"Somatotropina Recombinante: Uma ferramenta para aumento da eficiência produtiva". Leia aqui!
Artigos Técnicos
Publicado em 07/01/2008 por Betânia Glória Campos – Médica Veterinária – Mestranda em Zootecnia, area de Produção Animal, Escola de Veterinária UFMG.

No Brasil, a cada dia produzir leite se torna um desafio maior, devido a diminuição das margens de lucro por unidade de produto (R$/L), exigindo assim maior eficiência na produção e profissionalismo da atividade. De maneira simplificada existem duas formas de aumentar o lucro, reduzir custos de produção ou aumentar a produção de leite, uma vez que não podemos ditar os preços do produto ao mercado. Para aumentar a produção de leite podemos optar por dois caminhos, aumentar o número de animais em lactação ou aumentar a produção por animal. O aumento de produção por animal pode ser resultado de melhores condições oferecidas ao rebanho como conforto e alimentação, melhoramento genético entre outros ou uso de tecnologias como, por exemplo, a somatotropina bovina ou BSTr.

O BSTr é umas das principais biotecnologias difundidas e utilizadas em todo o mundo devido a sua comprovada capacidade em promover aumentos significativos na produção de leite, aumento da eficiência produtiva de vacas leiteiras e por conseqüência maior retorno econômico, sem efeitos adversos à saúde animal e humana.

O BSTr não faz milagres, simplesmente age direcionando os nutrientes disponíveis no organismo animal para glândula mamária, ou seja para produção de leite. Na ausência de nutrientes disponíveis, não haverá resposta em produção com o uso do BST, fato bastante comprovado pela literatura apontando o manejo da fazenda como um dos fatores de maior importância afetando a magnitude da resposta em produção de leite. Talvez por isso o uso desta tecnologia esteja associado a rebanhos de alta produção, onde o próprio sistema é mais exigente com relação a  um manejo de melhor qualidade. Mas ao contrário deste paradigma, existem trabalhos apontando boa resposta produtiva em animais mestiços (europeu x zebuínos) ressaltando mais uma vez que o fator de maior importância é o manejo e não o nível de produção animal.

Respostas em aumento na produção de leite da ordem de 10 a 15% são mais frequentemente encontradas, embora respostas mais elevadas já tenham sido citadas. A variação nestas respostas pode ser atribuída a fatores como; dosagem utilizada, manejo nutricional, status nutricional do animal, dias em lactação (DEL), ordem de lactação (número de partos) e manejo geral, além de uma variação individual entre os animais.

É importante salientar que a utilização de BSTr pode ser rentável ou não em diferentes situações. É necessário avaliar o lucro anual adicional para inserção da tecnologia no manejo da propriedade, pois a utilização descontínua, como se faz com alguns insumos alimentares, não explora ao máximo o potencial produtivo desta tecnologia. Devemos considerar os seguintes fatores no cálculo da viabilidade da utilização do BSTr: o aumento na produção de leite médio/vaca/dia, o preço do leite recebido, o aumento de consumo de alimento pelo animal em resposta ao aumento da produção de leite (R$/kg de matéria seca) e o preço do  produto (dose de BSTr). 

A somatotropina ou também conhecida como hormônio do crescimento, é um hormônio protéico produzido naturalmente pelo próprio organismo, sintetizada e secretada pela glândula hipófise anterior, animal e humana. Os produtos comerciais disponíveis no mercado são provenientes de moléculas sintéticas de somatotropina, produzidas pela técnica do DNA recombinante. O produto desta técnica é conhecido como somatotropina bovina recombinante ou BSTr.

No início da lactação as concentrações de somatotropina endógena, ou seja produzidas pelo próprio animal, aumentam de forma significativa, com o objetivo de sincronizar as alterações dos vários tecidos do animal priorizando a lactação, já que a produção de leite está aumentando e o aumento na ingestão de alimento não acontece na mesma proporção. O mecanismo de ação da somatotropina envolve uma série de arranjos no metabolismo do tecido animal, como fígado, músculos e tecido adiposo, alterando a partição de nutrientes e direcionando maior proporção destes nutrientes a glândula mamária para síntese de leite. Estes ajustes resultam em menor utilização da glicose pelos tecidos periféricos deixando mais glicose para síntese de lactose pela glândula, aumentando a predisposição da vaca em mobilizar suas reservas corporais para atender a demanda de requerimentos. Esta mobilização de reservas acontece quando a ingestão de alimento é menor que a demanda, tanto pelo baixo consumo voluntário pelo animal quanto pela baixa oferta de alimento ao animal. A somatotropina age na glândula mamária mediada por IGF-1, aumentando a capacidade de síntese de leite e a manutenção das células secretoras de leite. Por isso vacas recebendo tratamento com BST aumentam a produção de leite e a persistência de lactação. (Exemplo figura abaixo).

