Como a altura de corte pode influenciar na qualidade da silagem de milho? Veja no artigo de Alexandre Fonseca!
Artigos Técnicos
Publicado em 15/05/2008 por Alexandre Fonseca, engenheiro agrônomo - Equipe ReHAgro

Influência da Altura de Corte na Qualidade da Silagem de Milho

A obtenção de uma silagem de qualidade depende de uma soma de fatores que vai desde a escolha do híbrido a ser plantado, até o descarregamento do silo e fornecimento aos animais. Além do híbrido utilizado, fatores ambientais, bem como algumas práticas de manejo podem influenciar a qualidade final do produto colhido. Dentre esses fatores pode-se citar: época de semeadura; ponto adequado de colheita; tamanho das partículas; compactação e vedação do silo; forma, velocidade e eficiência de enchimento do silo; altura de corte das plantas e uso de aditivos (Allen et al., 1997; Fancelli & Dourado Neto, 2000). Com exceção de utilização de aditivos, todos os outros fatores não interferem no custo de produção da silagem, portanto a adoção de práticas corretas de manejo, além de resultar em um alimento com melhor valor nutricional, também trará aumento na produtividade e, consequentemente, redução no custo por tonelada de matéria seca (MS) produzida.

O objetivo deste artigo é discutir a relação da altura de corte com a qualidade final da silagem.
O aumento na altura de corte pode ser uma estratégia para aumentar concentração energética e diminuir o teor da FDN (Fibra em Detergente Neutro) na silagem. O teor de fibra em detergente neutro (FDN) está correlacionado com a degrabilidade da matéria seca (MS) da planta, a qual determina a quantidade de fibra da planta, que corresponde as frações de celulose, hemicelulose e lignina (Mendes, 2006). Segundo Dias (2002) o teor de lignina e FDN são inversamente proporcionais a degrabilidade in vitro da matéria seca.  Ao aumentar a altura de corte no momento da ensilagem há redução na relação colmo/espiga, o que faz com que haja melhorias nas características nutricionais do alimento.

Vasconcelos (2004) observou diminuição na produção de matéria seca de 18,6 para 15,32 ton/ha quando a altura de corte foi aumentada de 0,1 metros para 0,8 metros respectivamente, representando uma redução de 17,7% na produtividade de matéria seca.

Também foi constatado por Caetano (2001) redução na produção de matéria seca/ha. Segundo o autor essa redução foi de 25,6% quando aumentou a altura de corte de 0,5 metros para 0,8 metros. Lauer (1998) citado por Caetano (2001) observou redução de 15% na produção de matéria seca/ha quando aumentou a altura de corte de 0,15 metros para 0,45 metros, e aumento da produção de leite em torno de 12% para a mesma elevação na altura de corte, devido ao menor teor fibra e fração indigestível na silagem, resultando assim em uma redução de apenas 3% na produção de leite estimada por área. Vasconcelos (2004) observou aumento de 10,9% (7,3 a 7,93%) no teor de proteína bruta (PB), redução de 8,8% (50,16 a 45,75%) no teor da FDN e redução de 14,85% (25,87 a 22,0%) no teor de FDA. Isso se deve à menor participação do colmo na massa ensilada, sendo que este apresenta alto teor de fibra.

Os principais constituintes da silagem de milho são carboidratos não-fibrosos e FDN, sendo que o amido representa cerca de 70% da fração grão e a FDN 50% da fração haste (Sapienza, 1996), sendo que qualquer alteração nessas duas frações representa modificações significativas na qualidade nutricional da silagem. Vale ressaltar que o aumento na altura de corte pode trazer melhorias nas características físico-química do solo, pois haverá maior residual de matéria vegetal na área (Caetano, 2001; Vasconcelos, 2004).

Conclusão
Portanto o produtor deve priorizar suas necessidades de obtenção de máxima produção de forragem versus alta qualidade da silagem, para determinar qual altura de corte será adotada, sendo que isso pode variar em diferentes anos em função do potencial produtivo e qualidade da cultura (Shaver, 2000 citado por Caetano, 2001). As perdas na produção de matéria seca deverão ser compensadas pela melhoria na qualidade nutricional da silagem. Para isso é necessário realizar uma análise econômica, e avaliar os custos de produção, para que assim possa haver maior segurança na tomada de decisão.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALLEN, M. S.; MASAHITO, O.; BYUG, R. C. Nutritionist’s perspective on corn hybrids for silage. Northeast Regional Agricultural Engineering Service – Cooperative Extension. Ithaca, New York. P.25-36. 1997.

CAETANO, H. Avaliação de onze cultivares de milho colhidos em duas alturas de corte para a produção de silagem. 2001. 178p. Tese (Doutorado). Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.

DIAS, F.N. Avaliação de parâmetros agronômicos e nutricionais em híbridos de milho (Zea mays L.) para silagem. 2002. 96p. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz, Piracicaba, SP.

FANCELLI, A. L.; DOURADO, D. N.; MANFRON, P. A.; PALHARES, M.; VIEIRA, P. A. População e distribuição espacial de plantas de milho. Milho: estratégias de manejo para alta produtividade. p.116. 2003. ESALQ, Piracicaba, SP.

MENDES, M. C. Avaliação de híbridos de milho obtidos pór meio de cruzamento entre linhagens com diferentes degradabilidades da matéria seca. 2006. 57p. Dissertação(Mestrado) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.

VASCONCELOS, R. C. Resposta de milho e soro para silagens a diferentes alturas de cortes e datas de semeadura. 2004. 124p. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.



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