Os cruzamentos entre raças leiteiras e as suas contribuições - Saiba em que aspectos os cruzamentos entre raças podem ser benéficos para o seu rebanho.
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Publicado em 18/08/2008 por André Neiva; Graduando em Medicina Veterinária; Estagiário - Equipe ReHAgro

Os cruzamentos entre raças leiteiras e as suas contribuições

O interesse nos cruzamentos entre raças leiteiras vem aumentando significativamente ao longo dos anos devido à preocupação com o crescente aumento da consangüinidade dentro da raça holandesa e com a queda da longevidade, saúde e fertilidade das vacas. Além desses fatores, a bonificação paga ao produtor pelos teores de gordura e proteína levou também à busca por outras raças.

 Segundo Heins (2006), a consangüinidade da raça holandesa dos Estados Unidos cresce pelo menos 0,1% a cada ano, e novilhas nascidas em 2006 têm uma média de consangüinidade de 5,3% sendo que a recomendação padrão é de no máximo 6,25%. Cruzando-se animais com parentesco médio de 5,3% pode-se ultrapassar o limite máximo, afirma Heins. Mesmo sabendo que a participação do Holandês no rebanho nacional ainda é baixa (6%) (Embrapa Gado de Leite, 2003), a informação é importante já que a importação de genética desta raça dos EUA para o Brasil foi e continua sendo grande quando se pensa em inseminação artificial. A tabela abaixo mostra como cresceu a consangüinidade no rebanho de fêmeas holandesas ao longo de dos anos.



De acordo com Weigel (2001), a longevidade de uma vaca em um rebanho é influenciada pelos descartes voluntário e involuntário. O descarte voluntário diz respeito à baixa produção, enquanto o involuntário está relacionado à infertilidade, doenças e problemas de saúde em geral. Alguns trabalhos comparam características reprodutivas entre a raça holandesa e seus cruzamentos, tais como dificuldade de parto, taxa de natimortos, período de serviço (dias em aberto) e taxa de concepção.

McDowell et al. (1970) relatou em seu estudo menor número de dias em aberto para cruzamentos de Ayrshire e Pardo Suíço com Holandês durante a primeira lactação das F1. As holandesas puras tiveram 144 dias de serviço, as cruzadas, filhas de touros Ayrshire, 106 dias, e as filhas de Pardo Suíço 126 dias. Rincon et al. (1982) observou 24 dias em aberto a menos para as fêmeas cruzadas Ayrshire/Holandês e Pardo Suíço/Holandês comparados às holandesas puras. Já Touchberry (1992) comparou o número de serviços por concepção e dias em aberto entre fêmeas meio-sangue Guernsey/Holandês e holandesas puras. As cruzadas tiveram 1,77 serviços por concepção e 113 dias em aberto enquanto as puras apresentaram médias de 1,72 serviços e 110 dias. Heins et al (2006) comparou o período de serviço e a taxa de concepção ao primeiro serviço entre o Holandês e seus cruzamentos em sete rebanhos da Califórnia. As puras apresentaram 22% de concepção e 150 dias de serviço, enquanto as cruzadas Normando/Holandês obtiveram 35% e 123 dias, as Montbeliarde/Holandês 31% e 131 dias, e as meio-sangue Escandinava Vermelha/Holandês, 30% e 129 dias. As raças Sueca Vermelha e Norueguesa Vermelha foram denominadas como Escandinava Vermelha neste estudo por possuírem ancestralidades similares (Ayrshire e Shorthorn). Para dificuldade de parto e número de natimortos, Hein set al. (2006) observou melhorias extremamente significantes, principalmente para as meio-sangue Montbeliarde/Holandês (7,2% e 6,2%) e Escandinava/Holandês (3,7% e 5,1%), contra 17,7% e 14% para as holandesas, respectivamente. Weigel e Barlass (2003) realizaram um amplo trabalho reunindo opiniões de vários produtores nos Estados Unidos sobre os resultados de cruzamentos entre vacas holandesas e touros Jersey e Pardo Suíço. Os produtores relataram melhorias nas taxas de dificuldade de parto, concepção, saúde e longevidade das vacas, além de outras.

Com relação à produção de leite, a superioridade das holandesas em relação as meio-sangue para produção de leite é clara. Entretanto, alguns trabalhos mostram que alguns resultados de cruzamentos conseguem se aproximar da produção de leite do Holandês e o superam para teores de sólidos. A tabela abaixo exemplifica um desses resultados.



Resultados semelhantes aos de Heins foram encontrados quando se utilizou touros Jersey (Weigel e Barlass, 2003) e Pardo Suíço (Dechow et al., 2007) nos cruzamentos.

Vários estudos têm abordado a questão da longevidade nos cruzamentos. Essa característica tem importância enorme quando se sabe que várias lactações bem sucedidas são necessárias para que a vaca pague seu custo inicial (de novilha). Segundo Weigel (2001), a longevidade da vaca de leite é extremamente influenciada pela sua aparência física, dentre elas: força, profundidade, caracterização leiteira, altura, largura e profundidade de úbere, pernas e pés. Os cruzamentos aumentaram o tempo de vida produtiva das vacas em vários trabalhos (Weigel, 2003, Heins, 2006, VanRaden, 1995, entre outros). Entretanto, segundo Faust (1993), mais de 90% das diferenças observadas entre a longevidade das vacas estão relacionadas ao ambiente em que elas vivem.

O cruzamento entre raças leiteiras é uma tecnologia antiga, mas que só agora começa a ganhar a devida importância. É grande o número de trabalhos estrangeiros sobre o assunto, mas existem padrões diferentes para avaliações financeiras para algumas características, principalmente entre Estados Unidos e Nova Zelândia. Diante da elevada consangüinidade do rebanho Holandês e das taxas cada vez mais baixas de longevidade e fertilidade, é oportuna a introdução de novas raças nos rebanhos reduzindo a consangüinidade e melhorando os índices através da heterose. Vale lembrar que o ambiente é o principal limitante da expressão genética, então, é importante a tomada de atitudes não só com relação aos cruzamentos, mas também à limpeza de instalações, nutrição, conforto e sanidade do rebanho.


:: Comentários ::

bruno luano abreu-eafrs - 05/06/2009 09:29
Consultor Técnico

muito bom o artigo,mas deveria se a profundar sobre todas as raças.
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salvador vargas -
Estudante

Son muy interesantes lo publicado sobre estas razas.
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