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Uso do desmame temporário associado aos programas de IATF
O uso do desmame temporário associado a programas de sincronização de estro tem sido estudado com intuito de aumentar a eficiência reprodutiva em bovinos (Quesada et al. 2001). Com o objetivo de aumentar a taxa de concepção de vacas Nelore no período pós-parto submetidas a IATF, nosso grupo de pesquisa (Penteado et al., 2004) tratou 459 vacas Nelore com Crestar por 9 dias e verificaram os efeitos da administração de eCG (no momento da retirada do implante) e do desmame temporário (desde a retirada do implante até a IATF= 54 horas) em um experimento fatorial 2x2 (Tabela 7).
Tabela 7 – Taxa de prenhez de vacas nelore (Bos indicus) lactantes tratadas com implante auricular contendo progestágeno, com ou sem eCG e com ou sem desmame temporário por 54 horas.

Com o objetivo de diminuir o número de vezes (4 vezes) que os animais são manejados no protocolo de sincronização para IATF que emprega Crestar reutilizado, Ayres et al. (2006a) realizaram estudo para avaliar o efeito da substituição do BE 24 horas após a retirada do Crestar (4 manejos para IATF) pelo CE (Cipionato de estradiol) no momento da retirada (3 manejos para IATF). Um total de 361 vacas Nelore (60-75 dias pós-parto) receberam um Crestar previamente utilizado associado a 2mg de BE no Dia 0. No Dia 8, realizou-se a remoção do Crestar, a administração de uma dose de prostaglandina e de eCG. A partir deste momento, as fêmeas foram distribuídas homogeneamente em três grupos: Grupo 1mgBE (n=122), administração de 1 mg de BE, i.m. 24 horas após a remoção do Crestar, Grupo 0,5mg CE (n=120) ou Grupo 1mgCE (n=119), administração de 0,5 ou 1mg de CE i.m. (ECPâ) no momento da retirada do Crestar, respectivamente. As fêmeas foram inseminadas em tempo fixo (IATF) 52 a 56 horas após a remoção do Crestar. Os resultados estão apresentados na tabela 8.
Tabela 8 – Efeito da administração de Cipionato de estradiol (0,5 ou 1,0mg) no momento da retirada do implante ou de BE (1mg) 24h após, como indutores de ovulação, na taxa de concepção à IATF em vacas Nelore (Bos indicus) tratadas com Crestar.

Este resultado é indicativo que o Cipionato de estradiol na dose de 1mg pode ser utilizado como indutor de ovulação em programas de IATF em vacas Nelore e possibilita a redução do número de vezes que os animais necessitam ser manejados (de 4 para 3 vezes). Também, facilita a administração de Cipionato de estradiol pelo maior volume de fármaco utilizado (0,5ml), sem comprometer a eficiência do tratamento de sincronização.
Intervalo entre a retirada da fonte de progesterona/progestágeno e a IATF
Na tentativa de melhorar o manejo da IATF, Ayres et al. (2006bc) objetivaram estudar o efeito do momento da inseminação artificial (manhã vs tarde) em vacas de corte lactantes. Utilizaram-se 274 vacas lactantes (Bos indicus e Bos indicus x Bos taurus) com período pós-parto entre 40 e 65 dias. No Dia 0, os animais receberam 5 mg de Valerato de estradiol (i.m.) e um Crestarâ. No Dia 9, o implante foi removido e foram administradas 400 UI de eCG. A partir deste momento, os animais foram divididos homogeneamente em dois grupos: O Grupo IA48 (n=142) as fêmeas foram inseminadas 48 horas após a remoção do implante e o Grupo IA56 (n=132) inseminadas 54 horas após a remoção do implante (tabela 4).
