Plantas de Cobertura do Solo no Sistema de Plantio Direto, Parte II, por Leopoldo Diniz, engenheiro agrônomo, Equipe ReHAgro
Artigos Técnicos
Publicado em 10/04/2007 por Leopoldo Diniz, engenheiro agrônomo, Equipe ReHAgro

Na primeira parte deste artigo, que debate o uso de plantas de cobertura do solo no sistema de plantio direto, encerramos comentando sobre a importância da safrinha e/ou a cobertura de inverno nas regiões de cerrado. Sendo que existem três finalidades principais para essa cultura que será instalada após a cultura de verão:
• Produção de grãos;
• Pasto ou forragem (integração lavoura-pecuária);
• Geração de palha para cobrir o solo.

A integração lavoura-pecuária assume um papel muito importante dentro da sustentabilidade do sistema de plantio direto, por isso terá um capítulo especial durante nossos debates. Entretanto boa parte das culturas que serão mostradas neste trabalho também será reapresentada durante a discussão sobre integração.
 
Retomando o tema deste artigo, ressaltamos o impacto da safrinha no Brasil central, associado ao plantio direto, pode ser caracterizado pelas seguintes vantagens:
• Aproveitamento racional de máquinas, equipamentos e mão de obra;
• Proteção do solo, devido à sua cobertura por maior período do ano;
• Antecipação das receitas, com o uso de cultivares precoces, antes da safrinha, num período em que os preços dos produtos agrícolas estão mais compensadores;
• Melhoramento das condições biofísicas do solo;
• Sucessão de culturas dentro de um mesmo período agrícola;
• Melhor controle de plantas daninhas invasoras para a cultura subseqüente;
• Possibilidade da integração com pecuária (pastoreio, forragem verde ou silagem);
• Reciclagem de nutrientes. 
  
Uma das maiores preocupações reside em encontrar uma espécie possível de ser cultivada no período de inverno, em que as precipitações são reduzidas e o acúmulo de matéria seca fica comprometido, tornando-se o principal entrave na adoção do plantio direto.

A quantidade de resíduo produzido varia com as culturas num sistema de rotação. No sul do Brasil estima-se que haja necessidade de cerca de 6t/ha/ano de matéria seca de resíduos que mantenha desejável cobertura do solo e reposição do carbono perdido durante o processo de decomposição. Considerando as condições tropicais do cerrado comparando com a agricultura subtropical, necessariamente, a demanda de matéria seca é superior, porém há carência de estudos que demonstrem dados consistentes.

A cobertura morta do solo tem como objetivo final, através de todos seus efeitos, beneficiar em produtividade as culturas econômicas, sem comprometer o retorno econômico da atividade, e se possível agregando renda.    

A seguir serão apresentadas várias culturas que podem ter os seus resíduos usados dentro de um cronograma de rotação. Vale ressaltar que não existe cobertura pior ou melhor e elas não estão dispostas em grau de importância, e sim plantas que se adaptam a uma determinada condição ou se encaixam dentro planejamento de cada propriedade. Outro ponto que deve ser destacado é a necessidade de irrigação para certas culturas plantadas em diferentes épocas do ano e em diferentes regiões.

Milho:
A cultura do milho constitui em atividade relevante dentro do programa de rotação de culturas em plantio direto, em função da grande quantidade de palhada (restos culturais) deixada no terreno após sua colheita. Em condições adequadas a cultura do milho deixa cerca de 6.000 kg de matéria seca por hectare. Outro fator de grande importância relativo à cultura do milho é a relação C/N da palhada que está em torno de 64. Este valor corresponde a uma grande persistência da palhada no solo.
A acentuada quantidade de palhada devolvida pela cultura do milho, contribui sobremaneira para a manutenção ou, em situações especiais para o encremento de matéria orgânica do solo. Assume importante papel quando escolhida como cultura de safrinha, plantada após a colheita de uma lavoura de soja, por exemplo.


Milho em sucessão a soja, Faz. Pau do Monjolo, Itapecirica-MG.


Soja em sucessão ao milho, Fazenda Pau do Monjolo, Itapecirica-MG.

Milheto:
O milheto (Penissetum americanum), planta anual da família das gramíneas, de clima tropical, apresenta crescimento ereto com porte alto. Atualmente conta com materiais melhorados bastante tolerantes a stress hídrico, ciclo curto e alta produção de matéria seca. As exigências para germinação são precipitações de 30 a 40 mm e temperatura média do solo superior a 17º C.


