Mais um ano estamos iniciando um momento crucial para obter sucesso nas lavouras, a dessecagem das ervas nas áreas que serão cultivadas sob sistema de semeadura direta. Dessecagem nada mais é que o processo de aplicação de um ou mais herbicidas não seletivos, com objetivo de eliminar completamente as ervas, antes da semeadura.
Existem inúmeros fatores responsáveis pelo sucesso dessa prática. Os herbicidas a serem aplicados deverão ser recomendados por um agrônomo, respeitando a fisiologia das plantas. Nesse caso, as ervas deverão estar germinadas (caso de sementes sobre o solo, por exemplo) e as ervas manejadas através de roçadas, como braquiárias, colonião e outros (caso não tenham sido dessecadas na pós-colheita) deverão apresentar uma boa área foliar para absorver o produto aplicado.
Caso essas plantas de difícil manejo apresentem baixa área foliar durante a dessecagem (muitas touceiras, com poucas folhas), com certeza não haverá uma boa dessecagem e os problemas aparecerão após a semeadura. Dessa forma, como já mencionado, antes dessas dessecagens deve haver uma boa condição de precipitação. Também é necessário um certo período, variável com cada região, para diminuir o prolongado estresse das ervas (água e temperaturas), antes das dessecagens.
Especificamente em relação as aplicações dos produtos, muitos são os fatores que influenciam sua qualidade, dentre eles destacam os fatores climáticos (temperatura, luz, ventos, umidade do ar e solo), tipo e condição do equipamento de aplicação, regulagem do implemento, tipo e estado dos bicos de pulverização, dentre vários outros. No entanto, não adianta o controle de todos esses fatores, se a qualidade da água utilizada nas pulverizações, não for analisada.
A água de rios com elevados teores de argila, por exemplo, pode reduzir a meia-vida (tempo para inativar 50% do produto) e a vida útil dos bicos. Além disso, alguns herbicidas, como glyphosate e paraquat, são fortemente adsorvidos nas partículas de argila.
Algumas regiões possuem águas com pH elevados (acima de 7), associados a altos teores de bicarbonatos, sulfatos, cloretos e nitratos de cálcio e magnésio. A utilização dessas águas sem nenhum tratamento, para redução do pH, diminui a meia vida desses produtos e reduz grandemente a eficiência dos mesmos.
Em locais com as chamadas “águas duras” (água com elevada concentração de íons Ca e Mg e outros), com altos valores de pH, pode ocorrer inativação de grande parte dos produtos aplicados por esses íons. O herbicida gyphosate, por exemplo, ao ser colocado na água, é dissociado em íons com cargas positivas e negativas.
Em situações de pH elevado, a quantidade de carga negativa é maior, fazendo com que o mesmo reaja com íons de carga positiva encontrados nas águas calcárias (Ca2+, Mg2+ e outros). Dessa forma, há inativação do produto, diminuindo sua meia vida. No caso do gyphosate, a maior eficiência ocorre em pH 3,5 (Gassen, 2002).
Deve ser mencionado que a manutenção do pH a valores próximos de 3 a 4 faz com que haja menores perdas do produto por inativação, mas não elimina totalmente as possibilidades de perdas. O fator preponderante na manutenção do herbicida glyphosate em forma ativa em solução é a baixa dureza da água, admissível até 150 ppm de Ca. Dessa forma, deveriam ser aplicados nessas águas outros produtos para eliminar esse cálcio, além de baixar o pH. No entanto, esses produtos ainda não estão no mercado a valores acessíveis.
No caso específico do glyphosate, os íons que mais influenciam negativamente sua eficiência são respectivamente o ferro (Fe3+) e alumínio (Al3+) (ação muito forte); cálcio (Ca2+) e Zinco (Zn2+) (ação forte); magnésio (Mg2+) (ação moderada), potássio (K+) e sódio (Na+) (ação desprezível) (Gassen, 2002). Dessa forma, não é aconselhável manusear o produto em recipientes de ferro, por exemplo, o qual pode oxidar e diminuir a ação do produto.
Antes de efetuar as pulverizações, deve-se fazer a medição do pH da água da propriedade (fitas para medição, por exmeplo), além analisar os teores de Ca, Mg, Fe, Al e Zn (laboratórios de análises químicas) para determinar a necessidade de correção da acidez. Existem várias substâncias ácidas no mercado para redução do pH, o qual deve ser realizado antes da colocação do produto no tanque. Os valores de pH recomendados para uma série de produtos encontram-se na Tabela 1.
As informações sobre produtos que não constam nessa tabela (lançamentos) podem ser obtidas juntamente com seu fabricante.
Tabela 1. Valores de pH de calda ideais para diversos herbicidas e seu efeito na meia-vida média desses produtos.

Tabela 2. Valores de pH de calda ideais para diversos produtos fitossanitários e seu efeito na meia-vida média desses produtos

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FONTE: University Massachussets; Ag. Experimental Station North Carolina; *FORMALIX Prod. Químicos Ltda.; Ag. Extension/British Crop Protection Council.2 GASSEN, D.N. Informativos Técnicos Cooplantio. Passo Fundo: Aldeia Norte Editora/Cooplantio, 2002, 150p.