*Saiba mais sobre o projeto UNILEITE aqui!
No intuito de atender à demanda que exige, a cada dia, produções de leite maiores e de melhor qualidade, a pecuária leiteira está se tornando uma atividade de alta tecnificação. Uma prática cada vez mais comum nas fazendas é a desinfecção dos tetos antes e após a ordenha (pré e pós-dipping), uma técnica relativamente simples e que, se feita de maneira criteriosa, pode diminuir significativamente a incidência de mastite e, conseqüentemente, otimizar a produção, a qualidade do leite e a sanidade do rebanho.
A redução da contaminação na pele do teto através da desinfecção é a medida isolada mais efetiva na prevenção de novas infecções intramamárias, uma vez que há uma relação direta entre essas e o número de microorganismos presentes na pele dos tetos. Pesquisas mostram que essa técnica diminui cerca de 50% a incidência de mastite no rebanho, porém, para melhores resultados, deve ser associada a uma boa rotina de ordenha.
O pré-dipping é uma prática relativamente nova, que consiste na desinfecção dos tetos antes da ordenha, diminuindo o risco de mastite, principalmente a causada por patógenos ambientais. Um dos mecanismos que provoca essa mastite ambiental é a entrada do agente pelo fluxo reverso de leite contaminado, que ocorre principalmente pela entrada excessiva de ar no sistema de ordenha devido ao o deslizamento de teteiras. Uma outra vantagem dessa técnica é excluir a necessidade da lavagem dos tetos, pois a água residual desse processo aumenta os riscos de novas infecções. Sabe-se ainda que o pré-dipping, juntamente com o teste da caneca e permanência do animal no ambiente de ordenha, representa um estímulo à ejeção do leite, além de reduzir a contagem bacteriana do mesmo.
A elevação da qualidade do leite é outro aspecto importante na utilização do pré-dipping, que pode reduzir em até 80% a contagem bacteriana, além de diminuir a contagem de células somáticas pela redução de novas infecções causadas por patógenos ambientais. A antisepsia antes da ordenha age também sobre bactérias psicrotróficas, que reduzem a qualidade do produto final por ação de enzimas proteolíticas, quando esses microorganismos estão presentes em grande escala. A ocorrência dessa bactéria existe mesmo em fazendas com bom sistema de refrigeração, mas que armazenam o leite por tempo prolongado.

O pós-dipping, por sua vez, é uma estratégia já tradicional, direcionada, sobretudo, para controlar a mastite contagiosa. A disseminação dos patógenos contagiosos ocorre durante a prática da ordenha, através das mãos do ordenhador, da unidade de ordenha, do material de limpeza do úbere e da pele da ponta do teto. Com a eliminação desses agentes da pele do teto, haverá redução na taxa de novas infecções intramamárias, resultando em diminuição da contagem de células somáticas. A aplicação do desinfetante exige alguns cuidados para que atinja mais eficientemente seu objetivo, como a escolha da forma de aplicação, recipiente e produtos utilizados. Existem basicamente duas formas de aplicação: imersão e spray. A imersão apresenta melhores resultados, por cobrir o teto de maneira mais completa. No caso da utilização do spray, deve-se observar se o teto foi completamente atingido. Dentre os recipientes de imersão, o frasco de pressão sem retorno deve ser preferido em detrimento do frasco tipo cachimbo e do frasco com retorno, pois exige menor força e mantém a solução limpa.

O armazenamento dos produtos é extremamente relevante para sua eficácia. Deve-se lembrar que os recipientes de armazenamento dos desinfetantes não devem ser expostos à luz solar e é recomendado que o produto excedente nos frascos após cada ordenha sejam descartados e não reintroduzidos nos galões. Os utensílios utilizados devem ser lavados pelo menos uma vez por dia, visto que algumas bactérias têm a capacidade de se multiplicar dentro da solução desinfetante, desde que haja presença de matéria orgânica.
Um parâmetro de importante observação é a presença de rachaduras nos tetos, que podem estar relacionados à concentração do princípio ativo e/ou do emoliente. Assim, é imprescindível a utilização de produtos de alto padrão, produzidos por empresas idôneas, a fim de maximizar os resultados.
Os princípios ativos mais utilizados na desinfecção são iodo, cloro, clorexidina e LDBSA (ácido sulfônico). A essas substâncias são adicionados produtos para diminuir a irritação na pele dos tetos, como a glicerina. A ampla utilização de iodo no pré e pós-dipping é justificada por suas características desejáveis, como rápida ação, amplo espectro, excelente estabilidade, baixa toxicidade à pele da mão do ordenhador e do teto do animal, ausência de resíduos no leite e alta eficácia germicida (principalmente sobre Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae). Sua ação é diminuída frente à presença de matéria orgânica e a principal forma de apresentação do iodo é na forma de iodophor (iodo associado com carreadores). A ação germicida é conferida pela forma de iodo livre, por isso essa concentração deve ser avaliada. O cloro também apresenta larga utilização, devido principalmente à sua eficácia e baixo custo. Suas desvantagens são o odor desagradável, a toxicidade em altas concentrações, a capacidade de manchar tecidos e, sobretudo, a grande perda de eficiência na presença de matéria orgânica. Não são adicionados emolientes a essa formulação devido à redução da eficácia desta associação. A clorexidina é um composto inodoro, incolor, atóxico e com alto poder germicida contra diversas bactérias gram-positivas e negativas, porém tem sua ação levemente diminuída na presença de matéria orgânica. Normalmente inclui em sua fórmula um emoliente, como a glicerina 5%, e um corante, para que sua imersão possa ser visualizada.
As técnicas de pré e pós-dipping se encontram, a cada dia, mais inseridas no cotidiano da pecuária leiteira moderna, visto que são medidas de baixo custo, de fácil aplicação e essenciais no que diz respeito ao controle de infecções da glândula mamária e conseqüente produção com um elevado padrão de qualidade. Entretanto, é essencial que o tipo de solução, a forma de aplicação, o tempo de atuação e principalmente a concentração do produto, sejam controlados rigorosamente. O erro em qualquer um destes itens pode levar a uma ineficiência da técnica de desinfecção e conseqüentes prejuízos para o sistema de produção.