A Ovinocultura e o Cooperativismo
Analisando mais detidamente os últimos dados estatísticos oficiais do
Censo Agropecuário do IBGE, pode-se concluir que a ovinocultura nacional passa
por um período de realinhamento.
Existe um expressivo crescimento dos rebanhos nas regiões sudeste e
centro-oeste, justamente as que orbitam os maiores centros econômicos do País e
que, invariavelmente, têm maior poder de consumo das especialidades culinárias
que só o cordeiro pode propiciar.
À medida que os plantéis crescem, adquirem um novo perfil com tendência à
segmentação da cadeia produtiva, como já ocorreu nas de bovinos, suínos e aves.
Esta especialização, em fases, faz com que o giro de capital se faça de forma
mais constante, retro alimentando a cadeia, que ganha robustez e visibilidade,
permitindo aos governos aquilatarem o enorme potencial deste segmento do
agronegócio brasileiro.
Este procedimento por parte dos produtores mais tecnificados, vem refletindo
nas respostas encontradas, no sentido de haver constância no fornecimento e
padronização das carcaças e dos cortes praticados. Ele também atende aos
interesses dos frigoríficos, comerciantes e consumidores, que têm produtos de
melhor qualidade em disponibilidade constante. Além disso, conseguem importantes
economias no processo devido ao aumento do volume de negócios e conseqüente
redução dos custos unitários, o que tende a ampliar as margens auferidas pelos
produtores, gerando credibilidade para a produção local.
Ao mesmo tempo em que se constatam estas modificações no mercado doméstico,
observa-se que, no mercado internacional, mudanças vêm ocorrendo também de forma
significativa. A redução dos subsídios à produção, a grande valorização das
terras, a falta de interesse dos descendentes em permanecer no campo, problemas
climáticos, sanitários ou ambientais são fatores plausíveis para justificar as
reduções verificadas.
A verdade é que, a exemplo das outras cadeias produtivas de carnes, o Brasil
tem demonstrado habilidade e competência para assumir posição de destaque na
ovinocultura internacional, desde que consiga organizar convenientemente sua
cadeia produtiva para a competição mundial. A consecução deste objetivo passa
invariavelmente pelo pleno atendimento das necessidades internas.
Nesse aspecto o Cooperativismo, sem sombra de dúvida, tem papel de destaque,
principalmente se for entendido como forma coletiva de realização das aspirações
individuais.
Da exemplificação do feixe de varas, que nunca se quebra, até à visão
mais moderna que dela se tem, surge conceito de Cooperativa como Empresa, que
precisa ser eficiente e produtiva, que permite e viabiliza as pequenas produções
individuais, oriundas de pequenas e médias propriedades (a maioria), para que
estas também tenham seu lugar ao sol, seu quinhão nesse mercado emergente. Para
que esse patamar fosse alcançado existiu um longo caminho percorrido.

Dessa forma, a Cooperativa foi concebida e criada
com o objetivo de resolver os gargalos do processo de comercialização, rompendo
definitivamente com comerciantes oportunistas, sem visão global de mercado, sem
a menor preocupação com os rumos desta importante atividade econômica.
Esta a oportuna forma de associativismo que, atuando no mercado da carne
ovina, vem abrindo seu espaço comercial, primando pela qualidade do produto
ofertado aos consumidores e transformando desconfianças e incertezas em
credibilidade entre os elos da cadeia. E, o que é mais importante, criando e
desenvolvendo o saudável hábito de consumo na população, que em muitos casos
ainda não conhece a carne de Cordeiro.
Da porteira para fora, são
muitos os fatores envolvidos. Citamos a elaboração das escalas de abate junto ao
frigorífico terceirizado, o atendimento às normas do Serviço de Inspeção
Federal, a concretização de rotas de coleta para o transporte solidário de
animais, o abate propriamente dito, os cuidados requeridos pelas boas
práticas de higiene para produtos de origem animal, a elaboração de cortes
especiais, a embalagem a vácuo, o armazenamento na temperatura apropriada e a
comercialização. Tais são as rotinas de que uma Cooperativa tem de se ocupar até
gerar os recursos para retro-alimentar o processo.
No que respeita à Procordeiro, a cooperativa em que milito, nem tudo foi um
mar de rosas para se alcançar o tão sonhado ponto de equilíbrio financeiro.
Foram necessárias muitas reuniões, encontros e, por que não dizer, trabalho e
dedicação. Estas foram as ferramentas encontradas para driblar a inexperiência,
buscar o conhecimento e afastar a descrença de boa parte dos produtores, que não
acreditavam ser possível superar os fatores adversos da empreitada associados à
falta de crédito direcionado à atividade cooperativa e à inexistência de
políticas públicas que permitissem alavancar o setor.
Acompanhando por diversas mídias a progressão do desenvolvimento da
Ovinocultura de Corte, que prenuncia um crescimento sustentável para este
segmento da Agropecuária, cada vez mais me convenço da viabilidade do
Cooperativismo como a melhor forma de atuarmos no mercado, sempre tendo em mente
o incontestável bordão. A UNIÃO FAZ A FORÇA!
Pedro Nobre de Lima – Engenheiro agrônomo
Diretor da
Procordeiro - Cooperativa dos produtores de cordeiro de Minas Gerais
Aluno da
“Pós-graduação em ovinocultura de corte” ReHAgro.