"Sua empresa trabalha com Recursos Humanos?", por Carlos Alberto de Carvalho, gerente da Fazenda São João e facilitador dos cursos ReHAgro
Ponto de Vista
Publicado em 01/03/2007 por Carlos Alberto de Carvalho, gerente da Fazenda São João e facilitador dos cursos ReHAgro

Sua empresa trabalha com Recursos Humanos?

Resumo um questionamento comum: sua empresa trabalha com RH? Como se isto fosse uma ferramenta ou uma máquina que você contrata.

Há poucos dias em conversa com um produtor, este me relata que seus funcionários ganhavam bem acima da média da região, porém trabalhavam em média 14 horas diárias, e pergunta qual minha opinião. Como se tratava de uma conversa e não de uma consultoria, me recusei em dar uma opinião sincera, dizendo que respeitava o sistema dele que parecia dar certo. Ele insistiu que queria minha opinião. Então o respondi questionando se as pessoas estavam satisfeitas com o modelo. - "Satisfeitas ?"  Indagou ele. "Aqui é zero de paternalismo" - continuou. "Sei por que me questiona sobre satisfação, vocês trabalham com Recursos Humanos".

Outro fato foi ao receber a visita de diretores de uma grande empresa, achei interessante a afirmação de que eles trabalhavam com Recursos Humanos. Para provar isso, disse-me que uma psicóloga fazia parte da comitiva, e isto os faziam uma empresa diferenciada. Em seguida, contou que na sede da empresa, um andar do prédio era destinado totalmente a este setor.
Nos dois casos vejo as extremidades, o que quer dizer trabalhar com recursos humanos?

Para o primeiro entendo que ele se refere a um sistema paternalista, complacente e até mesmo de anarquia. Para o segundo um diferencial que é representado pelo espaço em metros quadrados que o setor ocupa na empresa, ou pela presença de um conceituado profissional que ocupa o cargo.

É inegável que o modismo pesa, e hoje as palavras da moda, sejam para críticas ou para se vangloriar, é falar sobre recursos humanos e gestão de pessoas. Mas o que representa isto em linguagem mais simples, principalmente para pessoas que como eu não tem formação específica em sociologia, psicologia, etc?

Talvez seja simples demais, mas poderia se resumir em duas palavras: bom senso!
Isto mesmo, usar o bom senso em tudo, ponderar sobre assuntos e afirmações que considerávamos com únicas verdades e permitir-se ouvir e aceitar outros pontos de vista, não entender como afronto que as pessoas discordem, emitam opinião, participem.

Aprofundando mais um pouco, chegaremos na coerência, praticar o que falamos, e falar apenas o que realmente praticamos. Teoricamente todos somos bons demais, já fazemos, é praticado, mas na verdade só da boca pra fora. Comum ouvirmos candidatos a líderes afirmarem que são tudo aquilo e mais um pouco, mas quando questionamos como é que eles sabem disso, se enrolam e acabam soltando que é uma auto-avaliação, quando na verdade o correto seria ter esta avaliação vinda de feedbacks de pessoas transparentes e que tenham liberdade de se expressar. Pregam com tanta convicção que já adotam sistemas que acabam de conhecer que nos fazem acreditar, até conhecermos pessoas de sua convivência que mostram um outro retrato.

Uma frase que li outro dia descreva com perfeição estas pessoas “O que você é fala tão alto aos meus ouvidos, que não consigo ouvir o que me fala”. As atitudes falam por si, não é preciso pregar aos ventos o que sou.

Talvez uma boa resposta quando nos questionarem se estamos trabalhando com RH seria, “sim estou investindo em meu crescimento intrapessoal e treinando as pessoas em relacionamento interpessoal” é assim que vejo o líder que trabalha com gestão de pessoas, aquele que está tentando melhorar a si mesmo, pois assim terá condições de liderar os outros.


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