A ovinocultura de corte no Brasil vem se desenvolvendo, e mostrando um panorama diferente de algum tempo atrás. Hoje, mesmo que timidamente, encontramos carne de cordeiros nas gôndolas de alguns supermercados, além de pratos contendo ingredientes ovinos em vários restaurantes e churrascarias.
O rebanho nacional passou por um momento difícil na década de 90, quando a região sul, que na época detinha 56,29% de todo o rebanho, criava os animais para a produção de lã. Com o advento das fibras sintéticas e a crise do preço da lã, esses produtores tiveram que diminuir seus rebanhos e mudar o perfil da criação para carne. Com essa crise, o rebanho brasileiro diminuiu seu efetivo em aproximadamente 30% até 2000, sendo que só a partir de 2002, o rebanho voltou a crescer novamente, com uma média de aproximadamente 3% ao ano até 2005.

Fonte: IBGE (2005)
Outro aspecto interessante, é que algumas regiões vêm tomando espaço no cenário da ovinocultura, não somente pelo crescimento, mas principalmente pelo potencial que possuem para a atividade, como é o caso do Sudeste e Centro Oeste, com destaque para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No entanto o Nordeste hoje detém o maior rebanho, com mais de 9 milhões de cabeças, seguido pela região sul, com quase 4,5 milhões.

Em comparação com o mercado mundial, o Brasil contribui apenas com 1,45% do efetivo. Os países com maior destaque são Austrália e Nova Zelândia que, juntos, exportam mais de 60% da carne ovina mundial.
Há países que são grandes importadores de carne ovina, com destaque para os Estados Unidos, Arábia Saudita, China e México, que somados importam aproximadamente 22,5% da carne ovina mundial, e a União Européia que, sozinha, importa 48,7% deste produto.
As importações por parte do Brasil vêm aumentando desde 2002 e, segundo dados de MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio), só no mês de março deste ano, houve um aumento de 36% em volume e 78% em valor quando comparado ao mesmo período do ano passado.
O consumo da carne ovina no Brasil aumentou nos últimos anos de 0,5 kg/hab/ano, para 0,7 kg/hab/ano, enquanto a média de outros países atinge patamares bem mais elevados. (Tabela. 2). Além disso, de acordo com o Anualpec 2006, o consumo per capita de carnes do brasileiro está por volta dos 77,3 kg/hab/ano, sendo o de carne ovina representa menos que 1% deste montante.
Tabela 2. Consumo per capita de carne ovina.

Portanto podemos concluir que a demanda é sim maior que a oferta, havendo um mercado comprador, em crescimento, apreciado mundialmente, e que não possui restrições religiosas e/ou culturais. No entanto, para se conseguir entrar neste mercado, é preciso oferecer um produto padronizado, com constância de fornecimento e qualidade garantida. Para isso devemos trabalhar as propriedades como verdadeiras empresas rurais, traçando estratégias, planejando, treinando a mão de obra, analisando custos e dados consistentes, usando uma assistência técnica constante e bem capacitada, dentre outros.
Tudo isso é o que consideramos “Porteira à dentro”, e que está mais “facilmente” ao nosso alcance. “Porteira a fora” devemos nos organizar e montarmos uma cadeia produtiva mais concreta, fazendo com que todos os segmentos, tais como produtores, frigoríficos, comércio, governo e consumidores trabalhem em prol da atividade de ovinocultura de corte.
A parceria entre ATO e ReHAgro tem como objetivo auxiliar na estruturação e consolidação desta cadeia produtiva. Além de oferecer consultorias buscando a sustentabilidade e viabilidade dos diferentes sistemas de produção, esta parceria também visa à formação, capacitação e conscientização de pessoas envolvidas no meio da ovinocultura.

Bibliografia Consultada
MEDEIROS,J.X.;SANTO,E.E.;COSTA,N.G.;RIBEIRO,J.G.B.L. Cenário Mercadológico da Ovinocultura. In: SIMPÓSIO MINEIRO DE OVINOCULTURA, IV,2005. Lavras, Minas Gerais. Anais...2005. 18p CD-Rom.
BORGES,I; SILVA,A.G.M; ORZIL,R. Agronegócio da Ovinocultura
SIMPLICIO,A.A;SIMPLICIO,K.M.M.G. Caprinocultura e ovinocultura de corte: Desafios e oportunidades.Revista CFMV, Brasília, ano.12, n.39, p.7-17, 2006
COUTO, F.A.d’A. Dimensionamento do mercado de carne ovina e caprina no Brasil. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE CAPRINOS E OVINOS DE CORTE,II,2003, João Pessoa. Anais...João Pessoa:EMEPA, 2003. p.71-81.
IBGE. Pesquisa Pecuária Municipal.2006. Disponível em .
FAO. 2006. Disponível em
MDIC. Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. 2006. Disponível em
ANUALPEC.Anuário da pecuária brasileira. São Paulo, 2006