Você sabia que a falta de conforto pode ocasionar perdas na produção de vacas de leite? Leia mais em: "O conforto da vaca de leite na rotina da fazenda- Parte I".
Artigos Técnicos
Publicado em 18/06/2008 por Nélio Camargos Prates, Estagiário da Fazenda São João*

*Fazenda São João (true type) Médico veterinário responsável: Paulo Henrique M. Garcia. Estagiário fixo: Nélio Camargos Prates EV-UFMG Localização: Inhaúma-MG Sistema de produção: Rebanho leiteiro confinado da raça holandesa.
 
O conforto da vaca de leite na rotina da fazenda


 
"Não me importa saber se um animal é capaz de pensar, sei que é capaz de sofrer e por isso o considero o meu próximo." A frase elaborada por Albert Schweitzer ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1952 expressa de forma clara a relação cada vez mais próxima e íntima entre o homem e o animal. E para quem pensa que essa relação é apenas com o cachorro que vive dentro de casa, engana-se, pois cada vez mais a população mundial vem se mostrando mais preocupada com o modo de criação e manejo dos animais. Um outro ponto que se deve levar em consideração são as perdas econômicas que se tem em sistemas de criação, principalmente os em confinamento, que às vezes, não possuem políticas para avaliar o conforto dos animais, que, com certeza, respondem com menor produtividade. O texto abaixo tem por objetivo apresentar ferramentas práticas para verificação do bem estar de vacas de leite, mostrando que, muitas vezes, não é necessário um investimento alto em dinheiro , mas apenas realizar pequenos ajustes no sistema presente. De acordo com o Prof. Paulo Fernando Machado da Clinica do Leite – ESALQ -USP, a falta de conforto pode ser responsável por uma diferença de 20% a 30% na produção de leite e de 20% a 40% na taxa de descarte.
 
INDICADORES DE CONFORTO
• Comportamento anormal
• Limpeza dos animais (tetos, úbere, pés, rabo)
• Injúrias
• Laminite
 • Baixa produção
• Desempenho reprodutivo ruim.
• Doenças metabólicas
• Doenças infecciosas

CONFORTO X CAMA
A verificação do posicionamento das vacas de leite nas camas do free stall é uma ferramenta útil no que diz respeito ao conforto que essa cama fornece ao animal. Animais em camas desconfortáveis podem apresentar os seguintes problemas:
• Menor produção de leite.
• Maiores chances de apresentar quadros de mastite ambiental.
• Aumento na taxa de vacas mancas dentro do sistema.
• Animais mais sujos.

Como é uma cama (baia) de boa qualidade?

1. Apresenta dimensões adequadas ao animal que se está sendo trabalhando:
 




2. Permite que o animal deite-se e levante-se de forma confortável:



3. Boa higiene:

A remoção diária de areia da parte de trás das baias, reduz o numero casos de mastite por coliformes.


4. Baixa umidade:



5. O material de cobertura deve ser o mais confortável possível:
 

A baia dificulta o movimento do animal no momento em que vai deitar
ou levantar da cama.
 
Animal posicionado de forma incorreta na cama.

Observe a diferença nas fotos abaixo:




Observe um animal deitando fora da cama e outro em pé.
O problema é no animal ou na cama?

Camas com medidas muito acima para os animais que as usam, facilitando a defecação dos animais em seu interior.

CONFORTO X LIMPEZA DOS ANIMAIS
1. A limpeza das vacas indica o seu grau de conforto. Para cada um aumento de escore de sujeira em qualquer região avaliada, aumenta em media 50 mil células somáticas na contagem final.



Caso o rebanho seja menor que 100 vacas, recomenda-se que todos os animais sejam avaliados. Em rebanhos maiores, deve ser uma amostra mínima de pelo menos 25% das vacas presentes em cada lote.

1. Cada região (pernas, úbere e flancos) deve ser avaliada independentemente.
2. O resultado deve ser apresentado como porcentagem de animais com escore acima de “3”
3. Deve-se comparar os valores com a tabela abaixo

Proporção de vacas com Escore de Limpeza superior a 3:



Qual escore você daria a esses animais?


O escore de sujidade dos animais nos fornece informações sobre a limpeza do ambiente onde estão as vacas:


INJÚRIAS(FERIDAS) E LESÕES DE CASCO X CONFORTO
• As lesões de cascos e feridas nas vacas inibem o consumo de alimento e, conseqüentemente, diminuem a produção de leite. Deve-se realizar um estudo no sistema, com o objetivo de saber qual a causa dessas lesões. Sabe-se que animais que permanecem em pé por muito tempo nos galpões de confinamento ou mesmo corredores de manejo, estão mais sujeitos a lesões nos cascos.No entanto, há outros fatores, como abrasividade do concreto, tipo de material usado como cama (presença de pedras pequenas na areia da cama) e alimentação.

• Em uma fazenda de alta produção leiteira, conseguiu-se reduzir, em menos de 2 meses, de 13% para 2% o número de vacas mancas nos galpões apenas melhorando o manejo de camas.

• Podemos avaliar o grau de injúria nos membros posteriores dos animais confinados e com isso avaliar o conforto desses animais nas camas (altura e comprimento), ou seja, o quanto o animal mantém o seu membro posterior (região tarsal) em contato com o anteparo de concreto da cama.

Método usado para avaliar lesões na parte inferior (tarsal) da perna das vacas:
 


Após a verificação do escore das vacas no rebanho, anote os dados na tabela abaixo:


Deve-se avaliar de forma aleatória pelo menos 20 animais em cada lote.

A Drª. Renata de Oliveira Souza Dias, em artigos publicados, menciona as seguintes perdas econômicas em rebanhos acometidos com lesões de cascos:

• Intervalo entre o parto / 1º serviço: aumento de 17 dias
• Intervalo entre o parto / concepção: aumento de 30 dias
• Vacas com problemas de casco até 60 dias antes do 1º serviço, tiveram menor taxa de concepção.






Animais com dificuldade de locomoção pode indicar uma lesão no casco
 
O escore de locomoção das vacas pode ser uma ferramenta utilizada para avaliar possíveis alterações nos cascos:
 


Algumas lesões de casco:


Clique aqui e leia a segunda parte deste artigo:

http://www.rehagro.com.br/siterehagro/publicacao.do?cdnoticia=1702


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