Milheto após a cultura do milho na Faz. Braúnas, Funilândia-MG, assistida pelo ReHAgro.

Pode ser plantado a lanço ou em linha ou ainda pode ser feita a sobressemeadura em lavouras de soja, consumo de sementes variando de 15 a 25kg/ha conforme o sistema escolhido.


Soja em plantio direto sobre palhada de milheto, Faz. Massambará, Pains-MG.

Chegam a produzir 11 t/ha de matéria seca e sua relação C/N é 43 que garante persistência da cobertura na área.
Cultura de fácil manejo pode ser usada no pastoreio, silagem ou produção de grãos. Garante boa reciclagem de nutrientes quando dessecado ou roçado.  
    

Colheita de milheto para silagem.


Sorgo:

Sorghum bicolor é o nome cientifico desta importante gramínea, muito cultivada principalmente no Brasil central. Destaca-se pelo crescimento vegetativo elevado, com boa produção de massa verde, planta rústica, de fácil manejo, resistente ao stress hídrico. O sorgo requer temperaturas médias de 26º C e precipitações médias de 400 mm durante os 3-4 meses do seu ciclo.

O sorgo além de apresentar valor comercial na produção de grãos, tem variedades de duplo propósito (forragem/grão) que podem ser incluídas num sistema de interação lavoura-pecuária. Possui também alto poder de rebrota, sendo pastejado após a colheita de grãos.

É uma excelente opção de safrinha em regiões onde as chuvas de verão são interrompidas mais cedo, por ser tolerante ao stress hídrico.


Área de sorgo plantado na Fazenda Massambará, Pains-MG.

Girassol (Heliantus anuum):

O girassol sempre foi considerado como uma cultura de clima temperado, mas, levando em consideração o melhoramento genético realizado nos últimos anos, para sua adaptação a regiões agroclimáticas mais quentes, e com maior irradiação solar, tem se verificado a expansão desta cultura, dos tradicionais países produtores como a Argentina e Uruguai, para regiões do Brasil central.

Com a exploração dos cerrados da região central do Brasil, através do cultivo de arroz de sequeiro, soja, algodão e milho, há necessidade de rotação e sucessão nas regiões produtoras de grãos, a do girassol é uma alternativa de grande importância por fornecer matéria prima para o processamento industrial dos grãos, reduzindo a capacidade ociosa da indústria esmagadora de soja na sua entressafra e pela característica de ciclo curto, alta qualidade e produtividade de óleo. Além de ser componente na produção de bio-diesel, o que tem dado grande destaque a cultura ultimamente.

Precipitações de 500 a 700 mm bem distribuídos ao longo do ciclo resultam em bons rendimentos da cultura, devido ao fato do girassol possuir sistema radicular bem desenvolvido, atingindo as camadas mais profundas do solo.

O girassol pode produzir até mais de 4000 kg MS/ha, apresentando uma relação C/N igual a 22. Possui característica de decompor rapidamente as folhas permanecendo no campo somente o colmo, o que não apresenta uma boa uniformidade de cobertura do solo.

Guandu (Cajanus cajan L.):

O guandu é uma espécie leguminosa perene, de porte arbustivo, alcançando de 3 a 4 m de altura, possui sistema radicular vigoroso e uma grande produção de massa verde. Adaptado ao clima tropical é exigente em temperaturas elevadas, sendo tipicamente uma planta de fotoperíodismo longo, possuindo resistência elevada à seca, embora tolere temperaturas baixas não resiste à geada. É uma planta rústica que vegeta em solos pobres e não tolera solos úmidos, preferindo solos profundos e soltos.

Muito usado como forrageira, pode ser usado em consórcio milho ou no sistema de plantio direto plantado no final do mês de janeiro/inicio de fevereiro, após a colheita da cultura de verão.

Em consórcio com o milho, é plantado no meio da linha junto com o milho, ou até 15 dias após, colocando 8 a 12 sementes por metro.

Após uma cultura de verão é semeado em linhas espaçadas de 50 a 60 cm, com 15 a 20 sementes por metro, gastando de 40 a 50 kg de semente/ha. No mês de maio quando o guandu está florescendo pode ser manejado com rolo faca e em regiões com chuva no inverno ou irrigadas, procede ao plantio de cultura de inverno.

