Finanças e Gestão do Agronegócio, por Leonardo Diniz, Equipe ReHAgro
Ponto de Vista
Publicado em 23/11/2006 por Leonardo Diniz, administrador de empresas, Equipe ReHAgro

Finanças e Gestão do Agronegócio – Parte I

A competitividade não admite improvisações. Será sempre mais competitivo quem dispuser da informação correta, na hora certa, como resultante de dados oriundos do dia-a-dia do setor em que se atua.

Exatamente por isso, cada dia mais, projeta-se, no âmbito dos negócios, inclusive do agronegócio, a importância de informações técnico-administrativas oportunas, adequadas e confiáveis em qualquer processo decisório que se pretenda segurança, eficiência e eficácia. Neste contexto, insere a importância das finanças para a gestão do agronegócio.
No campo financeiro do agronegócio, o conhecimento dos custos e da rentabilidade é essencial para a eficiência e a continuidade da produtividade.

Assim, apesar de que a obtenção e a compreensão dos custos não sejam exigências típicas da atividade pecuária, isso sempre foi essencial para o sucesso de qualquer negócio. Basicamente, são os custos que determinam o preço de venda do produto ou do serviço, devendo, pois, todos eles serem considerados para a composição desse preço.

Por essa razão, o controle financeiro possui fundamental importância na gestão das empresas agropecuárias brasileiras especialmente pelo fato de permitir aos gestores o domínio da pluralidade de formas existentes para se distribuir o custo ao rebanho.
Um dos motivos para tal importância está no fato que busca-se sempre a diminuição dos custos como forma de aumentar a rentabilidade dentro da propriedade.
Esta diminuição de custos começa no planejamento adequado da propriedade através da escolha do sistema de produção capaz de produzir com alta qualidade e escala de produção, no mínimo custo possível, sem que haja prejuízo na atividade, através de técnicas adequadas a cada tipo de produtor.

Mas não é apenas na diminuição de custos que se pode trabalhar. Existe um outro fator que é o aumento do rendimento que deverá ser compatível com o custo, ou seja, o aumento da rentabilidade ou produtividade de uma determinada atividade agrícola deverá ser maior que o custo adicional realizado. Isto se reflete muitas vezes quando existe baixo poder aquisitivo dos produtores, ou restrição orçamentária, devendo-se estes determinar em que produto ou operação colocar o dinheiro disponível para que este renda o máximo possível. Quem não tiver habilidade para comprar bem seus insumos e vender satisfatoriamente suas safras, provavelmente não conseguirão sobreviver.

O que deve ser considerado é que a agricultura vive de custos de oportunidade, ou seja, deve-se sempre tomar decisões de que forma a utilizar melhor os fatores de produção que são a terra, o capital e a mão-de-obra; que andam lado a lado para um bom aproveitamento.
Neste contexto, insere a Contabilidade Rural, que é a própria Contabilidade Geral, só que aplicada a atividades agropecuárias. Seu objetivo é estudar, registrar e controlar a gestão econômica do patrimônio das organizações que se dedicam a esses fins, porém contemplando algumas particularidades que lhe são inerentes.

Assim, ao se planejar as contas de uma empresa agropecuária, a estrutura a ser utilizada não poderá ser estranha ao que já se conhece. Na verdade o que muda, em cada caso, são as contas dos grupos de contas que apresentam estas particularidades, exigindo-se do contabilista responsável atenção no sentido de facilitar aos usuários da documentação a leitura de todas as operações, possibilitando-lhes a identificação de todos os custos agregados a cada atividade. Enfim, basta à Contabilidade fazer o necessário para a gestão.


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