Portanto a resposta em aumento na produção de leite é mediada por IGF-1 e as concentrações deste hormônio estão relacionadas ao balanço energético do animal. Vacas em balanço energético negativo possuem níveis baixos de IGF-1 mesmo em presença de altas concentrações de somatotropina, já vacas em balanço energético positivo aumentam proporcionalmente suas concentrações de IGF-1, com o aumento das concentrações de somatotropina. Isto explica porque não há resposta ao uso do BSTr em vacas magras, mal alimentadas ou em início de lactação, onde normalmente o balanço energético ainda é negativo. Foi observado que vacas de alta produção possuem naturalmente concentrações maiores de somatotropina endógena, ou produzida pelo organismo, que vacas de baixa produção. Portanto o objetivo do tratamento dos animais com BSTr é somar-se à somatotropina endógena aumentando ainda mais os efeitos em produção de leite, tal como ocorre no melhoramento genético, porém de forma mais imediata.

O aumento da eficiência produtiva ocorre devido a melhor conversão do alimento em leite, uma vez que os requisitos nutricionais para mantença não se modificam, havendo então uma diluição dos custos de mantença animal. Mas atenção, ocorrerá sim um aumento de consumo de alimento, mas este será  proporcional ao aumento na produção de leite proporcionado pelo tratamento. Veja a figura abaixo:

A segurança para saúde pública e bem estar animal com o uso do BSTr foi amplamente avaliada por inúmeros trabalhos e pesquisadores, onde foi comprovado que o leite e também a carne provenientes de animais tratados com BSTr são seguros para o consumo humano. As concentrações de somatotropina observadas no leite são muito pequenas e independentes da dosagem recebida pelo animal, porém a ingestão de somatotropina ou BSTr não representa risco a saúde humana. Por ser um hormônio protéico, ele é totalmente degradado pelas enzimas digestivas, tal como a insulina, que pacientes devem recebê-la de forma injetável, caso contrário  não possui nenhum efeito. A composição do leite de animais em tratamento com BSTr não é alterada, a não ser quando estes estão em balanço energético negativo quando se observa um pequeno aumento na concentração de gordura. Alguns estudos demonstram que a aplicação de BSTr ocasionou um pequeno aumento nas concentrações de IGF-1 no leite. Porém este aumento foi menor do que a variação natural que ocorre entre animais não tratados durante a lactação.

No mercado brasileiro estão disponíveis formulações com 500 mg de somatotropina de liberação lenta. A indicação para início do tratamento é a partir da 9ª semana após o parto, com aplicações a intervalos de 14 dias em animais sadios e sob boas condições de manejo, principalmente nutricional. Porém a maioria dos trabalhos avaliando a resposta ao tratamento com BSTr foram realizados em rebanhos de origem européia. A conclusão destes trabalhos apontou a dosagem de 500 mg a cada 14 dias como o tratamento com o melhor desempenho produtivo e econômico. Porém com relação ao rebanho de origem zebuína e ou mestiços (europeu x zebu), existem poucos trabalhos avaliando a resposta a diferentes tratamentos. Com  relação a dosagem x resposta em produção de leite, alguns destes trabalhos não observaram alteração em produção de leite quando por exemplo, animais foram tratados com doses  de 250 mg  e 500 mg de somatotropina a intervalos de 14 dias. Partindo do princípio que o rebanho brasileiro é composto em sua maioria por animais mestiços (europeu x zebu), fica a pergunta: Será que estamos realmente sendo eficientes na utilização desta tecnologia ?