Alvarenga (1993), trabalhando com diversas espécies de adubos verdes e testando suas potencialidades para conservação de solos, concluiu ser o guandu, entre as leguminosas a espécie de maior potencial para penetração de raízes no solo, maior produção de matéria seca e maior quantidade de nutrientes imobilizados. Produz mais de 5000 kg MS/ha e tem relação C/N 21.

Cana-de-açúcar:

A cana ocupada destaque no cenário nacional nos últimos anos, sendo uma das mais importantes culturas na economia do agronegócio brasileiro. Dentro deste contexto áreas antes ocupadas por outras culturas são destinadas para a cana e canaviais antigos são constantemente reformados. Estes canaviais em reforma podem ser utilizados para produção de uma cultura anual de ciclo curto e depois novamente destinados à cana, sendo este plantio de cultura anual feito no sistema de plantio direto.

Canaviais colhidos de junho até a primeira quinzena de setembro são normalmente os ideais para este tipo de plantio. Ao invés de realizar a destruição mecânica da soqueira, podemos fazê-la quimicamente. Sendo possível implantar uma lavoura de soja precoce e em seguida prepara a área para o plantio de cana de ano e meio.

Normalmente áreas em que o corte da cana é mecanizado há uma grande produção de palhada, que é favorável para a proteção do solo e não deve ser destruída para a implantação da cultura de sucessão.

Segundo experimentos realizados, a cana deve estar com 60 cm a 1 m de altura para ser dessecada, eliminando assim todas possíveis brotações da planta. Não se devem arrancar touceiras mortas, pois as raízes em decomposição serão canais para infiltração de água e fonte nutrientes para a biota do solo. Em seguida será feito o plantio da cultura sobre a palha da cana, tem se dado preferência para o plantio de leguminosas como a soja e a crotalária, que são espécies altamente eficientes na ciclagem de nitrogênio, essencial para a cultura da cana.     

Pé de Galinha (Eleusine coracana L.):

Trata-se de uma gramínea exótica, de origem africana, que basicamente permite melhoria física do solo, bem como sua menor degradação e maior equilíbrio, além de viabilizar a integração agricultura pecuária. Por possuir um sistema radícula vigoroso e profundo como forte agente descompactador o pé de galinha elimina a compactação do solo, aumenta sua macroporosidade, corrigindo os problemas causados pelo preparo mecânico do solo, que envolve arações, gradagem e escarificações.

A gramínea produz de 5 a 10 toneladas de cobertura por hectare, inibe a ação das invasoras, atua na recuperação de pastagens degradadas, possui um alto teor de proteína no grão, é bem palatável, tem fácil manejo via herbicias, possui ciclo curto (75-85 até 90 dias dependendo do material genético), é resistente à seca e oferece condições de plantio mesmo durante o final da época das águas.

A baixa relação carbono/nitrogênio do sistema radicular da planta não oferece risco de fermentação para cultura principal.

Crotalária (Crotalaria juncea L.):

A crotalária é uma leguminosa de rápido crescimento vegetativo, sendo muito competitiva com plantas daninhas. Esta característica é importante no plantio direto, pois permite que ela seja uma das culturas adequadas para a cobertura do solo na primavera, no intervalo entre a cultura de inverno e verão, ou após a colheita das culturas de verão, podendo ser semeada até meados do mês de março.


Crotalária plantada na fazenda Agropeva, assistida pelo ReHAgro.

Esta cultura possui uma grande capacidade de fixação de nitrogênio, sendo recomendado plantar posteriormente uma gramínea, por exemplo, milho, para aproveitar este nutriente fixado.

O manejo da crotalária pode ser feito com rolo faca ou herbicida. Apresenta produção superior a 10 t/ha de matéria seca.


Manejo da crotalária, Fazenda Agropeva. 

Amaranto (Amaranthus cruentos):

O amaranto é uma granífera originária das antigas civilizações americanas, que apresenta as características de rápido estabelecimento, tolerância ao déficit hídrico, produção de biomassa, reciclagem de nutrientes e utilização humana e animal ou como alternativa para rotação de culturas, em plantio direto. As espécies cultivadas produzem sementes claras e não possui dormência, em contraposição ao amaranto planta daninha (caruru), com sementes pretas.

