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Oportunidades no agronegócio, importância da capacitação, dificuldades de inserção, dicas e muito mais! Leia no artigo: "Mercado de trabalho no agronegócio".
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Ponto de Vista
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Publicado em
17/10/2008
por
Fábio Sidnei Corrêa, Engenheiro Agrônomo - Diretor Equipe ReHAgro
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A possibilidade de escrever sobre mercado de trabalho é extremamente desafiante. Trata-se de uma situação ambígua: de um lado falta emprego, de outro falta mão-de-obra qualificada. Muitas empresas têm seu crescimento restringido pela falta de profissionais capazes de atender à demanda imediata de trabalhadores, e ao mesmo tempo, recém-formados sofrem com a falta de emprego. Onde está o erro? Ou melhor, onde está a solução? Desde que fui convidado a escrever este artigo, tenho procurado reunir informações que pudessem, de alguma forma, contribuir na discussão deste velho dilema.
Vamos dividir a conversa em etapas, na busca de um melhor entendimento: Etapa 1- Visão de hoje do agronegócio;
Etapa2- Visão atual do mercado de trabalho no agronegócio;
Etapa3- Coerência profissional;
Etapa 4–Sonho versus profissão;
Espero, ao final, ter ao menos contribuído com o despertar do seu futuro.
Primeira etapa – Agronegócio de hoje
Agronegócio virou moda. É até manchete principal dos jornais. Nos meus tempos de escola de agronomia, no início dos anos 90, o saudoso professor Alfredo Scheid Lopes já dizia: “O Brasil é o celeiro do Mundo, acreditem na profissão de vocês, pois o mundo dependerá da nossa competência”. Os números declaravam a veracidade da afirmação, pois o Brasil com seus 200 milhões de hectares agricultáveis, aliados a um clima e solo extremamente privilegiados, torna-se uma das raras opções de combate à fome e base para a alimentação de uma população crescente. Quanto mais o PIB dos países emergentes cresce, geometricamente aumenta a demanda por alimentos. O povo está consumindo mais, a economia está aquecida e isso é sinônimo de maior consumo de alimentos. O impacto de países como a China e a Índia no mercado internacional das comoditties agrícolas é algo muito forte e deve ser tratado com grande seriedade nos planejamentos de produção de alimento no mundo. Temos que produzir mais, porém sem gerar novos impactos ambientais, pois o clima tem nos penalizado pelo nosso passado um tanto quanto destruidor. Como fazer para reverter este quadro? Quais são os passos a serem dados? Um fato é indiscutível: o ponto central desta discussão é o HOMEM. Recursos humanos qualificados nunca foram tão necessários. Estamos falando de pessoas capazes de ter uma visão mais holística, que consigam enxergar mais que um palmo diante do nariz, que não tenham uma visão tão somente daquilo que é bom para si mesmo. Talvez este seja o protótipo do profissional do futuro. O maior desafio que iremos passar nesta década, em minha opinião, será conseguirmos qualificar pessoas capazes de usar as tecnologias e ferramentas disponíveis, que possuam perfil humano, gerencial e técnico, capaz de colocar em prática tudo aquilo que a ciência produziu e está por produzir. Tecnologias como a transgenia, agricultura de precisão, robotização são pouco efetivas se não conseguirmos desenvolver seres humanos capazes de manipular e utilizar tais favorecimentos em prol de um aumento sustentável da produção de alimento no mundo. Precisamos saber produzir, processar, transportar e levar à mesa do cidadão um alimento cada vez melhor e de menor impacto ambiental.
A expectativa é que o Mundo passe de 6,7 bilhões de habitantes para 9,2 bilhões até 2050. Aliado a este crescimento, temos a previsão de um grande crescimento do PIB de diversos países, pressionando ainda mais a demanda por alimentos (vide figura abaixo).
Segunda etapa – Mercado de trabalho no Agronegócio
O agronegócio, segundo a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), é responsável por 35% dos empregos do país, o que representa em torno de 12% da população economicamente ativa (PEA) (fonte: Eleri Hammer).
