ADUBAÇÃO (NPK) DO CAFEEIRO
1. INTRODUÇÃO
O cafeeiro possui exigências diferentes quanto aos nutrientes e em épocas distintas de acordo com a variação climática, solo e potencial de produção das lavouras, onde parte dos nutrientes será fornecido para suprir a demanda da planta para produção da safra esperada e vegetação do cafeeiro, formação da safra seguinte.
É extremamente importante fazer a previsão de safra, não apenas do ano da safra em questão, mas também da próxima safra para sabermos o quanto será produzido pela planta nos dois anos (ciclo bienal).
A previsão de safra pode ser feita no campo, através da percepção visual da lavoura em complemento com o histórico da lavoura, a partir daí será definido as duas safras, alta e baixa, ou, baixa e alta, e o quanto irá produzir nas 2 safras.
2. EXIGÊNCIA DO CAFEEIRO EM PRODUÇÃO
Para a produção, as exigências dos nutrientes são maiores no ano de safra alta, e quanto à vegetação, as exigências são maiores nos anos de safra baixa, de acordo com o quadro abaixo:
É importante lembrar, caso a lavoura apresente deficiência dos nutrientes (análise de solo, análise foliar e análise visual), será necessário considerar os cálculos acima mais a quantidade de nutrientes necessária a ser corrigida. Os nutrientes em deficiência podem ser corrigidos separados, ou em formulações de adubos (NPK) que atendam a necessidade.
Outro ponto importante é o excesso de nutrientes, não apenas a deficiência, porque o nitrogênio em excesso leva a deficiência de boro, cobre, zinco e ferro, e maior susceptibilidade a Phoma e Pseudomonas, e o excesso de potássio provoca a deficiência de cálcio e magnésio.
3. COMPORTAMENTO DO CAFEEIRO EM RELAÇÃO AO CLIMA
A exigência do cafeeiro em umidade varia de acordo com as fases da planta. No período de outubro a maio, época que corresponde a fase de vegetação e frutificação, é fundamental a disponibilidade de água no solo. No período de junho a setembro, período que corresponde fase de colheita e repouso, a exigência de água no solo é pequena, sem grandes prejuízos, podendo o solo ficar próximo ao ponto de murcha ou até mesmo gerar uma pequena deficiência hídrica para estimular o abotoamento do cafeeiro, quando no reinício das chuvas apresentar uma florada mais uniforme. É importante lembrar que o déficit hídrico em excesso pode causar grandes prejuízos.
As regiões aptas à cafeicultura de café arábica, são consideradas regiões com déficit hídrico menor do que 100 mm, por isso, é importante lembrar que nesse ano, de acordo com os dados do PROCAFÉ o índice pluviométrico do mês de agosto foi de 16,2 mm, semelhante a média histórica para o mês que é de 18,0 mm, mas como ao longo dos meses anteriores a precipitação vinha ocorrendo abaixo da média histórica no final do mês o déficit hídrico foi de 246,0 mm e no mês de setembro a precipitação foi de 102,8 mm, acima da média histórica para o mês que é de 77,2 mm, amenizando o déficit hídrico, atípico e excessivo para a região, com reflexos negativos na próxima safra.
As temperaturas ótimas para o crescimento do cafeeiro jovem são de cerca de 30°C durante o dia e 23°C à noite. À medida que a planta cresce, elas diminuem, sendo que, após um ano e meio de idade, as temperaturas ideais, diurnas e noturnas, situam-se em torno de 23°C e 17°C. A máxima fotossíntese ocorre a uma temperatura de 24°C, havendo um decréscimo de 10% no processo, com o aumento de cada grau da temperatura. Assim, a 34°C a fotossíntese é nula.
O cafeeiro tem seu maior crescimento a partir das primeiras chuvas e elevação da temperatura, com a chegada da primavera, setembro-outubro, até o verão, e reduz o seu crescimento no período do outono e inverno, juntamente com a redução das chuvas e temperatura (além do efeito nutricional e fotoperiodismo), a planta entra em repouso.
4. ÉPOCA DE ADUBAÇÃO
O que define a época de adubação é o período de maior exigência de nutrientes pelo cafeeiro para seu desenvolvimento vegetativo e frutificação.
Durante a frutificação, no período da florada até chumbinho, a exigência de nutrientes é menor, quando comparado com o grande aumento exigido no período a partir da passagem dos frutos para o estágio de verde-aquoso, na granação (verde-sólido), até a maturação dos frutos. Quanto ao crescimento vegetativo, 73% ocorre de outubro a abril e o consumo de nutrientes para a frutificação é, também, concentrado (mais de 80%) nesse período, ou seja, o período de outubro-abril é o período de maior exigência de nutrientes, tanto para frutificação quanto para a vegetação, o que determina a época de fornecimento de nutrientes através das adubações, e maio a setembro ficando com as reservas formadas.
Trabalhos experimentais sobre época de adubação, de acordo com PROCAFÉ, mostram correlação entre a necessidade de crescimento e a aplicação dos adubos. Parcelas adubadas com 100% de NPK de outubro a março e 3 parcelamentos produziram o maior acréscimo (77%) em relação à testemunha, enquanto esse acréscimo caiu para 40% quando metade da dose (mesma total) de adubo foi aplicada após março. Poucos trabalhos mostram correlação positiva em relação a adubação de Nitrogênio em maio (inverno), mas há dúvidas em relação a disponibilidade de água nesse período, e o cafeeiro tem um crescimento sazonal e nas regiões normais cresce pouco no inverno, mesmo com suprimento de água. Por isso, para essa prática há necessidade de mais trabalhos, principalmente regional, para comprovar a viabilidade dessa prática.
Para solos argilosos o potássio pode ser parcelado em duas vezes e o fósforo uma única vez já é o suficiente (adubação corretiva).
O intervalo de parcelamento do nitrogênio compreende 45-60 dias entre as adubações, e para os adubos formulados o potássio segue a mesma regra do nitrogênio, mesmo intervalo de parcelamento.
5. CONCLUSÃO
A adubação do cafeeiro no Sul de Minas Gerais pode ser realizada no período de outubro a fevereiro/março para melhor aproveitamento dos adubos em função da disponibilidade de água no período, e parcelada em 3 vezes para minimizar as perdas de nutrientes, principalmente nitrogenados (perdas por lixiviação e volatilização).
Quanto à umidade do solo e temperatura, são dois fatores de grande importância também, muito importante para validar a eficiência da adubação em resposta ao cafeeiro no campo.
Diante de todas as considerações citadas acima, é importante lembrar que os cálculos para uma boa adubação do cafeeiro é necessário além do conhecimento teórico, é preciso ter experiência no campo e bom senso.
Referências:
-IV CURSO DE ATUALIZAÇÃO “MANEJO TECNOLÓGICO DA LAVOURA CAFEEIRA”, 17 a 21 julho/2006 – PROCAFÉ;
-CULTURA DE CAFÉ NO BRASIL “NOVO MANUAL DE RECOMENDAÇÕES” – Edição 2005;
-BOLETIM DE AVISO Nº 96 e 97 “AVISOS FITOSSANITÁRIOS” www.fundaçãoprocafe.com.br