Com o mesmo intuito do experimento anterior foi realizado outro estudo (Ayres et al., 2006c) com 277 vacas lactantes (Bos indicus e Bos indicus x Bos taurus) com o mesmo período pós-parto do experimento anterior. No Dia 0, os animais receberam 2 mg de Benzoato de estradiol e um Crestar previamente utilizado por 9 dias. No Dia 8, o implante foi removido e foram administradas 400 UI de eCG, 1,0 mg de Cipionato de Estradiol e uma dose de prostaglandina. A partir deste momento, os animais foram divididos homogeneamente em dois grupos, inseminados 48 horas após a remoção do implante (n=136) ou 54 horas (n=136; tabela 4).
Tabela 8 – Taxa de concepção em vacas sincronizadas com Crestar e Valerato ou Benzoato de estradiol, de acordo com o momento da inseminação artificial em tempo fixo (48 ou 54h da retirada do implante).

Os resultados são indicativos de que tanto a inseminação artificial 48 quanto 54 h da retirada do implante apresentam semelhantes taxas de concepção á IATF em protocolos com Crestar associado ao Benzoato de Estradiol ou ao Valerato de estradiol no dia 0.
Inseminação artificial em tempo fixo com sêmen sexado em Bos indicus
Em uma revisão feita por Seidel et al. (1999), novilhas de corte cruzadas quando inseminadas com sêmen sexado apresentaram taxas de concepção na ordem de 40%. O resultado foi inferior aos resultados obtidos com o uso do sêmen convencional (75%). Nessa mesma revisão foi apresentado um segundo estudo com maior número de novilhas cruzadas (n=207), as quais foram divididas nos seguintes grupos experimentais: 1) Sêmen sexado – IA no corpo uterino (1.5x106 esptz/dose), 2) Sêmen sexado – IA no corno uterino (1.5x106 esptz/dose), 3) Sêmen convencional – IA no corpo uterino (20x106 esptz/dose). As taxas de concepção foram de 40%a, 62%b e 51%a,b para os grupos 1, 2 e 3, respectivamente. Estes resultados indicam que quando a dose de sêmen sexado é baixa (≤ 1.5x106 esptz/dose) a deposição do sêmen profundamente no corno uterino parece apresentar melhores resultados que a inseminação no corpo do útero.
No entanto, esse autor ainda descreve em um terceiro experimento (n=122), feito com novilhas Angus, no qual as taxas de concepção para os seguintes grupos: 1) Sêmen sexado – IA no corpo uterino (1.0x106 esptz/dose), 2) Sêmen sexado – IA no corpo uterino (3.0x106 esptz/dose), 3) Sêmen convencional – IA no corpo uterino (20x106 esptz/dose), foram similares e, respectivamente, de 59%, 53% e 57%.
O uso de sêmen sexado em vacas de corte no pós-parto não foi muito explorado cientificamente, sendo que a maioria dos artigos utilizou pequeno número de vacas por tratamento, tornando os resultados pouco conclusivos. Um experimento realizado por Doyle et al. (1999) em vacas Angus lactantes (n=212) comparou os seguintes tratamentos: 1) Controle A – sêmen convencional congelado (40x106 esptz/dose); 2) Controle B – sêmen convencional congelado com baixa dose (1x106 esptz/dose); 3) Sêmen sexado congelado (1 X 106 esptz/dose); e 4) Sêmen sexado refrigerado (5x105 sptz/dose). O sêmen para o primeiro tratamento foi colocado no corpo do útero; para os outros tratamentos, metade do sêmen foi colocado em cada corno uterino. Os resultados de prenhez foram menores para os grupos que receberam inseminação com sêmen sexado (Sexado congelado= 23%; Sexado refrigerado=25%) quando comparado aos grupos que receberam sêmen convencional (Convencional=67%; Convencional baixa dose=49%).