As oportunidades de emprego do agronegócio não se restringem aos agrônomos, veterinários, zootecnistas e técnicos agrícolas, pois precisamos pensar no sistema como um todo, como uma extensa cadeia até o alimento chegar à mesa do consumidor. Mesmo nos centros produtivos, já não basta dominarmos as melhores técnicas, precisamos saber como inseri-las em cada contexto, exigindo do profissional uma visão cada vez mais holística do processo produtivo. Um estudo recente realizado pelo Observatório Universitário, entidade formada por acadêmicos que se dedica a pesquisar os problemas do ensino superior no Brasil, mostrou que mais da metade dos portadores de diploma de curso universitário não atua na carreira para a qual se formou. Isso derruba o mito segundo o qual a escolha da carreira no fim da adolescência é uma decisão de vida ou morte para o futuro. O que conta na formação acadêmica é a preparação para adaptar-se a diferentes funções com bom desempenho. Um exemplo real: um típico MBA em marketing, hoje, pode incluir na mesma turma jornalistas, publicitários, veterinários, engenheiros, agrônomos e psicólogos (fonte: veja edição no 1979). Porém, os argumentos colocados acima não podem, em hipótese alguma, servir de justificativa para profissionais que saem da faculdade com uma formação acadêmica insuficiente para exercer a profissão. Não podemos confundir visão global com falta de visão.
Um ponto que vem se destacando dentro das empresas refere-se à necessidade de trabalho em equipe. Com as rápidas mudanças tecnológicas e o grande número de ferramentas gerenciais disponíveis, o trabalho em equipe tornou-se quase uma questão de sobrevivência, onde as qualidades e pontos fortes são somados e as fraquezas e pontos fracos são suprimidos. Neste momento, não poderia deixar de comentar a importância da aproximação do universitário ao mercado de trabalho, com grande ênfase aos programas de estágios e trainees.
Etapa 3- Coerência profissional
Um bom profissional não pode depender apenas de bons momentos de mercado para manter sua carreira profissional em evolução. Mesmo em momento de crise do agronegócio, pudemos identificar pessoas que conseguiram obter sucesso na sua atuação profissional. Tanto no momento de vacas gordas como no contrário, o diferencial sempre estará depositado nas pessoas. Por isso, sou um árduo defensor de um belo plano de carreira. O profissional precisa saber aonde quer chegar, definir uma trajetória e se preparar para os momentos de recessão e dificuldades. Aqui vale lembrar aquela velha definição de sorte: sorte = oportunidade + preparo, ou seja, aqueles sortudos profissionais nada mais são do que pessoas bem preparadas para aproveitar as oportunidades que batem à sua porta.
Muitas vezes, a sustentabilidade profissional passa por uma identificação das nossas reais vontades e aptidões. Acredito que uma boa oportunidade profissional é aquela que nos leva à realização dos nossos mais profundos desejos. Geralmente, uma oportunidade de ouro para um, seria uma verdadeira fonte de frustrações para outro. Esta é a beleza do trabalho com pessoas! Continuamente, quando nossa equipe assume a confecção de um novo projeto de investimentos no agronegócio, nossa principal preocupação é desenvolvê-lo de modo que venha de encontro às expectativas do investidor. Não são raras as vezes que consultores fazem projetos para atender às suas expectativas em detrimento da expectativa do investidor. Resultado: insucesso e insatisfação.
Do ponto de vista prático, o que fazer para enfrentar o mercado de trabalho? Em minha opinião, devemos seguir alguns passos:
Passo 1- Investir tempo no autoconhecimento. Precisamos externar nossas verdadeiras vontades, entender melhor nossas vocações e definir nossos verdadeiros objetivos. Não temos a obrigação de buscar aquilo que a sociedade quer para nós. O mercado de trabalho é amplo e tem lugar para todos os tipos de perfis.
Passo 2- Capacitação. Precisamos nos desenvolver no caminho do nosso sonho. Hoje são inúmeras as fontes de conhecimento. Não tenha medo. Vá fundo no seu propósito de vida. Pessoas, hoje consagradas profissionalmente, foram extremamente criticadas no passado. Seja bom naquilo a que se propor.
