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Perspectivas de utilização do Sêmen Sexado no Brasil
Em sistemas de produção de leite, poder alterar o sexo das crias em favor de fêmeas sempre foi uma busca dos produtores. Até recentemente, a única opção era a sexagem de embriões. Entretanto, nos últimos anos, foi desenvolvida a técnica de sexagem de espermatozóides, possibilitando o seu uso na inseminação artificial.
Em 1987, Larry Johnson apresentou um método para separar os espermatozóides baseado no conteúdo de DNA. A técnica utiliza um corante fluorescente que adere ao DNA. O cromossomo bovino X contém 3,8% mais DNA do que o cromossomo Y. Os espermatozóides são corados e passam em um aparelho capaz de separar as células de acordo com o grau de fluorescência e são selecionados os espermatozóides com o cromossomo X ou Y. Os espermatozóides que possuem o cromossomo Y darão origem a machos e aqueles com cromossomo X darão origem às fêmeas. Atualmente, a técnica alcança um índice de acerto de 95% na separação dos espermatozóides.
Entretanto, existem duas limitações associadas à tecnologia da utilização de sêmen sexado. Primeiro, o processo é muito lento, uma máquina produz apenas 150 a 200 doses de sêmen sexado por dia. Somente nos Estados Unidos, são utilizadas 44.000 doses de sêmen por dia em vacas de leite. No Brasil, são utilizados por volta de 8.000 doses de sêmen de raças leiteiras por dia. Ainda no processo de separação, ocorrem danos aos espermatozóides e 70% dos espermatozóides não são separados devido a danos ou falta de distinção, aumentando os custos do produto final. O segundo problema associado à utilização de sêmen sexado são taxas de concepção menores em relação ao sêmen não sexado. Trabalhos realizados nos Estados Unidos obtiveram resultados de taxa de concepção em novilhas com sêmen sexado de 35% contra 55% para sêmen não sexado.
Diante dessa nova tecnologia podemos tomar 3 atitudes diferentes. Primeira, podemos esperar que os pesquisadores em biologia da reprodução mudem consideravelmente o método e forneçam sêmen sexado com taxa de concepção comparada ao não sexado e produzam milhares de doses todos os dias. Segunda, as limitações podem ser ignoradas e o sêmen sexado ser utilizado da mesma forma que o convencional. Certamente falharemos, pois os custos agregados ao uso indiscriminado dessa tecnologia seriam muito altos. Por fim, podemos reconhecer as limitações atuais e buscar alternativas de utilização adequadas ao sêmen sexado.
Algumas estratégias têm sido sugeridas na utilização de sêmen sexado para aumentar a possibilidade de utilização, com alto custo benefício. Uma das estratégias é utilizar o sêmen sexado no primeiro serviço de novilhas virgens, seguido de sêmen não sexado nos serviços seguintes, devido às menores taxas de concepção. Esse método tem alcançado 62% de fêmeas nos nascimentos no primeiro parto. Outro meio de aumentar a eficiência é a utilização de sêmen sexado na fertilização in vitro. Na média, é recomendada a utilização de 2 milhões de espermatozóides para inseminar uma novilha. Por outro lado, são necessários por volta de 100 mil espermatozóides para fertilizar 100 oócitos in vitro. Resultados de pesquisas norte-americanas mostram taxas de concepção para embriões produzidos in vitro implantados em vacas de 18% e para novilhas de 40%. Portanto, a utilização de vacas de alta produção como receptoras nos levam a índices que são economicamente inviáveis. O mais recomendado seria a utilização em novilhas, mas existe o risco de aumento de distocias, embora mais raro, caso as bezerras produzidas in vitro sejam muito grandes. Isso reduziria o problema da velocidade e quantidade de espermatozóides obtidos no processo de sexagem.
A tecnologia de utilização do sêmen sexado já está disponível, são necessárias pesquisas para que possamos encontrar formas de utilização que sejam viáveis nas condições brasileiras. Sem dúvida, é mais uma ferramenta que produtores e técnicos dispõem para aumentar a eficiência de seus sistemas. Assim como todas as outras ferramentas, o resultado alcançado depende do seu bom uso.
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