Um dos maiores problemas encontrados nas fazendas de pecuária de leite é a falta de planejamento de forragens. Isso gera incalculáveis prejuízos à produção animal e à rentabilidade do sistema. As forrageiras são a base da alimentação de ruminantes e são geralmente a fonte de nutrientes de custo mais reduzido, quando comparada aos alimentos concentrados.
O planejamento de forragens deve visar ao ajuste da produção com a necessidade do rebanho. Para conhecer a necessidade de forragem, é preciso saber a composição do rebanho, o peso médio das categorias, os componentes das dietas e o período de suplementação. As exigências de consumo animal em diversas categorias são fornecidas em quantidade de matéria seca da dieta. Daí a necessidade de saber a porcentagem de água de um alimento, obtendo como restante a Matéria Seca.
Acompanhe um exercício de um rebanho fictício na tabela abaixo:
Tabela 1: Exemplo de cálculo da necessidade de forragem por categoria em um rebanho.

1- Uma UA corresponde a um animal de 450 kg de peso vivo
2- Para animais adultos (vaca em lactação e secas), o consumo de forragem é igual a 9 kg de MS de forragem/UA. Para animais jovens, o consumo de forragem estimado é igual à diferença entre o consumo total e o consumo de MS de concentrado.
Inicialmente, é preciso dividir o rebanho em categorias e saber quantos animais existem e o peso vivo médio dos animais em cada uma. O peso vivo médio de cada categoria vai determinar o consumo médio de forragem. O peso médio de cada categoria deve ser transformado no padrão unidade animal (UA). Uma UA equivale a um animal de 450 kg de peso vivo. Isso será importante para a determinação do consumo de forragens de animais adultos.
São utilizadas diferentes estimativas para animais adultos e para animais jovens em recria. Para os animais adultos (vacas em lactação e vacas secas), é considerado o consumo de forragem de 9 kg de MS de forragem /UA por dia. Isso é apenas uma estimativa. Fatores como o tipo de forragem, composição da dieta e nível de produção do rebanho afetam esta estimativa. No entanto, para uma faixa muito grande de rebanhos leiteiros no Brasil, essa estimativa possui uma boa confiabilidade. Para os animais em recria, é considerado um consumo total de alimentos de 2,5% do peso vivo de determinada categoria. O consumo de forragem estimado será a diferença entre o consumo total e o consumo de suplementação concentrada (consumo de forragem = consumo total – consumo de concentrado). Todos esses cálculos devem ser feitos com base na matéria seca.
Conhecendo as necessidades de forragem por categoria, o próximo passo seria calcular a necessidade de forragem para determinado período. No caso desse exemplo, foi considerado um período de 210 dias ou aproximadamente 7 meses, período muito comum de suplementação de forragens correspondente aos meses de seca no inverno do Brasil central. O período de suplementação deve ser ajustado de acordo com o sistema de produção da fazenda.
Tabela 2. Exemplo do cálculo de necessidade de forragem para um determinado período de suplementação.

Em seguida deve ser ajustada a necessidade de forragens (tonelada de MS) com a produção de forrageiras da propriedade. Para saber a área produtora de forragem necessária, é necessária de uma boa estimativa da produtividade da forrageira de escolha na propriedade e das perdas envolvidas na colheita e no processamento da forrageira (ensilagem).
A tabela abaixo mostra um exemplo de cálculo de área necessária de duas culturas muito comuns usadas como suplementação durante o inverno, a cana-de-açúcar e a silagem de milho.mAs perdas devem ser consideradas no processo. No caso da cana-de-açúcar in natura, seria prudente considerar perdas na colheita, transporte e oferecimento de 5 a 10% .Em forragens ensiladas as perdas variam de 15 a 20% da matéria seca ensilada. Essas perdas seriam relacionadas à colheita, transporte, fermentação anaeróbica e aeróbica e no processo de desensilagem da forrageira.
Tabela 3. Estimativa de área necessária de duas forragens baseado nas exigências de forragem da tabela 2.

Alguns produtores ainda colocam algum tipo de margem de segurança, levando em consideração riscos de produção da cultura como intempéries climáticas, pragas, erros em práticas agronômicas, ocorrência de fogo, etc. Essa margem vai depender de características intrínsecas do sistema de produção e características da propriedade.
O planejamento adequado de forrageiras é a base de um sistema produtivo eficiente. Aproveite as orientações fornecidas e planeje para o seu rebanho! Planejar é preciso!