Passo 3 – Tenha uma boa visão do todo. Invista no seu conhecimento geral, isto ajudará a achar o seu caminho;
Passo 4 – Suba um degrau de cada vez. Isto poderá ajudar na sustentabilidade da sua carreira profissional. Esta é a importância dos programas de estagiários e de trainees. São ótimas oportunidades de crescimento sustentável.
Passo 5 – Guarde tempo para reavaliar cada etapa da sua trajetória e seja fiel aos seus verdadeiros objetivos.
Nunca se esqueça, estas são apenas sugestões, pois cada um deverá construir sua trajetória.
Etapa 4- Sonho versus profissão.
A profissão de cada um pode ser uma bela maneira de cumprir sua missão de vida. Fica apenas a ressalva, de que devemos fazer isto de forma harmônica e sustentável. Os números alarmantes de doenças ligadas ao estresse e a falta de felicidade nos mostram que algo precisa ser feito no intuito de realinharmos nossas vidas a caminho da nossa essência de viver. Não adianta tapar o sol com a peneira. Mais cedo ou mais tarde, a coerência prevalece. O trabalho vem sendo considerado um mal necessário. Que loucura pensar que pessoas trabalham toda uma vida, dedicam seus mais produtivos e saudáveis anos com o sonho de um dia se aposentar. Será que isto não é muito pouco? Será que não podemos nos posicionar dentro do mercado de trabalho para sermos felizes hoje? Uma profissão pode se tornar uma bela aliada na execução da nossa verdadeira razão de existir. Volto a dizer, o mercado de trabalho é amplo e diversificado, a empresa dos seus sonhos está a sua espera. Escreva sua história!
Gostaria de finalizar com algumas palavras de Brian Dysson (ex-presidente da Coca-Cola Co):
"Imagine a vida como um jogo, no qual você faz malabarismo com cinco bolas que são lançadas no ar... Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. O trabalho é a única bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas, as quatro outras são de vidro. Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e assim conseguirão o equilíbrio na vida."
Bom trabalho a todos vocês!
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:: Comentários ::
Leopoldo Diniz - 18/10/2008 16:30
Outros
Parabéns Fábio!!! Um dos melhores artigos que já li no site. Claro e objetivo, mostra a realidade que vivemos.
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Marcelo Neves - 24/10/2008 09:47
Consultor Técnico
A realização profissional não tem fim , sempre o tempo nos apresenta desafios e estes vão ser concluídos, com muito equílibrio,e sobre tudo com vontade, pelo que realizarmos, parabéns pelo artigo.
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douverbrincker dos santos -
Estudante
Tudo bom!
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Germano S. Araújo -
Estudante
Excelente matéria, mas no jogo da vida, a bola da espiritualidade deve estar em 1º plano. Só assim alcançamos sucesso nos demais.
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Daniela Teston -
Consultor Técnico
Fábio, acredito e concordo com suas idéias, no entanto, sinto-me frustrada por ser qualificada, estar em permanente atualização e nao conseguir uma recolocação no mercado. É uma caixinha de surpresas!
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Fabio Martins -
Estudante
Fábio, estudo engenharia agrícola em Niterói/RJ e informações sobre carreira, como esta que você nos oferece, são muito importantes para o nosso desenvolvimento. Por favor, continue alimentando este site com mais artigos deste nível. Obrigado!
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sebastiao marcos da silva -
Estudante
Parabéns pela matéria. Eu gostei muito e tenho certeza que vai me ajudar na minha carreira profissional porque gosto muito do que faço, mesmo estando no primeiro ano do curso de tecnologia em agronegocio. Estou muito feliz. Um grande abraço ao responsável por este artigo.
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Aloisio A. Marchezan -
Funcionário Empresa
Fábio, parabéns pelo artigo. O Agronegócio brasileiro já desponta perante as grandes potências mundiais. Quanto as oportunidades, independente de estar qualificado ou não, temos que constantemente buscar/criar estas oportunidades. Continue produzindo neste nível.
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Marcos Alexandre Vicente -
Outros
Olá fábio, é por aí mesmo. O agronegócio no Brasil pode ser uma saída para diversos profissionais, inclusive aqueles de áreas que antes não eram diretamente ligadas à ele. Desenvolvo trabalho científico sobre a Comunicação no Agronegócio e gostaria muito de contar com a sua visão sobre o tema. abraço
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