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Qual é a importância de realizar vermifugações no período seco do ano? Descubra no artigo "Controle estratégico de verminoses em bovinos de corte".
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Artigos Técnicos
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Publicado em
11/08/2008
por
Rafael Águido; Graduando em Medicina Veterinária, Estagiário, Equipe ReHAgro
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CONTROLE ESTRATÉGICO DE VERMINOSES EM BOVINOS DE
CORTE
Durante os últimos anos temos visto o desenvolvimento da
pecuária brasileira, colocando o país num lugar de destaque no cenário
mundial, tornando-se o número um em exportação de carne. No entanto, o
potencial produtivo do nosso rebanho não é totalmente expressado devido a
fatores ligados, muitas vezes, à sanidade dos animais. Dentro deste contexto,
o controle de verminoses constitui uma prática importante, que tem como
objetivo evitar perdas econômicas irreparáveis, uma vez que a presença de
endoparasitas está ligada ao menor ganho ou perda de peso além da
predisposição a outras doenças. Calcula-se que os prejuízos causados pelas
verminoses em países como os Estados Unidos estão por volta de 330 milhões de
dólares/ano.
Além dos danos financeiros causados diretamente pelos
parasitas, a utilização de antiparasitários é feita na maioria das vezes de
maneira inadequada, aumentando ainda mais os prejuízos causados pelas
verminoses. No Brasil, os gastos com medicamentos antiparasitários no ano de
2000, foram de 223 milhões de dólares. Nem por isso o controle das verminoses
é satisfatório. Segundo BIANCHIN (2000), as épocas de vermifugação
são inadequadas, além disso, 80% das doses de anti-helmínticos são utilizadas
erroneamente, no Brasil.
A partir destes fatos, se faz necessário a
implantação de um programa de controle de verminoses eficaz e de baixo
custo, que vise à eliminação dos agentes em épocas corretas, como uso racional
de medicamentos antiparasitários.
O controle das verminoses pode ser
baseado no ataque às formas de vida livre ou parasitária, tendo, cada uma
destas alternativas, pontos positivos e negativos. O combate aos estágios de
vida livre tem como objetivo eliminar das pastagens as formas infectantes,
diminuindo a probabilidade de ingestão destas pelos bovinos. Dentre as
práticas de manejo mais valiosas para este tipo de controle destacam-se a
rotação ou vedação temporária das pastagens, ou a utilização de agentes
biológicos. A primeira estratégia tem o objetivo de exaurir as
reservas corporais das larvas, levando-as a morte. Estima-se que 80% das
larvas morram quando não ingeridas por bovinos em intervalos de 30 a 45 dias.
Já o controle biológico baseia-se na utilização de parasitas dos ovos e larvas
como os fungos nematófagos de gênero Arthrobotrys e bactérias do gênero
Bacillus. Outra estratégia é a utilização de besouros coprófagos,
mais conhecidos como “rola-bosta”, que devido ao seu hábito de enterrar as
fezes, acabam inviabilizando o desenvolvimento dos ovos e larvas.
No
controle da fase de vida parasitária, a utilização de antiparasitários constitui
a principal arma de combate das verminoses. Dentre as estratégias mais
utilizadas podemos destacar:
Curativo – Neste tipo de
controle, os animais são vermifugados apenas quando ocorrem sinais clínicos,
numa explícita intenção de minimizar os custos de tratamento. No entanto, a alta
prevalência de casos subclínicos no rebanho, associada a alta contaminação por
ovos nas pastagens, acabam inviabilizando esta
estratégia.
Supressivo – Neste caso utiliza-se
vermífugos em intervalos pré- estabelecidos, durante todo o ano. Este
procedimento pode implicar em dosificações desnecessárias, além do risco de
criar resistência na população de vermes incidentes no
rebanho.
Tático – Neste tratamento os animais são
vermifugados quando alguma condição ambiental favorece o desenvolvimento dos
vermes ou quando práticas de manejo, como entrada em novas pastagens ou
confinamento, rotação ou compras de animais torna oportuna
a medicação.
Estratégico – Esta prática de controle é
baseada na prevenção de novas infestações de pastagens e apresenta resultados
a médio e longo prazo. Tem como principal característica, a utilização
racional de vermífugos e manutenção de cargas parasitárias compatíveis com
a produção animal, apresentando, com isso, o melhor custo benefício, dentre
as formas de tratamento (figura 1).
Figura 1- Custo/Benefício das principais formas de tratamento de
verminoses em bovinos. Fonte : Embrapa Gado de Corte
(http:/www.cnpgc.embrapa.br) Esta estratégia de controle baseia-se no
conhecimento da epidemiologia e a dinâmica dos parasitos nos bovinos e na
pastagem durante o ano, e a partir disto, pré-determinar vermifugações nos
melhores períodos. Sabe-se hoje que as larvas encontram nas
pastagens condições ideais de sobrevivência no período chuvoso do ano em
grande parte do território brasileiro. Cerca de 90 a 95% dos endoparasitas
existentes estão nas pastagens em épocas de chuva. No entanto, durante o período
mais seco (junho, julho, agosto), o número de larvas diminui drasticamente
nas pastagens, e grande parte dos vermes está presente nos animais (figura
2).
