Um dos grandes desafios da agricultura é produzir alimentos para minimizar o problema da fome de uma população em constante crescimento no mundo. Estima-se para 2050 uma população de 9,2 bilhões de habitantes. Na busca por altas produtividades e eficiência na produção de alimentos deparamos com problemas de ordem climática (veranicos, geadas, vendavais, granizos), técnica (erosão, compactação, deficiência mineral, pragas, doenças, plantas daninhas) e humana (mão-de-obra qualificada). No que diz respeito aos aspectos técnicos de produção acredita-se que um grande avanço na melhoraria da produtividade seja a oportunidade de cultivar plantas transgênicas no Brasil.
As plantas transgênicas (organismos geneticamente modificados) consistem em plantas de interesse econômico (soja, milho, algodão, tomate e outras) que tem inserido em sua constituição genética o gene de outro organismo que pode ser outra planta, um microrganismo ou um animal, de tal forma que esse gene vai lhe conferir uma característica de resistência ou tolerância a algum fator de estresse que melhora sua performance e, conseqüentemente, reflete em aumento da produtividade e proteção do meio ambiente e da saúde do trabalhador e do consumidor de alimentos.
No Brasil, atualmente, nós temos algumas tecnologias disponíveis ao produtor, tais como a soja tolerante ao herbicida glifosato usado para dessecação em pré e pós-plantio e o algodão Bt (Bacillus thuringiensis) resistente as lagartas: curuquerê (Alabama argillacea), lagarta-das-maças (Heliothis virescens) e lagarta-rosada (Pectinophora gossyopiella).
Recentemente, foi aprovado pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) a liberação do milho Bt, resistente a lagartas: lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), Broca-da-cana (Diatraea saccharalis) e lagarta-da-espiga (Heliothis virescens) e em breve deverá estar disponível para plantio, provavelmente, já na safra 2008. Acredita-se que a adoção dessa tecnologia deverá minimizar os gastos com inseticidas e otimizar a produção de milho em função da redução dos danos diretos (desfolha, tombamento, redução no estande) e indiretos (micotoxinas, doenças, grãos ardidos) causados por essas pragas.
No entanto, em outros países como EUA, Argentina, China e União Européia, outras tecnologias já estão disponíveis ou em vias de lançamento o que gera grande expectativa para sua aprovação no Brasil. Dentre essas novas tecnologias destacam-se:
- Milho com tolerância ao estresse hídrico o que permite estabilidade de produtividade em condições de baixa disponibilidade de água e pode oferecer potencial para redução de custos com irrigação em regiões sujeitas a veranico e menor impacto de estresse hídrico na planta. Essa tecnologia que estará disponível para o produtor americano nos próximos anos é muito promissora para regiões quentes do Brasil e com déficit hídrico, como norte de Minas Gerais e Nordeste do Brasil.
- Milho com melhor utilização do nitrogênio, possibilitando aumento de produtividade em condições normais de disponibilidade de N e estabilidade de produtividade em baixa concentração de N. Assim, a planta apresenta mecanismos para desenvolvimento num ambiente com pouco nitrogênio disponível, possibilitando o plantio do milho em áreas marginais em termos de fertilidade do solo com menor investimento em adubação nitrogenada;
- Milho Bt resistente às lagartas e a larva alfinete (Diabrotica speciosa) e tolerante ao herbicida glifosato, apresentando três tecnologias na mesma planta. Essa tecnologia já está disponível para o produtor americano, sendo que em 2007 já foi plantado em 600 mil ha;
- Soja resistente à ferrugem da soja, doença limitante para a cultura e que exige um grande número de aplicações de fungicida por safra. Essa tecnologia está em fase de estudo nos EUA;
- Soja Bt resistente à lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e tolerante ao herbicida glifosato, apresentando duas tecnologias numa mesma planta. Essa tecnologia está sendo estudada para o Brasil, mas já está disponível ao produtor americano.
Essas tecnologias estão voltadas, principalmente, para melhorar a eficiência de produção em sintonia com a preservação ambiental e proteção da saúde humana. No entanto, há uma tendência atual para o desenvolvimento de alimentos mais saudáveis, como por exemplo:
- Soja com menor teor de ácido linoléico (óleo hidrogenado e gordura trans) e, portanto, mais saudável para o consumo, plantado já em 1 milhão de hectares nos EUA;
- Óleo de soja enriquecido com de Omega-3 (gene extraído de algas do mar) muito apreciado pelo consumidor em função do benefício que traz à saúde;
- Soja com alto teor de óleo (3 a 5 % de incremento) sem perda de proteína e produtividade, destinado ao mercado de óleo vegetal e biodiesel;
- Milho com alta taxa de fermentação (2 a 4% mais etanol por unidade peso), lançado em 2002 nos EUA;
- Milho de alto valor nutritivo com maiores índices de lisina e óleo, apresentando um produto final com maior valor agregado, destinado para indústria de alimentos. Está em fase de pré-lançamento e será introduzido em 4000 ha na safra 2008;
Assim, essa atual geração de plantas transgênicas tem como objetivo a produção de alimentos mais saudáveis ou com melhor aproveitamento dos grãos.
Espera-se para as próximas gerações de plantas transgênicas a expressão de características como: insulina, vitaminas e antibióticos que possam atuar contra as principais doenças, iniciando uma nova geração de plantas transgênicas que funcionariam como remédios naturais.
Dessa forma, são inúmeras as possibilidades de adoção de novas tecnologias para produção mais eficiente de alimentos, no entanto, temos que estar abertos a uso da biotecnologia para acompanharmos essas constantes transformações tecnológicas e termos competitividade no mercado internacional.