Espécie anual, com ciclo variável de 90 a 100 dias, a depender da variedade. No inicio da cultura, por serem pequenas as plantas são pouco competitivas com as invasoras. Após 30 dias de emergência, seu crescimento é rápido; variedades menos sensíveis ao fotoperíodo podem atingir até 2,0m em semeaduras de verão ou safrinha.

Necessita-se de 4 a 8 kg/ha de semente, dependendo do sistema de plantio, a lanço ou em sulcos.

O amaranto pode ser plantado em qualquer época do ano, a depender da finalidade. Quando se objetiva a produção de grãos, as semeaduras de safrinha e de entressafra são s que produzem melhor resultado. Para forragem, a semeadura de verão é a ideal. O rendimento é de 10 a 15 t/ha de massa verde.

Aveia (Avena spp):

A aveia tem se destacado dentre as diversas coberturas de inverno pela alta produção de matéria seca e a alta relação C/N. Sendo assim, é a espécie de cobertura de inverno quando manejada de floração, mas especialmente, a resteva após colheita de grãos, que mantém o solo coberto por um maior período de tempo, em função da menor redução no volume de massa, ao longo do tempo, ocasionando pela lenta decomposição microbiológica da palhada.

Na aveia a relação C/N pode variar de 17-20 no estádio vegetativo, 41-50 na floração plena e superior a 70 na colheita. Mesmo entre gramíneas há diferença na relação C/N para as diversas espécies, o que explica as diferentes velocidades de decomposição das mesmas.

Uma das razões importantes do cultivo de aveia está no controle de alguns microorganismos fitopatogênicos. Segundo Derpsch (1985), a soja semeada após a aveia é menos afetada por Rhizoctonia aolani e Sclerotinia sclerotiorum, sendo que o trigo é menos afetado por moléstias radiculares como a podridão comum das raízes e do mal-do-pé. Além disso, contribui com a diminuição da população de nematóides da cultura da soja.

A bioamassa de aveia também apresenta controle alelopático sobre várias plantas daninhas. Segundo Rice(1974), a alelopatia pode ser definida como sendo o efeito inibidor direto ou indireto de uma planta sobre outra planta, incluindo microorganismos, através da produção e liberação de compostos químicos no meio ambiente.

O cultivo de aveia como cultura de cobertura verde do solo no período inverno/primavera visando a produção de cobertura morta tem uma importância fundamental na manutenção do sistema de semeadura direta na região sul do Brasil. No entanto, na busca de aumento da renda da propriedade agrícola há necessidade de utilizar economicamente esta gramínea, sem prejudicar a manutenção da palha na superfície e a obtenção dos benefícios de melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo.


Corte de aveia na Fazenda São João, Inhaúma-MG.

Uma das alternativas da aveia é a utilização em pastejo rotacionado, evitando a compactação do solo através de pastejos temporários durante o dia e a retirada dos animais com uma antecedência mínima de 21 dias, antes da dessecação para o cultivo de soja em sucessão. Alternativa é a substituição do cultivo de aveia preta por cultivares de aveia branca com altos potenciais de rendimento. Estes cultivares desempenham a mesma função de cobertura verde e a melhoria das propriedades do solo. Usando a tecnologia disponível, é possível a obtenção de rendimentos médios superiores a 2400 kg/ha e a produção de uma resteva média de superior a 3900 kg/ha. Apesar da menor quantidade de palha produzida quando comparada com o rendimento de biomassa seca da aveia preta manejada no estádio de floração plena, tem a mesma importância para o sistema de semeadura direta, pois apresenta maior relação C/N.


Aveia amarela, Fazenda São João, Inhaúma-MG.

Trigo (Triticum aestivum):

A principal limitação à expansão do trigo no cerrado era a falta de cultivares adaptadas as condições de clima e solo da região. Graças aos trabalhos da pesquisa agrícola, essa limitação foi superada e o trigo é hoje, uma cultura recomendada e cultivada em grandes lavouras comerciais. Devido à sua viabilidade econômica e técnica, este cereal é uma alternativa importante para rotação de culturas, como por exemplo, o feijão e outras leguminosas, principalmente nos sistemas de produção irrigados sob plantio direto.


Trigo campo experimental da COOPADAP, São Gotardo-MG.

