*Artigo revisado e corrigido por Felipe Abrantes Cury, medico veterinário, coordenador de custos do ReHAgro e Sérgio Veiga, médico veterinário, Equipe Assistência Técnica Leite do ReHAgro.
Hoje, mais do que nunca, percebe-se o efeito da globalização em nosso dia-a-dia, evidenciado principalmente no momento em que falamos na gestão financeira das empresas. No meio rural, isto não é diferente. Podemos ver as marcas de tal transformação, na redução da margem do produtor, no sucateamento de muitas propriedades e na quantidade de fazendas que fecharam suas porteiras, pois não acompanharam as constantes mudanças impostas pelo mercado. Um exemplo pode ser observado na relação de troca entre produto e insumo que teve uma grande redução nos últimos anos. Isso impõe ao produtor gerenciar de maneira mais eficiente a sua empresa.
No setor agropecuário, existem dois grandes segmentos de empresas, os fornecedores de insumos e os compradores/processadores da matéria-prima. Esses segmentos formaram, nos últimos anos, grandes oligopólios altamente capitalizados, o que reduziu o poder dos produtores de negociarem a compra dos insumos e a venda de seus produtos. Por isso, cada vez mais se torna necessário que produtores abandonem a posição de sitiantes e passem a adotar atitudes de empresários, implantando medidas de gestão em suas fazendas.
A gestão de custos é uma ótima saída para mostrar ao empresário, o que anda acontecendo com a fazenda, onde e como estão sendo empregados todos os recursos alocados na atividade. A utilização dos centros de custos permite ao empresário visualizar com exatidão onde os recursos utilizados na produção estão sendo alocados.
Centro de custo é uma unidade mínima de produção na qual acumulam-se os custos, ocorridos dentro desta unidade. Para posterior alocação aos produtos, ou seja, subsistemas interligados entre si. Podem ser feitos tantos quantos forem a necessidade de detalhamento. Em cada centro de custo são computadas as despesas operacionais, além do capital imobilizado.
Atualmente, a metodologia utilizada pelo ReHAgro divide os centros de custos em quatro grandes grupos: produtivos, de serviços, administrativos e demonstrativos financeiros. Os centros de custos produtivos são aqueles diretamente envolvidos na produção, geram produtos que podem ser comercializados, tais como, produção de leite, café, milho, soja, carne e outros. Tendo a finalidade de apurar o custo por unidade produzida (R$/litro de leite, R$/@, R$/saca).
Os tratores, veículos, oficina, fábrica de ração, cantina entre outras atividades, que prestam serviços para as demais atividades, são considerados centros de custos de serviços. As informações individualizadas possibilitam apurarmos os custos de hora máquina, km rodado e etc, permitindo a comparação entre o custo da hora máquina da fazenda e o custo da hora alugada de uma mesma máquina.
Os centros de custos administrativos são aqueles que compreendem as despesas gerais dos demais centros de custos. A sua função é possibilitar o rateio das despesas gerais administrativas para todas as outras atividades. Por exemplo, o salário do gerente da fazenda deve ser dividido para todas as atividades da empresa.
Os centros de custos demonstrativos financeiros têm como objetivo identificar e separar as despesas não relacionadas às atividades produtivas, por exemplo, os gastos realizados pela sede da fazenda.
Através desta metodologia, pode-se analisar cada centro de custo individualmente, ou seja, a sua produção de forragem pode estar ineficiente, levando-se a pensar que toda atividade leiteira está sendo inviável.
Tentarei exemplificar um pouco mais. Em uma fazenda A, o leite custa R$0,52 para ser produzido, já na fazenda B este custo é de R$0,55, ambas fazendas tem um sistema de produção idênticos, com o mesmo número de vaca em lactação, média diária, etc. Na A, a silagem representou R$0,10 no custo do leite, já em B R$0,07. Através do centro de custo silagem, pode-se rastrear onde esta sendo ineficiente a propriedade B e buscar alternativas para solucionar tal gargalo.
Existem duas maneiras de aumentarmos a receita em uma empresa, aumentando a margem de lucro ou aumentando a produtividade. Em mercados competitivos, como o agropecuário, é difícil mexer na margem, resta-nos sermos eficientes. Ser eficiente significa saber até quanto posso reduzir o custo de um determinado centro de custo, que ainda obterei bom desempenho. A comparação dos resultados obtidos com resultados anteriores da própria fazenda e, se possível, de outras propriedades, permite avaliar o desempenho de cada centro de custo. De acordo com Marques (1999), a unidade de produção pode ter, na eficiência produtiva, a condição necessária para a sobrevivência e o crescimento dentro da economia de mercado.
Cabe ressaltar que o nível de detalhamento das informações e a confiabilidade dos dados está diretamente ligado ao envolvimento de todos os funcionários. As anotações de campo devem ser claras e coesas e os lançamentos de dados nas planilhas devem ser feitos com bastante atenção. Nada que um bom treinamento não resolva.
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