:: Comentários ::

rodrigo - 27/08/2009 20:49
Pesquisador

muito interessante
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Flavio - 13/09/2009 21:23
Produtor - Gado de Leite

É economicamente viável aplicar o BSTr em vacas com media de 9 litros/dia?
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wellington pamponet de sousa -
Consultor Técnico

Fazemos uso do Boostin em nosso rebanho, alimentamos com ração balanceada + cevada + bosstin. A ração é aplicada na base de 1/3, só que quando chega 10 dias o efeito esta passando e a produção cai assustadoramente, gostaria que analisasse com carinho e me enviasse um resposta urgente.
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Equipe ReHAgro - 27/10/2009 10:39
Consultor Técnico

Prezado Wellington, se o problema é a queda na produção de leite 10 dias após a aplicação do boostin isso pode ser devido à característica do próprio produto: pico maior e menor persistência, causando uma impressão de queda maior. É preciso observar também se não estão ocorrendo mudanças no manejo geral da fazenda nesses dias.
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Yamyn -
Estudante

Muito interessante mesmo esta técnica.
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christian luis -
Consultor Técnico

Prezado Wellington estou usando a mesma alimentação que você usa e faço a aplicação do boostin e esta ocorrendo a mesma coisa eles falam, a cada 14 dias. Só que na verdade só dão 10 dias no máximo e a queda de produção é de imediato, o aumento não da nem pra pagar a dose que aqui esta custando 21 reais. Será que compensa usar?
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Paulo Henrique -
Consultor Técnico

Como eu adquiro o BSTr e qual o preço? Porque eu estou com um problema na fazenda, tenho uma vaca que na lactação anterior dava 20kg dia, e tem 5 semanas que a lactação não passa dos 4 kg/dia. O que deve ter ocorrido? Será que o BSTr resolveria meu problema? Porque ela esta comendo bem e não esta produzindo. Fico grato se me responder.
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Fernando -
Produtor - Agricultura

É economicamente viável aplicar o BSTr em vacas com uma media de 10 litros/dia? E quanto sai o custo por animal?
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nando -
Produtor - Gado de Leite

É economicamente viável aplicar o BSTr em vacas com media de 10 litros/dia? Eu trato com silagem, pastagem e boas rações. Mas as vacas não têm boa raça.
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Felicio -
Produtor - Gado de Leite

Gostaria de saber quais os efeitos colaterais do uso do BSTr para a saúde do animal e de quem utiliza os derivados do leite?
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natydf3@yahoo.com. -
Consultor Técnico

Eu tenho uma vaca que perdeu 2 bicos do peito, como devo fazer para ela voltar o normal grata, Naty.
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Dr. Claudinei -
Consultor Técnico

Prezado Sr Nando, antes de utilizar essa tecnologia é importante que tenha em mente que somente o Boostin não vai fazer milagre, mas o que vai dar o resultado é o conjunto, dieta balanceada corretamente + tecnologia + genética, quando disse será que vale a pena utilizar em animais com média de produção com 10 litros/dia. Eu te pergunto: o Senhor essa produção é o potencial máximo do seu rebanho? ou será que não esta faltando dar uma verificada na dieta do rebanho, o que acontece muitas vezes é que não verificamos é que os produtores não consegue explorar o máximo do animal. Antes de utilizar Boostin deve consultar um técnico para avaliar a dieta do rebanho e após isso inicia o uso de Boostin. Agora em minha opinião não recomendo o uso de Boostin em animais com média abaixo de 15 kg/dia. Att Claudinei Att claudinei
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muniz -
Consultor Técnico

Ola, boa tarde. Eu gostaria de saber mais um pouco sob o Boostin porque eu tenho uma vaca que já me deu 50 litros por dia hoje me dar uns 12, será que consigo chegar próximo com o Boostin? E como faço e aplico para chegar lá? Desde já obrigado.
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luciene xavier -
Consultor Técnico

Essa injeção de Boostin é aplicada em qual local? Como se faz o uso dela?
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Eduardo - 21/07/2010 19:25
Produtor - Gado de Leite

Gostaria de saber o que devo usar para que possa aumentar a produção de leite do meu gado? Desde já agradeço!
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hugo -
Produtor - Gado de Leite

Como devo fazer a aplicação do Boostin? Desde já agradeço.
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FLÁVIO PEREIRA DE SOUSA -
Produtor - Gado de Leite

Como adquirir o produto?
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