O intervalo entre o plantio e a maturação dos grãos depende da variedade, época de plantio e do local. Um dos atrativos do uso do trigo como planta de cobertura está na sua elevada relação C/N, que é igual 60, compensando a sua produção de matéria seca que é em torno de 3 t/ha.

Nabo Forrageiro (Raphanus sativus L.):

O nabo forrageiro pertence à família das crucíferas, possui crescimento rápido que o torna muito competitivo contra as invasoras. É muito rústico, possui uma raiz pivotante bem desenvolvida, cresce bem em solos pobres, e em condições de boa fertilidade produz elevada quantidade de massa verde. Em relação à matéria seca apresenta produção superior a 4 t/ha. Já a relação C/N do nabo forrageiro é baixa igual a 16. Além da alta produção de matéria seca já realidade em Minas o uso do nabo como matéria prima para produção de bio-diesel, sendo que em regiões tradicionalmente produtoras de milho esta cultura encaixa muito bem no sistema como sucessora do milho.

O manejo da massa verde, em plantio direto é realizado no período de florescimento, usando-se herbicida ou rolo faca mais herbicida.

O plantio é realizado a partir de inicio de abril, e para produção de sementes, a semeadura no mês de maio é mais indicado, pois o nabo apresenta menor desenvolvimento vegetativo e maior uniformidade de maturação.  
   
Cevada (Hordeum vulgare):

A cevada cultura típica de clima frio ganhou espaço no cerrado a partir de resultados de pesquisas elaboradas pela EMBRAPA Cerrados, vinculada ao MAPA. Após vários anos de estudo nas áreas de melhoramento de plantas e manejo de cultura, consegui-se adaptar essa cultura às condições edafoclimáticas da região, o que resultou na obtenção da cultivar BRS180, desenvolvida em parceria com a EMBRAPA Trigo. Esta linhagem apresenta potencial de produção superior a cinco toneladas de grão por hectare e teor de proteína inferior a 12% atendendo as demandas dos agricultores e os padrões exigidos pela indústria do malte. Para se obter essa qualidade, entre outras coisas, é necessário que a cevada seja cultivada durante o período seco, com uso de irrigação, e o plantio realizado no mês de maio, para que a colheita seja realizada antes do inicio das chuvas.     

Do ponto de vista agrícola, a cavada se constitui em uma importante alternativa para rotação de cultura com o feijão, principalmente das áreas irrigadas do cerrado. A cevada não é hospedeira de doenças dessa leguminosa, como: mofo branco, fusariose e a rhizoctoniose, além de ser uma cultura adaptada as condições climáticas de inverno. A rotação de culturas com cevada cervejeira é uma alternativa que apresenta um grande número de vantagens no ponto de vista técnico-econômico.

Considerações finais:
Muitas culturas usadas na rotação e como palhada no Plantio Direto não foram citadas nesta revisão, mas independente da cultura a ser usada estamos certos que o Plantio Direto está alicerçado na produção de palha, porque essa protege o solo, anulando o inicio do processo de erosão e diminuindo as perdas de água. A mesma palhada que assegura uma maior estabilidade de temperatura do solo; favorece absorção de nutrientes, interfere na biologia de plantas daninhas e, principalmente estimula a atividade microbiana que é fundamental para o sistema de produção agrícola.     

É possível a formação de palhada no Brasil Central, desde que faça certa combinação de culturas e que o plantio direto seja seguido de forma correta. O plantio direto juntamente com a sucessão/rotação de culturas possibilita a resolução de boa parte de problemas ocasionados pela monocultura seja ela de soja, algodão, milho, pastagens, cana de açúcar, entre outras.

Podemos concluir que o sucesso do plantio direto está totalmente ligado à matéria orgânica oriunda da palhada, que em suas mais diferentes fases de processo de decomposição macro e microbianas, cataliza e é fonte de energia para a continuidade do sistema.

O plantio direto se implantado como um sistema no qual as culturas se alternam e se sucedem, atrelado a pecuária de qualquer porte, certamente é um forte aliado para garantir a autosustentabilidade e a permanência dos produtores na atividade agrícola, levando-se em consideração a grande diversidade cultural, de módulos rurais e de sistemas de utilização da terra no Brasil.

Se problemas existem, e sempre existirão, cabe a nós técnicos, juntamente com agricultores, decifrá-los e superá-los.
  
"O potencial do plantio direto somente é limitado pela nossa própria inteligência".
(Phillips)

Para ler a primeira parte desse artigo, clique aqui!


