A cultura do cafeeiro depende de vários fatores que contribuem para o seu sucesso. Dentre esses fatores, a formação de mudas tem papel preponderante, pois qualquer erro cometido nessa fase trará reflexos negativos durante toda a vida da cultura.
Devido a essa importância, vários trabalhos foram e têm sido desenvolvidos no sentido de se produzir mudas bem nutridas, sadias e vigorosas. Um dos pontos entre vários para a produção de uma boa muda, está na preparação do substrato.
O uso do calcário no substrato foi alvo de estudos de vários pesquisadores, porém em 1978, Carvalho, Duarte e Ramalho, pesquisadores da então Escola Superior de Agricultura de Lavras - ESAL, conduziram 2 trabalhos distintos, testando substratos com esterco de curral e de galinha. Nesses trabalhos concluíram que o calcário não tem efeito no substrato de mudas de cafeeiro, podendo inclusive prejudicar, no caso do uso de P2O5 na mistura. Somente foram encontrados efeitos benéficos do calcário na ausência de esterco de curral.
Quanto ao uso de P2O5 na mistura do substrato, a maioria dos trabalhos existentes concordam com seus efeitos positivos, discordando entre si apenas quanto a dose a ser utilizada no substrato das mudas. Sendo o P2O5 imprescindível na composição do substrato, convencionou-se a não aplicação do calcário na produção de mudas de cafeeiro.
Uma dúvida que persistiu por mais tempo, foi quanto a influência do potássio no desenvolvimento das mudas, pois muitos trabalhos não encontraram efeito da adição de K2O ao substrato. Mas como haviam trabalhos mostrando resposta positiva, passou-se a recomendar a adição de meio quilo de cloreto de potássio para cada metro cúbico de substrato (CARVALHO , 1978).
Quanto a adição de boro e zinco ao substrato, Malavolta em 1974 já recomendava bórax e sulfato de zinco na mistura, mas alguns trabalhos mais recentes (Ezequiel -1980 e Abrahão-1991) não encontraram efeitos satisfatórios, talvez pelo uso de esterco de curral, que é fonte desses nutrientes, em 30% da mistura. Porém, constatada a necessidade da aplicação de micronutrientes, essa pode ser feita junto ao controle de pragas e doenças na dosagem de 0,2 a 0,3 % de sulfato de zinco, ácido bórico e cloreto de potássio, adicionando-se ainda 30 ml de espalhante adesivo para cada 100 litros de calda.
O uso de nitrogênio, aplicado em cobertura nas mudas de cafeeiro, mostrou grande resposta no desenvolvimento das mudas de cafeeiro, sendo que Brilho, Figueiredo e Toledo (1967), encontraram um aumento de até 41% na altura das mudas quando se fazia 5 aplicações de sulfato de amônio na dose de 30 gramas por 10 litros d'água. A essa aplicação de nitrogênio em cobertura, foi dado o nome de "forçamento", pois vários outros autores já alertavam para um esperado comprometimento do desenvolvimento do sistema radicular em função do grande crescimento provocado na parte aérea das mudas, quando essas vão ao campo ficam altamente suscetíveis a tombamento sendo necessário o replantio. Essa alteração na relação do peso seco raiz/parte aérea foi demonstrada por Guimarães, 1995. Porém, no caso do uso dessas aplicações (substrato mal preparado), deve-se regar os canteiros com água pura, imediatamente após as aplicações dos adubos nitrogenados, afim de se evitar queimaduras.
A terra deve ser de preferência de textura média (nem muito argilosa e nem muito arenosa).
Na escolha do local para retirada da terra, deve-se evitar aquelas onde já houve lavoura de café, ou logo abaixo dessa, principalmente em locais onde ocorrem problemas com nematóides. A camada superior do solo, com espessura de 10 cm, deve ser eliminada para reduzir as sementes de ervas daninhas e em seguida o solo precisa ser bem peneirado para eliminar os torrões.
De posse de todos esses e muitos outros dados de pesquisa, passou-se a convencionar como substrato padrão para produção de mudas de cafeeiro em saquinhos de polietileno, a seguinte mistura (para um metro cúbico de substrato):
- 700 litros de terra de barranco (subsolo) peneirada;
- 300 litros de esterco de curral ou 90 litros de esterco de galinha curtido e peneirado;
- 5 quilos de superfosfato simples;
- 0,5 quilos de cloreto de potássio.
É importante ressaltar que o substrato precisa ser bem misturado para proporcionar mudas com vigor e desenvolvimento homogêneo e não ocorrer manchas de fertilidade no viveiro.

Fonte:
- Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras – DAG/UFLA
- CULTURA DE CAFÉ NO BRASIL “NOVO MANUAL DE RECOMENDAÇÕES” – Edição 2005;