Ao trabalharmos com estação de monta é de indiscutível importância a realização do diagnóstico de gestação ao final da estação. Neste momento identificam-se as fêmeas que entraram em estação e que ficaram vazias. A partir daí traçamos as estratégias de descarte de fêmeas e avaliação da necessidade de retenção de matrizes vazias de acordo com o resultado da estação e de acordo com a meta de matrizes para os anos subseqüentes. Dada a necessidade do diagnóstico de gestação ao final da estação de monta, temos que salientar também a ótima ferramenta de gestão e de igual importância que é o diagnóstico de gestação intermediário, o qual é realizado durante a estação reprodutiva.
O diagnóstico de gestação intermediário, quando é feito por palpação retal, deve ser realizado em torno de 30 a 40 dias após o primeiro mês da estação de monta. Os objetivos desta metodologia de trabalho são: a identificação precoce de matrizes prenhes e avaliação das normas de manejo adotadas. A partir da identificação de matrizes prenhas precocemente consegue-se ter uma noção imediata de como está a distribuição das gestações no primeiro mês da estação, intervindo caso haja necessidade.
Com relação à distribuição das gestações, adotamos uma meta para o gado zebu, por exemplo, de termos 37% de vacas prenhes no primeiro mês da estação de monta. Abaixo estão os gráficos 1 e 2 que indicam as metas para a incidência diária de novos cios e a distribuição das gestações para o gado zebu durante uma estação de monta realizada de janeiro a abril.


Para atingirmos a meta dos 37% de vacas prenhes no primeiro mês da estação de monta temos que garantir uma taxa de concepção de aproximadamente 70%, sendo esta, no caso das propriedades que trabalham com estação de monta com inseminação artificial, composta pela fertilidade da vaca, fertilidade do sêmen, eficiência na detecção de cio e eficiência na técnica de inseminação artificial. Quando se utiliza monta natural na estação de monta, a taxa de concepção é composta pela fertilidade da vaca e fertilidade do touro. A importância de termos esta meta resulta, em função do resultado do diagnóstico de gestação intermediário, na possibilidade da identificação dos índices que estão gerando, no primeiro mês de estação, o percentual de gestação abaixo ou dentro da meta esperada.
Nas situações em que encontramos as metas abaixo das traçadas, temos que investigar criteriosamente os fatores que influenciam a taxa de concepção. Ao longo deste artigo discutiremos alguns destes fatores trazendo sugestões a respeito dos pontos de investigação.
A fertilidade da vaca é altamente influenciada pelo ambiente, portanto o manejo nutricional e sanitário destas categorias, além da eliminação de vacas vazias ao final da estação de monta é extremamente importante. Com relação à nutrição temos que garantir um manejo eficiente dos pastos e adequação do momento das parições de acordo com a época de maior produção de forragem, além de uma mineralização que atenda os requisitos destes animais. Dentre os aspectos sanitários destacam-se as doenças da reprodução como brucelose, leptospirose, tricomonose, campilobacteriose, dentre outras, que interferem diretamente nas taxas de fertilidade das vacas. Daí a importância de se estabelecer calendários sanitários que limitem o aparecimento destas enfermidades em nossos rebanhos.
A fertilidade ou qualidade do sêmen quando se utiliza estação de monta com IA tem impacto direto nas taxas de concepção. Recomenda-se que seja solicitado laudos das partidas de sêmen adquiridas, e anotação sistemática do número da partida de cada paleta de sêmen após as inseminações. Isso faz com que nos asseguramos contra eventuais problemas em algumas partidas que podem influenciar negativamente as taxas de concepção.
As falhas na detecção de estro poderão ser identificadas, principalmente, quando é detectado um alto número de vacas vazias que contenham corpo lúteo. Este dado servirá como indicativo de que a vaca repetiu um cio e este não foi observado criteriosamente. Taxas de repetição de cio superiores a 30% representam falhas no manejo geral.
Finalmente, falhas nas técnicas de IA podem estar relacionadas a um manejo incorreto do botijão de sêmen, com o processo de descongelamento das paletas, momento incorreto no qual é realizada a inseminação, local errado na deposição do sêmen, dentre outros. Para evitarmos tais falhas recomendamos a utilização de inseminadores devidamente treinados e a realização de cursos de reciclagem anteriormente ao início da estação de monta.
Em estações de monta com touro as condições nutricionais e sanitárias que atendam os requisitos para esta categoria são fundamentais, e são investigadas e confirmadas ao realizarmos exame andrológico. Neste exame além da avaliação qualitativa e quantitativa do sêmen, testamos os touros nos aspectos relacionados ao comportamento, sendo estes: o libido, a capacidade de realização de monta completa e a eficiência na detecção de vacas em cio. A partir daí introduzimos os touros, de acordo com sua capacidade, a cada lote de fêmeas em reprodução. Se, no momento do diagnóstico de gestação intermediário, identificarmos grande número de vacas vazias, temos que agir imediatamente trocando os touros do lote e investigar a real causa do problema. Desta forma, observação dos touros a campo feita pelos funcionários é extremamente importante para nos prevenirmos e avaliarmos distúrbios inerentes ao touro e ao estabelecimento de hierarquias entre eles.
A partir de toda essa leitura da estação de monta que pode ser feita através do diagnóstico de gestação intermediário, constata-se que este representa uma excelente ferramenta de gestão para estações de monta, permitindo que adotemos medidas emergenciais ou estratégicas de acordo com o resultado.
