O final do período de chuvas e o início do período de seca são
evidenciados nas fazendas com a mudança das pastagens, que param o rebrote e
começam a secar, ficando amareladas. Essa aparência reflete diretamente a
qualidade e a oferta de forragem.
O potencial produtivo de uma planta forrageira é expresso pela
combinação do solo e influenciado diretamente pela temperatura, umidade e
incidência de luminosidade. A diminuição da umidade com a ausência das chuvas
faz com que as plantas aumentem a sua senescência e entrem em estado vegetativo,
cessando o rebrote. Isto leva à uma queda no teor de proteína e energia destas,
que é visto na prática com a perda de peso e de condição corporal do gado.
Tabela 1. Médias dos conteúdos de proteína bruta (PB) e
digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) em amostras simulando o
pastejo animal, nos períodos das águas e da seca.
* Pastejo contínuo (Euclides et al., 1996).
**
Pastejo rotacionado (Thiago et al., 2000).
O que fazer neste momento?
Deve-se suplementar? Qual é o melhor suplemento?
A utilização de sais proteinados e/ou ureados (misturas múltiplas)
já é uma estratégia utilizada há muito tempo. Existem muitos trabalhos
publicados a respeito e, como exemplo, no artigo de Balch, Ferrer e Campling
(1961), em que são discutidos os fatores que afetam a ingestão voluntária de
alimento por vacas, os autores lançam mão da utilização de uréia em pastagens de
pior qualidade e relatam alteração no padrão de digestibilidade e fermentação da
fibra, aumentando o aproveitamento desta pela microbiota ruminal. Além disso, a
uréia aumenta a taxa de passagem do alimento pelo trato gastrintestinal dos
animais, o que leva a um aumento na ingestão de alimento que pode chegar a 40% a
mais por dia. Isso pode gerar apenas uma situação de mantença para o animal, ou
seja, quando não há perda de peso, ou pode levar ao ganho de peso, dependendo da
qualidade da gramínea.
Já o sal proteinado, além da uréia, é acrescido de outros
ingredientes, como fontes energéticas e protéicas, levando a um maior ganho de
peso pelos animais. O teor de proteína deste sais varia entre 30 e 60% e suas
recomendações variam em função da quantidade do suplemento a ser ingerida e dos
teores de proteína oriundas de proteína verdadeira ou de uréia.
O nível de proteína de cada proteinado difere em função do nível
de nitrogênio não protéico (uréia) e protéico (soja, por exemplo). O nível de
nitrogênio não protéico deve ser constante mesmo com o aumento da ingestão, já
que a uréia é limitadora do consumo e, em altos níveis, é tóxica. Já o
aumento do teor de proteína verdadeira de uma mistura, normalmente, possibilita
aumento no ganho de peso deste animal.
A tabela a seguir mostra algumas características das principais
misturas utilizadas.
O
tipo de suplementação a ser utilizado depende da meta de desempenho dos animais
desejado pelo produtor: O objetivo é manter aquele animal sem perda de peso ou é
obter ganho de peso? Qual a meta de ganho?
Existem no mercado sais ureados que visam apenas à mantença dos
animais e existem sais proteinados de baixo (0,1 % do peso vivo/dia) ou alto
consumo (0,2 % do peso vivo/dia), que possibilitam pequenos ou grandes ganhos,
respectivamente.
Deve-se lembrar que estes produtos são apenas suplementos e que
estão diretamente relacionados à oferta e qualidade do pasto em que os animais
estão. É preciso, então, haver uma estratégia prévia de diferimento (reserva) de
pastagem, onde alguns pastos são fechados no final da estação chuvosa, com o
objetivo de ocorrer um rebrote que disponibilize forragem para os animais no
período seco.
Ao se planejar um diferimento da pastagem, deve-se atentar para a
queda do valor nutritivo das gramíneas. A Brachiaria é a pastagem mais utilizada
nessas situações por atender melhor a essa situação, possuindo uma queda menos
acentuada no valor nutritivo.
A utilização de cada suplemento é
recomendada a partir do objetivo a ser alcançado e é preciso atentar sempre à
existência de três tipos de dieta: a que é formulada, a que chega ao cocho e a
que o animal consome. O erro em cada uma destas resulta em comprometimento do
desempenho dos animais. Um importante fator é o espaço de cocho. Quando o
consumo aumenta, o espaço de cocho também precisa aumentar para que os animais
tenham um melhor acesso. Para misturas com consumo de 0,05 % do peso vivo, são
necessários, pelo menos 5 centímetros de espaço linear de cocho; para misturas
de 0,1 %, 10 cm e para 0,2 % de consumo, pelo menos 20 cm de cocho. Monitorar
constantemente o consumo é outro fator para que se consiga os resultados
propostos. Tendo conhecimento dos ingredientes que são inibidores de consumo
(uréia e sal comum) e os que são estimulantes (farelos), a fórmula pode ser
alterada para que o consumo seja adequado.
