"A ovinocultura e o cooperativismo" pelo Engenheiro agrônomo Pedro Nobre de Lima, diretor da Procordeiro e aluno da Pós-graduação em ovinocultura de corte do ReHAgro.
Ponto de Vista
Publicado em 05/05/2008 por Pedro Nobre de Lima

A Ovinocultura e o Cooperativismo


Analisando mais detidamente os últimos dados estatísticos oficiais do Censo Agropecuário do IBGE, pode-se concluir que a ovinocultura nacional passa por um período de realinhamento.

Existe um expressivo crescimento dos rebanhos nas regiões sudeste e centro-oeste, justamente as que orbitam os maiores centros econômicos do País e que, invariavelmente, têm maior poder de consumo das especialidades culinárias que só o cordeiro pode propiciar.

À medida que os plantéis crescem, adquirem um novo perfil com tendência à segmentação da cadeia produtiva, como já ocorreu nas de bovinos, suínos e aves. Esta especialização, em fases, faz com que o giro de capital se faça de forma mais constante, retro alimentando a cadeia, que ganha robustez e visibilidade, permitindo aos governos aquilatarem o enorme potencial deste segmento do agronegócio brasileiro.

Este procedimento por parte dos produtores mais tecnificados, vem refletindo nas respostas encontradas, no sentido de haver constância no fornecimento e padronização das carcaças e dos cortes praticados. Ele também atende aos interesses dos frigoríficos, comerciantes e consumidores, que têm produtos de melhor qualidade em disponibilidade constante. Além disso, conseguem importantes economias no processo devido ao aumento do volume de negócios e conseqüente redução dos custos unitários, o que tende a ampliar as margens auferidas pelos produtores, gerando credibilidade para a produção local.

Ao mesmo tempo em que se constatam estas modificações no mercado doméstico, observa-se que, no mercado internacional, mudanças vêm ocorrendo também de forma significativa. A redução dos subsídios à produção, a grande valorização das terras, a falta de interesse dos descendentes em permanecer no campo, problemas climáticos, sanitários ou ambientais são fatores plausíveis para justificar as reduções verificadas.

A verdade é que, a exemplo das outras cadeias produtivas de carnes, o Brasil tem demonstrado habilidade e competência para assumir posição de destaque na ovinocultura internacional, desde que consiga organizar convenientemente sua cadeia produtiva para a competição mundial. A consecução deste objetivo passa invariavelmente pelo pleno atendimento das necessidades internas.

Nesse aspecto o Cooperativismo, sem sombra de dúvida, tem papel de destaque, principalmente se for entendido como forma coletiva de realização das aspirações individuais.

 Da exemplificação do feixe de varas, que nunca se quebra, até à visão mais moderna que dela se tem, surge conceito de Cooperativa como Empresa, que precisa ser eficiente e produtiva, que permite e viabiliza as pequenas produções individuais, oriundas de pequenas e médias propriedades (a maioria), para que estas também tenham seu lugar ao sol, seu quinhão nesse mercado emergente. Para que esse patamar fosse alcançado existiu um longo caminho percorrido.

             

Dessa forma, a Cooperativa foi concebida e criada com o objetivo de resolver os gargalos do processo de comercialização, rompendo definitivamente com comerciantes oportunistas, sem visão global de mercado, sem a menor preocupação com os rumos desta importante atividade econômica.

Esta a oportuna forma de associativismo que, atuando no mercado da carne ovina, vem abrindo seu espaço comercial, primando pela qualidade do produto ofertado aos consumidores e transformando desconfianças e incertezas em credibilidade entre os elos da cadeia. E, o que é mais importante, criando e desenvolvendo o saudável hábito de consumo na população, que em muitos casos ainda não conhece a carne de Cordeiro.
 
Da porteira para fora, são muitos os fatores envolvidos. Citamos a elaboração das escalas de abate junto ao frigorífico terceirizado, o atendimento às normas do Serviço de Inspeção Federal, a concretização de rotas de coleta para o transporte solidário de animais, o abate propriamente dito,  os cuidados requeridos pelas boas práticas de higiene para produtos de origem animal, a elaboração de cortes especiais, a embalagem a vácuo, o armazenamento na temperatura apropriada e a comercialização. Tais são as rotinas de que uma Cooperativa tem de se ocupar até gerar os recursos para retro-alimentar o processo.

No que respeita à Procordeiro, a cooperativa em que milito, nem tudo foi um mar de rosas para se alcançar o tão sonhado ponto de equilíbrio financeiro. Foram necessárias muitas reuniões, encontros e, por que não dizer, trabalho e dedicação. Estas foram as ferramentas encontradas para driblar a inexperiência, buscar o conhecimento e afastar a descrença de boa parte dos produtores, que não acreditavam ser possível superar os fatores adversos da empreitada associados à falta de crédito direcionado à atividade cooperativa e à inexistência de políticas públicas que permitissem alavancar o setor.

Acompanhando por diversas mídias a progressão do desenvolvimento da Ovinocultura de Corte, que prenuncia um crescimento sustentável para este segmento da Agropecuária, cada vez mais me convenço da viabilidade do Cooperativismo como a melhor forma de atuarmos no mercado, sempre tendo em mente o incontestável bordão. A UNIÃO FAZ A FORÇA!

Pedro Nobre de Lima – Engenheiro agrônomo
Diretor da Procordeiro - Cooperativa dos produtores de cordeiro de Minas Gerais
Aluno da “Pós-graduação em ovinocultura de corte” ReHAgro.


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