"É possível planejar em meio a crises", por Eduardo Diniz, Equipe ReHAgro. Leia aqui.
Artigos Técnicos
Publicado em 05/07/2007 por Eduardo Diniz, graduando em Agronomia, estagiário Equipe ReHAgro

Quem de nós nunca ouviu que não há ajuda governamental suficiente para a agropecuária? Que em outras épocas trabalhar com o agronegócio era bem mais fácil e rentável?

Nos tempos atuais, devido às grandes mudanças ocorridas no mercado e na economia mundial, surge a necessidade de que as empresas profissionalizem a sua maneira de atuar, investindo de forma planejada, conhecendo profundamente seu ramo de atuação e procurando um maior comprometimento daquelas pessoas envolvidas com os processos produtivos.

Quando focamos o raciocínio no meio rural, enxergamos que muitas fazendas vêm sofrendo gravemente os efeitos destas transformações do mercado. Muitas fecharam as portas, algumas se encontram a beira da falência. Frente a este contexto enxergamos a necessidade de agir de maneira consciente, atuando na forma de gestão destas. Para tanto tentaremos a seguir sugerir algumas dicas de ações que poderão auxiliar o processo de retomada do sucesso da atividade.

Inicialmente, é necessário saber como anda a saúde financeira do empreendimento. De nada adianta sonhar com grandes resultados no futuro se as finanças atuais levam ao fundo do poço antes mesmo do início do trabalho de “alavancagem” do negócio. Ao saber como está o fluxo de caixa atual e todas as contas a pagar e a receber, é possível obter uma primeira análise da atual situação financeira. Ela mostrará a necessidade de obter recursos a curto prazo ou o “capital de giro” disponível. Nessa fase, não iremos enxergar se a atividade é ou não rentável. Uma vez certos que conseguiremos pagar as contas num primeiro momento, torna-se prático iniciar uma visão do empreendimento a longo prazo. 

Onde se quer chegar? Embora pareça simples, o sucesso futuro da empresa dependerá muito dessa resposta.  É hora de gastar tanto tempo quanto for necessário para sair desta fase convicto de qual é o objetivo final do sistema de produção. Deste modo, muitos recursos serão certamente melhor direcionados. É interessante lembrar que ao parar para planejar, é comum sentir uma desconfortável sensação de tempo perdido em meio a tantas tarefas a serem executadas. No entanto, deve-se entender que viver sempre “apagando fogo” jamais conseguirá preveni-lo.

Ao saber onde se quer chegar torna-se mais simples estruturar os próximos  passos a serem dados na gestão da propriedade. Montemos então um planejamento macro onde estarão previstas as atividades a serem realizadas durante os meses do ano. Com ele teremos uma visão de todas as atividades ordenadas de acordo com o seu mês de execução. Assim poderemos buscar, em tempo hábil, uma quantidade maior de informações a respeito das tarefas desempenhadas na propriedade e ainda prever de forma mais acertada as variações de fluxo de caixa ao longo do ano.

Existem formas muito práticas de organização do tempo que podem auxiliar bastante na organização das funções dentro da propriedade. Se iniciarmos por listar as tarefas desempenhadas por cada funcionário ao longo do mês, da semana, do dia, poderemos criar uma rotina de trabalho inteligente, onde cada um terá suas funções bem definidas e certamente ganharemos em eficiência nos processos. Muitas vezes, acreditamos que nossas tarefas diárias são mais esporádicas do que corriqueiras e que organizar nosso tempo é tarefa impossível. Se isto realmente estiver acontecendo talvez seja a hora de refletir se não somos os primeiros a termos que organizar nosso tempo. 

Estaremos assim agindo de forma inteligente, prevenindo ao invés de remediar. Os ganhos são facilmente medidos ainda na motivação e comprometimento da equipe, que saberá onde se quer chegar e ainda nos ajuda a planejar suas tarefas, de modo que ganhemos todos em eficiência do uso do tempo.

Importante ressaltar que não existem fórmulas para enfrentar as crises, cada propriedade possui a sua realidade particular e deve ser encarada como tal. No entanto, cabe a nós decidir entre nos lamentar recordando dos tempos de “vacas gordas” sendo engolidos pelas dificuldades atuais, ou buscar alternativas para nos adequarmos às crises e produzirmos de maneira mais eficiente.

Texto revisado e corrigido por Marcelo Cabral, médico veterinário, coordenador de Recursos Humanos do ReHAgro.


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