O Equilíbrio em nossas vidas
Quanto equilíbrio temos tido na vida? O jeito como conduzimos nosso trabalho é sustentável a longo prazo? Sempre ouvimos características altamente desejáveis no perfil de um profissional, entre elas: Comprometimento, Persistência, Competência, Dedicação, Organização e por aí em diante. Com certeza essas características fazem realmente parte do repertório de pessoas bem sucedidas; porém, até quanto devemos demonstrá-las? Como descobrir se nossos “limites” estão sendo ultrapassados além da conta?
É desconfortável comentar que, na maioria das vezes, só descobrimos esses “excessos” quando já estamos colhendo os malefícios de tais abusos. Algumas vezes colhemos problemas de saúde, sociais, financeiros, afetivos, e até mesmo espirituais.
A palavra equilíbrio nos remete a ponderar e rever nossos focos durante a vida. O trabalho, por exemplo, é responsável por grande parte das preocupações em nosso dia-a-dia. Seguindo esse pensamento, é natural deixar outras áreas da vida em segundo plano. Porém até quando o planejamento estratégico e o plano de metas para 2007 serão mais importantes do que o natal com a família e a reunião com os amigos? Com certeza, muitos de nós cumprimos fielmente nosso planejamento de final de ano na empresa, mas quantos planejamos as próximas férias? Esse é o grande ponto: conseguir conciliar trabalho e lazer, preocupação e saúde. Não que o trabalho não seja importante e não deva ser tratado com prioridade, mas é preciso estar atento aos outros “capítulos” que também compõe a nossa história. É o chamado equilíbrio, tão benéfico, mas ao mesmo tempo tão atropelado por nossas ambições.
Devemos estar atentos, ouvir o que as pessoas que estão à nossa volta têm a nos dizer. Sem isso, ficamos vulneráveis e sujeitos a pagar o preço da falta de auto-percepção sobre nossos limites. O entusiasmo com o trabalho pode nos impedir de enxergar o que está realmente acontecendo. Tendo consciência dos ganhos potenciais em nos atentar para nosso meio, ressalto que algumas das perdas ocorrem também com terceiros: nossos funcionários que se estressam ou se esgotam, as pessoas queridas como esposas, maridos e filhos que sofrem com nossa ausência, ou nossa “presença ausente”.
Pode parecer estranha uma abordagem como essa. A verdade é que muitas vezes nos perdemos em meio a tantas buscas e nos esquecemos de buscar nosso equilíbrio interior; muitos de nós, envolvidos pelos planejamentos empresariais e econômico-financeiros, nos distraímos e negligenciamos nossos próprios limites fisiológicos e pessoais. Perdemos contato com nossos verdadeiros “valores” e nos perdemos pelo caminho.
Pergunte a si mesmo: “Quanto tempo tem que você quer ler aquele livro que tanto gostaria e não conseguiu ainda?” “Quando foi à última vez que você contou à pessoa que ama, o quanto ela é importante para você?”.
É impressionante! Poucos de nós têm claras visão e noção de como andam nossos planos e limites. Precisamos reavaliar nossas prioridades hoje! Existem pessoas a nossa volta e dentro de nós clamando por atenção e um pouco de tempo. Se a meta está alta demais, reduza-a. Temos a opção de colocarmos limites em nossas buscas. Temos a opção de refletir sobre o que temos realmente feito com nossos dias, sobre o que temos feito com nossa saúde e com nossos sonhos pessoais mais profundos; sobre o que temos feito com nossas famílias, nossos funcionários, com a nossa vida.
Sempre é hora de pararmos para pensar em como conseguir resultados sem perder mais do que ganhar. Sempre é hora de ouvir aqueles que nos rodeiam. Sempre é tempo de ouvir nossa voz interior.