Atualmente, são raras as publicações que tentam relacionar taxas de concepção após o uso de sêmen sexado em vacas de corte e de leite sincronizadas e inseminadas em tempo fixo. Porém, é sabido que uma das possíveis razões da diminuição dos índices de fertilidade após o uso de sêmen sexado é o menor tempo de viabilidade, associado com diferentes padrões de motilidade espermática (Schenk et al., 2006). Alguns autores relataram que o sêmen sexado necessita de menor tempo para a capacitação devido ao processo de separação por citometria de fluxo (Lu et al., 2004). Uma das possibilidades de diminuir a variação do momento da ovulação é o emprego de técnicas de sincronização, o que poderia colaborar na eficiência de programas de inseminação artificial com sêmen sexado. Vacas de corte e de leite sincronizadas com progestágenos e estradiol, ovulam cerca de 70-72h após a retirada dos implantes.
Baseado nesses princípios, nosso grupo de pesquisa realizou um experimento em vacas Nelore (Bos indicus), no qual a inseminação foi realizada em tempo fixo com o sêmen convencional (40x106 esptz/dose) ou com sêmen sexado (2.1x106 esptz/dose) em 2 horários: 54h (16-18 horas antes da ovulação) ou 60h (10-12 horas antes da ovulação) após retirada do implante de progestágeno. Nossa hipótese era de que a IATF próxima à ovulação aumentaria a taxa de concepção do sêmen sexado (Baruselli et al., 2007). Isso devido a dose de sêmen sexado possuir menor concentração, além de indícios de que apresenta menor tempo de viabilidade e menor tempo para capacitação no trato reprodutivo.
Nesse experimento, o sêmen foi preparado levando em consideração cada ejaculado. No laboratório, os ejaculados foram divididos, e parte foi destinada para congelamento tradicional e parte para o processo de sexagem e posterior congelamento.
Foram utilizadas 389 vacas Nelore recém paridas (em média 45 dias pós-parto) como unidades experimentais. Os resultados foram indicativos de que não existem diferenças na taxa de concepção quando a IATF com sêmen sexado foi realizada 60 horas após a retirado do implante de progestágeno, confirmando a hipótese inicial desse experimento (Figura 2). Além disso, também foi constatado que não houve diferença na taxa de concepção entre o uso do sêmen convencional (58,9%), sexado-X (52,0%) e sexado-Y (49,0%), indicando eficiência semelhante para o sêmen sexado para macho e para fêmea. Os resultados da sexagem fetal apontaram 93,9% de eficiência para determinação do sexo. Apesar de não ter sido verificada diferença estatisticamente significativa, o atraso na IATF aumentou 9,0% a taxa de concepção no grupo de animais inseminados com o sêmen sexado.

Figura 2. Efeito do momento da IA (54h ou 60h após a retirada do implante de progestágeno) e do tipo de sêmen (convencional ou sexado) na taxa de concepção após IATF em vacas Nelore (Bos indicus) no pós-parto.
CONCLUSÃO
Inúmeras vantagens são obtidas com a adoção da inseminação artificial em rebanhos bovino. No entanto a baixa taxa de serviço, seja pela ineficiência na detecção do cio ou pelo alto grau de anestro no período pós parto são os principais fatores que comprometem a eficiência de programas para o emprego dessa biotecnologia. Dessa forma a inseminação artificial em tempo fixo apresenta-se uma alternativa para superar esses entraves. Há inúmeros protocolos para sincronizar a ovulação com o objetivo de realizar a inseminação artificial em tempo fixo. A escolha do protocolo mais apropriado depende da avaliação técnica das condições dos animais a serem inseminados.
Quando a IATF é utilizada adequadamente, aproximadamente 50% das fêmeas sincronizadas emprenham com apenas uma inseminação realizada no período pós-parto precoce (entre 40 e 60 dias). Os animais que não conceberem nessa inseminação podem ser novamente sincronizados, submetidos a observação de cio ou colocados com touros para repasse. Além disso, as vacas tratadas com progesterona/progestágenos que não se tornaram gestantes apresentam maior taxa de serviço (aumenta o número de vacas que manifestam cio) e de prenhez durante a estação de monta que vacas não tratadas, antecipando a concepção e aumentando a eficiência reprodutiva do rebanho. Dessa forma, a inseminação artificial em tempo fixo é uma técnica que facilita o manejo e aumenta a eficiência da IA em bovinos de corte.
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