Como o mercado agropecuário funciona ?
A cadeia dos produtos agropecuários quase sempre funciona em três segmentos: produção primária (produtores), indústria (frigoríficos, laticínios) e a distribuição (supermercados).
Esses três segmentos influenciam o mercado de acordo com a estrutura concorrencial que interferem entre eles, podendo agir com uma concorrência de forma quase perfeita ou imperfeita.
A concorrência quase perfeita é o que acontece com a maioria dos produtores, em que, para fazer parte deste sistema só é preciso investir um capital e vender o produto produzido, não existindo nenhuma pressão dos outros concorrentes para entrar na atividade.
Já no caso da concorrência imperfeita, existe uma pressão muito forte dos concorrentes para entrar no mercado e que muitas vezes resulta em grandes concentrações do mercado.
A importância e grande preocupação de todos envolvidos no setor primário da cadeia (produtores e técnicos) é que cada vez mais as indústrias (frigoríficos laticínios) e os distribuidores têm migrado para participar dos mercados de concorrência imperfeita. Um exemplo recente foi a aquisição da SWIFT (maior frigorífico americano) pelo frigorífico Friboi, tornando assim o maior frigorífico mundial, concentrando ainda mais um setor que já está na mão de poucos.
A preocupação se torna ainda maior se pensarmos que o que rege o mercado quase perfeito (produtores) é a oferta e demanda de produtos e já estamos cansados de viver isto no dia a dia. Um bom exemplo disto é o grande reajuste no preço do litro de leite, que faz com que muitos produtores aumentem a sua produção ou até mesmo novos produtores entre no sistema. Como não há nenhum impedimento da entrada de novos produtores no sistema, a tendência é que a produção aumente e o preço recebido caia novamente.
Esta preocupação se torna ainda maior quando ficamos sabendo que o setor industrial, cada vez mais concentrado e profissional, se tornam também produtores, interferindo também na oferta dos produtos. Para ficar mais claro é só refletirmos porque os grandes frigoríficos do Brasil montaram grandes projetos de confinamento. Com esses confinamentos, os frigoríficos conseguem no período da entressafra (época de falta de animais e conseqüentemente pressão para aumento dos preços), colocar animais na linha de abate e alongar as escalas, pressionando então os preços para baixo.
Com essa conquista cada vez maior dos frigoríficos no mercado imperfeito, estes conseguem colocar seus preços calculando uma margem de lucro sobre os custos de produção, enquanto os produtores conseguem apenas interferir nos seus custos de produção, pois quem manda no preço de venda dos seus produtos é a lei da oferta e demanda.
Isto tudo mostra mais uma vez a importância da gestão nas fazendas de hoje e a constante simulação dos cenários futuros da atividade envolvida. Um fluxo de caixa bem implementado com um orçamento da propriedade é imprescindível para somar força a novas ferramentas usadas (mercado futuro, CPR, mercado de opções). Isto ajuda a responder a dúvida que temos quando visitamos algumas regiões e observamos produtores desanimados vendendo suas terras, dividindo cerca com produtores animados expandindo suas áreas.
A diferença está na gestão e na capacidade de enxergar o cenário futuro da atividade, pois enquanto alguns produtores têm seus custos de produção sendo calculados e trabalham cada vez mais para baixar estes e ainda utilizam ferramentas de assegurar preços futuros de seu produto (café, milho e boi gordo principalmente), outros ainda agem pelo achismo ou feeling.