"Eficiência reprodutiva, patologias reprodutivas e protocolos de reprodução (Parte I)", por Maria Alexandra Artunduaga e Robson Vilela
Artigos Técnicos
Publicado em 26/03/2007 por Maria Alexandra Torres Artunduaga, doutoranda em zootecnia/EV-UFMG e Robson Vilela, médico veterinário, Equipe ReHAgro

Eficiência reprodutiva, patologias reprodutivas e protocolos de reprodução.
(Parte I)

A atual situação econômica da produção de leite exige que os produtores operem com máxima eficiência, para manter a rentabilidade da atividade. Assim sendo, elevado nível de produção de leite e alta eficiência reprodutiva devem ser sempre metas dos criadores para alcançarem alta produtividade e retorno econômico. Daí a otimização da eficiência reprodutiva ser um dos principais fatores que contribuem para melhorar o desempenho e lucratividade dos rebanhos.

O desempenho reprodutivo é responsável direto pela produção de leite por dia de vida útil da vaca, numero de animais de reposição, redução de custos e aumento do ganho genético.

Nas ultimas décadas, o grande aumento na capacidade de produção das vacas leiteiras vêm sendo associado à queda na fertilidade. A taxa de concepção em rebanhos comerciais de gado de leite é de 35 a 40% em vacas multíparas em comparação a 50% em vacas de primeira lactação e geralmente maior que 65% em novilhas. Essas diferenças mostram que a concepção dos animais vai caindo a cada parto até que as vacas alcancem a idade adulta (Tabela 1).



Índices zootécnicos relacionados à eficiência reprodutiva

Existem várias formas de avaliar a eficiência reprodutiva do rebanho. A mais simples analisa o DEL (dias médios em lactação das vacas) para rebanhos puros. Um rebanho com DEL maior que 150 dias significa que as lactações, em média, são maiores que 300 dias e como o período seco (PS) é de 60 dias, em média, provavelmente o intervalo entre partos (IEP) desse rebanho é maior que 365 dias. Assim, se o DEL for de 240 dias, o IEP será de 540 dias (IEP = DEL x 2 + PS), ou seja, 18 meses.

Em rebanhos mestiços, a análise mais simplista é a relação entre vacas em lactação e vacas secas. Para estimar o IEP, primeiro deve-se saber a duração do período de lactação (PL). Se por exemplo, o PL for de nove meses, e tiver 75% das vacas em lactação o IEP é de 12 meses. Se a relação de vacas em lactação/secas for 50/50, com período de lactação de nove meses, o IEP médio deve estar em torno de 18 meses.

Os índices zootécnicos mais utilizados pelos técnicos são: intervalo entre partos, período de serviço e número de serviços por concepção. Porém, estes índices apenas levam em consideração as vacas gestantes.

Outra forma de se analisar a eficiência reprodutiva é a taxa de concepção ao primeiro serviço que fornece uma melhor visão da situação do rebanho. Porém, a forma mais correta de se avaliar a eficiência reprodutiva de um rebanho é a taxa de prenhez, que considera também a eficiência de detecção de cio.

A avaliação da taxa de prenhez é importante, pois a eficiência reprodutiva em rebanhos leiteiros deve-se basear em altas taxas de detecção de estro (TDE) e de concepção (TC) após um período voluntário de espera (PVE), que pode ser definido baseado no restabelecimento do aparelho reprodutivo ou nas características de produção.

Os fatores que influenciam o período de serviço (intervalo entre o parto e a concepção) são: período voluntário de espera (PVE) para primeira inseminação; taxa de detecção de estro (TDE = número de vacas detectadas em estro dividido pelo número de vacas disponíveis para inseminação artificial (IA) em 21 dias multiplicado por 100) e a taxa de concepção (TC = número de vacas gestantes dividido pelo número de vacas inseminadas multiplicado por 100). Juntos estes índices formam a Taxa de Prenhez (TP), que é calculada pela fórmula: TP=TDE x TC, que representa a proporção de vacas que ficam gestantes dentro do período de um ciclo estral (aproximadamente 21 dias). A TP determina a “velocidade” na qual a vaca fica gestante a partir do PVE. Se a TP for igual a 25% (qualquer combinação de TDE x TC que seja igual a 25%) serão necessários três ciclos estrais, para se atingir 58% de vacas gestantes a partir do PVE (exemplo 1). Com uma TP de 35%, 73% das vacas estarão gestantes após três ciclos estrais (exemplo 2).

Exemplo 1: Rebanho de 100 vacas com taxa de prenhez de 25%.
Primeiro ciclo de 21 dias = 100 x 0,25 = 25 vacas gestantes.
Segundo ciclo de 21 dias = 75 x 0,25 = 19 vacas gestantes.
Terceiro ciclo de 21 dias = 56 x 0,25 = 14 vacas gestantes.

Total de vacas gestantes em 3 ciclos de 21 dias (63 dias) = 25 + 19 + 14 = 58 vacas gestantes
Porcentagem de vacas gestantes após 3 ciclos = 58/100 = 58%.

Melhorando a taxa de prenhez para 35%, aumenta-se a taxa de vacas gestantes depois de três ciclos estrais de 21 dias para 73% e reduz-se a porcentagem de vacas que não ficam gestantes até 305 dias em lactação.

Exemplo 2: Rebanho de 100 vacas com taxa de prenhez de 35%.
Primeiro ciclo de 21 dias = 100 x 0,35 = 35 vacas gestantes.
Segundo ciclo de 21 dias = 65 x 0,35 = 23 vacas gestantes.
Terceiro ciclo de 21 dias = 42 x 0,35 = 15 vacas gestantes.

Total de vacas gestantes em 3 ciclos de 21 dias (63 dias) = 35 + 23 + 15 = 73 vacas gestantes
Porcentagem de vacas gestantes após 3 ciclos = 73/100 = 73%.

A taxa de prenhez de 35% parece pequena, mas conseguir alcançá-la é reflexo de um excelente desempenho reprodutivo.

Vantagens de se atingir alta taxa de prenhez:

• Permite que os descartes sejam baseados em outros fatores e não em reprodução, e não força a manutenção de animais inferiores no rebanho só porque estes estão gestantes;
• Mais leite é produzido porque os animais estão no pico de lactação mais vezes durante a vida produtiva;
• Nascem mais bezerros por ano;
• Número de vacas em lactação pode ser mantido constante ao longo dos anos.

Os índices zootécnicos servem para mostrar que falhas na detecção do estro e/ou na taxa de concepção diminuem a taxa de prenhez, aumentando o período de serviço médio do rebanho e, conseqüentemente, diminuindo a eficiência reprodutiva e produção de leite por dia de IEP.

Equação da reprodução 

Reprodução = Fertilidade da vaca (%) x Fertilidade do touro (%) x eficiência na detecção de cio (%) x Eficiência do inseminador (%).

Tabela 2 - Exemplo do efeito acumulativo dos itens da equação da reprodução na taxa de prenhez.


Leia aqui a segunda parte do artigo !!!


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