:: Comentários ::

charles robson lima da silva -
Consultor Técnico

Não consegui encontrar o nome da primeira especie de cana de açucar...
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LUCIMAR -
Estudante

Essas publicações foram bastante úteis na pesquisa.Estão ótimas!
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cesar mallmann -
Estudante

Gostaria de receber algumas imagens sobre o ponto de pastoreio da aveia branca e preta, e algumas informações sobre essa duas culturas. Meu e-mail é cesar-junior150@hotmai.com. OBRIGADO PELA ATENÇÃO.
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Doralice Fernandes -
Estudante

Gostaria de saber se não tem algo de feijoeiro no plantio direto.
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Equipe ReHAgro -
Consultor Técnico

Doralice, Infelizmente não temos um artigo detalhando mais sobre a cultura do feijão, mas em um texto de Silvino Moreira, enegnheiro agrônomo, consultor técnico da Equipe ReHAgro, é citado: "A semeadura do feijão após a silagem em regiões com colheitas mais cedo de silagem e com boa pluviosidade ou naquelas com cultivos irrigados tem sido uma boa alternativa técnica/econômica para algumas propriedades. No entanto, deve ser ressaltado que o feijão é uma cultura que exige um investimento elevado por hectare e um bom acompanhamento técnico."
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Anabel B. Sena - 19/12/2008 21:12
Funcionário Empresa

Gostei muito da matéria,este tipo de informação enriquece muito a todos nós interessados na cultura Brasileira,Meus parabens.
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THAIS -
Estudante

OLA, ESTOU CURSANDO ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS,E PRECISO FAZER UM TRABALHO SOBRE ROTAÇÃO DE CULTURA UTILIZANDO TODAS AS TECNOLOGIAS POSSIVEIS DA REGIÃO ( A ESCOLHER) RESULTANDO UM MELHOR DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO DE UMA DETERMINADA CULTURA! PORFAVOR ME AJUDE MEU EMAIL É t.h.a.i.s_52_@hotmail.com ATENCIOSAMENTE
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maicon -
Estudante

Faltou fotos dos estádios vegetativos, florais e de semente.
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Edson Gazola -
Produtor - Agricultura

Bom dia! Achei o artigo de exelente qualidade e bem informativo.Prezado Sr, tenho uma area que quero plantar AMARANTO. Onde encontro as sementes? Favor entrar em contato. Sou de SANTA CRUZ DO RIO PARDO SP atenciosamente GAZOLa
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Diego de Holanda -
Produtor - Agricultura

Venho aqui lhe dar parabéns pelo plantio da agropeva , sei que não é facil manter um plantio lindo como está em um lugar que chega até 45 graus, e no mês que vem vou estar passando por ai perto e espero poder fazer uma visita à agropeva ; no momento estou em São Paulo, mas mes que vem espero estar ai apreciando esta lindo trabalho feito por vocês.
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Fabiana Schneider - 17/09/2009 21:50
Estudante

Adorei o artigo,até utilizei algumas informações em um trabalho, Parabens
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Érico vinícius da Silva -
Professor

Quero saber qual esquema de rotação de culturas, incluindo plantas de cobertura, que pode ser utilizado na região de Araçatuba
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Paula - 11/11/2009 17:14
Estudante

Olá, Boa Tarde a todos por gentileza gostaria de saber se alguem tem algumo dado sobre ciclo reprodutivo da planta de crotalaria. Antecipadamente Obrigada Paula
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Equipe ReHAgro - 16/11/2009 09:46
Consultor Técnico

Prezada Paula, a Crotalária tem altura variando de 3,0 a 3,5 metros, em 240 dias de ciclo vegetativo. A semeadura pode ser feita durante os meses de outubro a abril, onde o plantio tardio visa produção de sementes influenciada por sensibilidade ao fotoperíodo. O plantio é feito em linhas com espaçamento de 50 a 70 cm, com stand de 25 a 40 plantas/m linear.
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Dejair Fonseca Filho -
Consultor Técnico

Serviu para pesquisa de variedades de sementes existentes. Parabéns. Dejair
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francisco -
Estudante

Queria saber por que o plantio direto não se estabelece de maneira satisfatória na região nordeste.
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luiza -
Consultor Técnico

É muito bom para a natureza.
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