plantas (no caso 12.000 plantas informadas). Chegará a um valor em Litros de café em coco. Em média para se ter uma saca de café (60 kg) beneficiadas são necessários 500L de café em coco (este volume pode variar dependendo da qualidade, peso do grão, presença de brocas, entres outros fatores) . Portanto dividindo a quantidade em Litros por 500 terá uma estimativa do número de sacas produzida na lavoura.
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