Figura 2-Dinâmica populacional dos endoparasitas em bovinos criados a
pasto. Fonte: http://
pfizersaudeanimal.com.br Com isso, a aplicação de vemífugos na época das
chuvas tem pouco efeito no tratamento do rebanho, uma vez que a taxa de
reinfecção é muito alta neste período pela alta carga de larvas nas pastagens.
Baseado nestes princípios, o controle estratégico preconiza a aplicação de
vermífugos durante o período seco do ano, pois esta ação possibilita uma maior
exposição dos vermes à ação dos antiparasitários. Conseqüentemente, os animais
entrarão no período chuvoso com uma carga parasitária mínima, diminuindo a
contaminação das pastagens por ovos. O programa desenvolvido pela Embrapa
Gado de Corte baseia-se na aplicação de antiparasitários em épocas do ano
pré-determinadas, levando em consideração a categoria animal (figura 3) e a
relação custo-benefício (figura 4). A utilização de vermífugos em
bezerros é dita por muitos como de pouca utilidade devido à baixa mortalidade
ocasionada por endoparasitas. No entanto, estudos vêm demonstrando
que bezerros vermifugados antes da desmama apresentam maior ganho de peso (10
a 15%) quando comparado a animais não tratados. Porém, a estratégia de tratar
ou não esta categoria fica a cargo do proprietário ou médico veterinário, pois
fatores econômicos podem pesar nesta decisão. Para a utilização em bois de
engorda, preconiza-se a utilização de antiparasitários nos meses de outubro ou
novembro, momento no qual esta categoria entrará em pastagens vedadas,
acarretando uma menor contaminação destas. No caso de vacas, a vermifugação deve
ser feita nos meses de julho e agosto, momento este anterior ao pico de parição,
principalmente no Brasil Central (agosto e setembro). Com isso, o tratamento no
periparto tem como objetivo uma menor contaminação das pastagens e
conseqüentemente uma baixa infecção dos bezerros até o desmame. Nos
animais a partir da desmama até 24-30 meses, momento no qual as verminoses
causam maiores prejuízos, a vermifugação deve englobar todo o período seco,
com dosificações nos meses de maio, julho e setembro. Esta estratégia tem
obtido bons resultados a campo, com redução da mortalidade em 2% e um ganho
médio de peso vivo em torno de 41 quilos por animal (Bianchin et al.,1996). A
primeira aplicação (maio) tem o objetivo diminuir a carga parasitária
adquirida pelo animal durante o período chuvoso, a segunda aplicação
(julho) elimina os vermes que resistiram à primeira aplicação, além de
combater os novos endoparasitas adquiridos no início do período seco. A
terceira aplicação combate os parasitas que sobreviveram às primeiras
vermifugações, diminuindo o risco de contaminação das pastagens durante o
período chuvoso que se iniciará.
Figura 3 - Categoria animal, prejuízo e número de doses
anti-helmínticas
nos Cerrados.Fonte
: Bianchin (1995)
Figura
4- Indicadores financeiros das alternativas de dosificação
anti-helmíntica eficaz,expressospor I00 cabeças de bovinos, para um período de
dois anos. (B=dosificados em julho e setembro,C=dosificados em maio, julho e
setembro e D=dosificados em maio, julho, setembro e dezembro;@=arroba
) Por fim, o produtor deve ter em mente que o controle estratégico, ao
contrário de outros métodos basicamente curativos, deve ser repetido
anualmente na propriedade, respeitando épocas, idades e categorias
previamente determinadas. Além disso, para se evitar falhas ou impedimentos
que ponham em risco sua eficiência, a vermifugação pode ser
executada conjuntamente a outras práticas de manejo, como vacinações. Com
isso, conclui-se que o controle estratégico é uma alternativa viável na
tentativa do produtor em explorar ao máximo a produtividade do seu rebanho, a
baixo custo e de maneira prática.

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:: Comentários ::
Pascelli Vinicius -
Produtor - Ovino
No email q enviaram estava dizendo q era controle de verminoses de ovinos e não de bovinos como cita esta matéria
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Equipe ReHAgro - 14/10/2008 10:44
Consultor Técnico
Vinicius,
Desculpe pela falha! Realmente, uma parte do link ficou incorreta, direcionando para esta matéria. o link correto para o artigo sobre verminose em ovinos é http://www.rehagro.com.br/siterehagro/publicacao.do?cdnoticia=1742 .Obrigado pela observação!
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Paulo Sergio -
Consultor Técnico
Sem dúvida nenhuma o Rehagro faz a diferença para o nosso conhecimento! Parabéns equipe ReHAgro.Abraço!
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