O mercado pecuário, compreendido pelos seus três segmentos, produção primária (produtores), indústria (frigoríficos) e a distribuição (varejo/supermercados), apresenta neste início de ano um momento atípico tão esperado pelos pecuaristas.
Haja visto que, em plena safra, onde normalmente teríamos uma queda no preço da @, o mercado se comportou como num período de entressafra, tendo um aumento entre março e abril em relação ao mesmo período do ano passado na casa 38-40% como pode ser visto no gráfico divulgado pelo CEPEA.
Ao mesmo tempo em que o mercado apresenta alta, o segundo segmento da cadeia produtiva (frigoríficos) tenta travar e resistir com os preços atuais, mas acaba cada vez mais, diminuindo suas escalas, tendo então que reajustar os preços para que não trabalhe em escalas curtas, como pode ser visto na maiorias das praças brasileiras.
Outra estratégia muito usada pelos frigoríficos neste momento é a diminuição do abate diário ou até mesmo alternando a escala de abate. Está claro que neste momento de escassez de animal pronto para ser abatido, o embargo Europeu causa pouco impacto na formação de preço da arroba.
Qual então seria o real motivo para essa brusca valorização no preço da arroba?Seria o atraso das chuvas no Brasil Central, retardando, assim, os animais prontos para serem abatidos? Ou seria um provável aumento no consumo interno devido à melhora econômica da população de baixa renda? Ou, até mesmo, o motivo que todos nós já esperávamos desde 2006, que seria a real inversão do ciclo pecuário causado pelo grande abate de matrizes?
Todas essas perguntas serão respondidas nos próximos meses, tendo ainda como perspectivas um mercado estável e firme ainda neste primeiro semestre e um segundo semestre de retomada de aumento de preço, como já são vistos contratos sendo negociados acima de R$ 80,00/arroba.
Mas, o momento não é só de boas noticias, pois a crise mundial de escassez de fosfato bicálcio faz o sal mineral reajustar em até 130% no preço do saco, causando um aumento de custo no preço da @ de aproximadamente 7,5%.
Agora, o momento é de fazer a conta e saber o real custo de produção da arroba produzida e só assim calcular o que realmente vai sobrar. O que importa é que o mercado segue firme e com boas perspectivas.
