Quer saber como evitar perda de peso na seca ou mesmo promover ganho? Leia em "Estratégias de Suplementação na Seca".
Artigos Técnicos
Publicado em 04/08/2008 por Paulo César V. Costa, Médico Veterinário, Especialista em Produção de gado de Corte - Equipe ReHagro e Geraldo Helber B. Maia Filho, graduando em Medicina Veterinária - Equipe ReHagro

Estratégias de Suplementação na Seca

O final do período de chuvas e o início do período de seca são evidenciados nas fazendas com a mudança das pastagens, que param o rebrote e começam a secar, ficando amareladas.  Essa aparência reflete diretamente a qualidade e a oferta de forragem.

O potencial produtivo de uma planta forrageira é expresso pela combinação do solo e influenciado diretamente pela temperatura, umidade e incidência de luminosidade. A diminuição da umidade com a ausência das chuvas faz com que as plantas aumentem a sua senescência e entrem em estado vegetativo, cessando o rebrote. Isto leva à uma queda no teor de proteína e energia destas, que é visto na prática com a perda de peso e de condição corporal do gado.

Tabela 1. Médias dos conteúdos de proteína bruta (PB) e digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) em amostras simulando o pastejo animal, nos períodos das águas e da  seca.


* Pastejo contínuo (Euclides et al., 1996).
** Pastejo rotacionado (Thiago et al., 2000).

O que fazer neste momento? Deve-se suplementar? Qual é o melhor suplemento?

A utilização de sais proteinados e/ou ureados (misturas múltiplas) já é uma estratégia utilizada há muito tempo. Existem muitos trabalhos publicados a respeito e, como exemplo, no artigo de Balch, Ferrer e Campling (1961), em que são discutidos os fatores que afetam a ingestão voluntária de alimento por vacas, os autores lançam mão da utilização de uréia em pastagens de pior qualidade e relatam alteração no padrão de digestibilidade e fermentação da fibra, aumentando o aproveitamento desta pela microbiota ruminal. Além disso, a uréia aumenta a taxa de passagem do alimento pelo trato gastrintestinal dos animais, o que leva a um aumento na ingestão de alimento que pode chegar a 40% a mais por dia. Isso pode gerar apenas uma situação de mantença para o animal, ou seja, quando não há perda de peso, ou pode levar ao ganho de peso, dependendo da qualidade da gramínea.

Já o sal proteinado, além da uréia, é acrescido de outros ingredientes, como fontes energéticas e protéicas, levando a um maior ganho de peso pelos animais. O teor de proteína deste sais varia entre 30 e 60% e suas recomendações variam em função da quantidade do suplemento a ser ingerida e dos teores de proteína oriundas de proteína verdadeira ou de uréia.

O nível de proteína de cada proteinado difere em função do nível de nitrogênio não protéico (uréia) e protéico (soja, por exemplo). O nível de nitrogênio não protéico deve ser constante mesmo com o aumento da ingestão, já que a uréia é limitadora do consumo e, em altos níveis, é tóxica.  Já o aumento do teor de proteína verdadeira de uma mistura, normalmente, possibilita aumento no ganho de peso deste animal.

A tabela a seguir mostra algumas características das principais misturas utilizadas.


O tipo de suplementação a ser utilizado depende da meta de desempenho dos animais desejado pelo produtor: O objetivo é manter aquele animal sem perda de peso ou é obter ganho de peso? Qual a meta de ganho?

Existem no mercado sais ureados que visam apenas à mantença dos animais e existem sais proteinados de baixo (0,1 % do peso vivo/dia) ou alto consumo (0,2 % do peso vivo/dia), que possibilitam pequenos ou grandes ganhos, respectivamente.

Deve-se lembrar que estes produtos são apenas suplementos e que estão diretamente relacionados à oferta e qualidade do pasto em que os animais estão. É preciso, então, haver uma estratégia prévia de diferimento (reserva) de pastagem, onde alguns pastos são fechados no final da estação chuvosa, com o objetivo de ocorrer um rebrote que disponibilize forragem para os animais no período seco.

Ao se planejar um diferimento da pastagem, deve-se atentar para a queda do valor nutritivo das gramíneas. A Brachiaria é a pastagem mais utilizada nessas situações por atender melhor a essa situação, possuindo uma queda menos acentuada no valor nutritivo.
 
A utilização de cada suplemento é recomendada a partir do objetivo a ser alcançado e é preciso atentar sempre à existência de três tipos de dieta: a que é formulada, a que chega ao cocho e a que o animal consome. O erro em cada uma destas resulta em comprometimento do desempenho dos animais. Um importante fator é o espaço de cocho. Quando o consumo aumenta, o espaço de cocho também precisa aumentar para que os animais tenham um melhor acesso. Para misturas com consumo de 0,05 % do peso vivo, são necessários, pelo menos 5 centímetros de espaço linear de cocho; para misturas de 0,1 %, 10 cm e para 0,2 % de consumo, pelo menos 20 cm de cocho. Monitorar constantemente o consumo é outro fator para que se consiga os resultados propostos. Tendo conhecimento dos ingredientes que são inibidores de consumo (uréia e sal comum) e os que são estimulantes (farelos), a fórmula pode ser alterada para que o consumo seja adequado.


     

:: Comentários ::

Bárbara Cardoso da Mata e Silva -
Estudante

Sr. Paulo Cesar, estava lendo o artigo e fiquei com uma dúvida: como a ureia aumenta a taxa de passagem do alimento?
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carlos fonseca -
Produtor - Gado Corte e Leite

Eu dou silagem de milho para as minhas vacas. O que é melhor para complementar à alimentação? proteinado ou o que? por favor me mande uma idéia com resultado. desde já obrigado...
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RENAN -
Estudante

Ótimo artigo. Gostaria de saber as quantidades de cada ingrediente: uréia, sal e farelo.
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