A criação de bezerros é uma atividade que evoluiu muito ao longo dos anos. No passado, a maioria dos criadores dava pouca importância aos bezerros ou consideravam desnecessários os cuidados pelo fato deles não oferecerem nenhum tipo de retorno no curto prazo. As instalações para os bezerros, nos planejamentos de explorações leiteiras, eram relegadas a um plano secundário. Quando muito, o que se fazia era separar uma parte do estábulo para abrigar esses animais.
No entanto, com os altos índices de morbidade e mortalidade de bezerros, uma maior atenção foi dada ao manejo e às instalações para tal categoria animal, sendo propostos diversos modelos, pois, embora não existam dados comprobatórios, acredita-se que um dos principais fatores relacionados com a alta taxa de morbidade/mortalidade de bezerros jovens seja o uso de instalações inadequadas. Desde a década de 1980, já havia uma preocupação com aspectos básicos na criação de bezerros, como a busca por um ambiente que proporcionasse ao animal um desenvolvimento à velocidade máxima, que a disposição das edificações reduzisse ao mínimo a difusão de enfermidades e facilitasse a limpeza e desinfecção, que a ocupação de tempo de mão-de-obra fosse a menor possível e compatível com o bom trato dos animais. Porém, apesar dos preceitos citados, as instalações recomendadas para os bezerros ainda eram precárias, pois se preconizavam bezerreiros coletivos, o que fere um preceito essencial na criação de bezerros moderna, que é a individualidade.
Tais instalações permitem que haja contato direto entre bezerros mais velhos (mais resistentes) com os mais novos (mais suscetíveis às doenças), e não é possível isolar os bezerros doentes dos sadios. Quando mantidos em grandes grupos, com idades muito diferentes, os bezerros são submetidos a situações estressantes e a grande desafio infeccioso, o que torna a incidência de doenças mais elevada e, devido à falta de isolamento, as doenças são facilmente transmitidas de um bezerro para outro e dos animas adultos para os bezerros.
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Casinha em condições ruins - acúmulo de matéria orgânica e umidade |
Uma pesquisa realizada nos EUA em 1996 (NHAMS-Dairy), concluiu que a taxa média de mortalidade de bezerras até a desmama era de 10,8% em fazendas leiteiras. Deste total, 60,5% foram devidas a diarréias intensas ou outros problemas digestivos; 24,5% foram causadas por problemas respiratórios e os demais 15% por motivos diversos. Duas enfermidades, portanto, foram responsáveis por 75% das mortes. De certo modo, isto é bom, pois demonstra que a concentração de esforços em pontos específicos pode ter grande impacto na redução de perdas nesta fase.
A produção de bezerras sadias, com baixo custo, é um dos aspectos importantes para a sustentabilidade de sistemas de produção de leite. Assim, aumentar a produção de bezerras por vaca e reduzir a mortalidade é estratégico na produção animal. Atualmente, as recomendações para instalações de bezerros são que elas devem ter boa ventilação e boa insolação, propiciar conforto aos animais e que sejam econômicas. Essas instalações podem ser simples, tendo como requisito um ambiente seco e ventilado, pois ambientes fechados e úmidos causam sérios problemas aos bezerros, principalmente pneumonia, aumentando terrivelmente o índice de mortalidade.
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