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Saiba mais sobre o impacto causado pelo periparto na saúde vacas leiteiras e como lidar melhor com este período! Leia: "Mudanças endócrinas e metabólicas e manejo nutricional durante o período de transição".
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Artigos Técnicos
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Publicado em
27/10/2008
por
Euler Rabelo, Médico veterinário, Equipe ReHAgro
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Mudanças endócrinas e metabólicas e manejo nutricional durante o período de transição
 O período de transição, entre 3 semanas antes e 3 semanas após o parto, apresenta grande importância em relação à saúde, produção e consequente rentabilidade de vacas leiteiras. Fazendas, nas quais o período de transição é crítico, experimentam um aumento de incidência de problemas relacionados ao periparto (retenção de placenta, metrites, deslocamentos de abomaso, hipocalcemias, cetoses e mastite). Todos esses problemas resultam em aumento nos custos relacionados à manutenção da saúde dos animais, elevadas taxas de descartes no início da lactação, menor produção de leite e menor desempenho reprodutivo. Animais de alta produção são forçados a um ajuste metabólico rápido após o parto, pois há incremento súbito na demanda de nutrientes quando se inicia a produção de leite (Grummer, 1995).
A freqüência de enfermidades metabólicas em vacas leiteiras é maior no puerpério, devido às modificações funcionais orgânicas (endócrinas, metabólicas, etc...) decorrentes do final do processo gestacional, do advento do parto e início da lactação, e associados a erros de manejo no referido período (Tabela 1).
Tabela 1 – Risco de desordens metabólicas e período de ocorrência no pós-parto em 8070 vacas multíparas Holandês no estado de Nova Iorque:
A primeira mudança orgânica é o aumento abrupto e substancial no requerimento de nutrientes, não correspondido em termos de incremento na ingestão de matéria seca (MS), comprometendo, desta forma, o atendimento da demanda nutricional do animal. Estudos demonstram que o requerimento de energia líquida e proteína metabolizável no 4º dia pós-parto excede o consumo em 26 e 25%, respectivamente.
Falhas no manejo nutricional durante o período seco e nas primeiras semanas de lactação e o balanço negativo entre o consumo de nutrientes e a demanda nutricional associados a outros fatores de estresse relacionados à parição e à adaptação à lactação podem afetar a produção de leite e a reprodução no referido período e também durante toda lactação, causando grandes prejuízos na atividade leiteira. Portanto, é de suma importância o conhecimento de aspectos fisiológicos e metabólicos relacionados ao periparto que auxiliarão na tomada de decisões e na adoção de técnicas de manejo que funcionarão como medidas profiláticas contra distúrbios metabólicos e garantirão melhor produção dos animais durante a lactação.
Mudanças no status endócrino e metabólico
A concentração plasmática de insulina decresce quando as vacas passam do estágio final da gestação para o início da lactação. Ocorre também aumento na resistência à insulina, que é manifestada através de vários passos metabólicos associados à utilização de glicose em todo corpo.
A mobilização de gordura corporal durante o final da gestação é facilitada, em parte, pelo decréscimo da capacidade da insulina de promover a lipogênese e se opor à lipólise. No início da lactação, ocorre a supressão total da lipogênese no tecido adiposo devido ao baixo nível plasmático de insulina e decresce a utilização de glicose e acetato devido à baixa sensibilidade do tecido adiposo à insulina.
A concentração plasmática de glicose permanece estável ou apresenta pequeno decréscimo durante o pré-parto, aumentando substancialmente durante a parição e decrescendo imediatamente após o parto. O aumento durante a parição pode ser resultado da maior concentração de glucagon e glucocorticóides que promoverão a mobilização do glicogênio hepático.
Os estrógenos têm suas concentrações aumentadas no plasma durante o final da gestação, atingindo o pico uma a duas semanas antes da parição. Este fato pode implicar em inapetência dos ruminantes durante o final da gestação e também em aumento da mobilização de tecido adiposo durante o início da lactação estando, portanto, relacionado com a etiologia do fígado gorduroso em vacas de leite. A concentração de progesterona durante o período seco está elevada para manutenção da gestação, mas declina rapidamente aproximadamente dois dias antes da parição. A concentração plasmática do hormônio do crescimento aumenta durante o final da gestação, culmina na parição, e declina após o parto. A somatotropina atua, aparentemente, de forma oposta à insulina, diminuindo a taxa de lipogênese.
A função imune é deprimida durante o período de transição. A menor habilidade do sistema imune em responder aos desafios infecciosos, provavelmente, é responsável pela alta incidência de infecções da glândula mamária e metrites no periparto. As causas da depressão na função imune não são bem compreendidas, no entanto, evidências recentes sugerem que o balanço energético negativo pode ser um dos principais fatores contribuintes. Estes achados estão de acordo com as observações de que vacas que perdem mais condição corporal (maior magnitude de balanço energético) apresentam maior predisposição a ficarem doentes.

Adaptações do metabolismo hepático durante o período de transição
A mudança abrupta em termos de exigência de nutrientes durante o período de transição exige refinado controle no metabolismo para atender os requerimentos da glândula mamária após a parição em termos de energia, glicose e aminoácidos. Estudos comparando animais aos 250 dias de gestação e aos quatro dias pós-parto, concluíram que no último período, as vacas teriam suas demandas de glicose, aminoácidos e ácidos graxos aumentadas em 3, 2 e 5 vezes, respectivamente.
O aumento na necessidade de glicose para atender ao dramático incremento na demanda, e a mobilização de grandes quantidades de gordura para suportar a lactação, são as principais modificações metabólicas das vacas durante o período de transição. O fígado apresenta papel fundamental nestas modificações. É um dos tecidos de maior atividade metabólica em ruminantes e utiliza aproximadamente 25% do consumo de oxigênio, embora represente apenas 2% do peso vivo do animal. Observa-se grande aumento do aporte de oxigênio para o fígado durante o período de transição. Um dos motivos do aumento na atividade metabólica do fígado está relacionado ao aumento na síntese de glicose após a parição. Experimentos mostram que pode haver grande contribuição de fontes de aminoácidos para síntese de glicose durante o início da lactação.
A mobilização de gordura corporal que ocorre no período de transição resulta na liberação de ácidos graxos não esterificados (AGNE) na corrente sanguínea. A magnitude da mobilização de gordura corporal está relacionada a fatores hormonais e dietéticos. Durante os últimos dias da gestação, as altas concentrações de estrógeno são consideradas um dos principais fatores que contribuem para a diminuição do consumo de matéria seca (CMS) no periparto. Após o parto, com o início da síntese de leite e o rápido aumento da produção, ocorre expressivo aumento na demanda de glicose para síntese de lactose, durante um período em que o consumo não acompanha o aumento de produção de leite. O balanço energético negativo resultante determina uma alta relação de hormônio do crescimento e insulina no sangue, promovendo a mobilização de ácidos graxos de cadeia longa do tecido adiposo. Quanto maior a extensão do balanço energético negativo, maior a quantidade de AGNE liberados pelo tecido adiposo, e maior a absorção dos mesmos pelo fígado. No fígado, os AGNE podem seguir as seguintes rotas metabólicas:
1) Sofrer completa oxidação em CO2, disponibilizando energia para o fígado, 2) Sofrer oxidação parcial com produção de corpos cetônicos, que são liberados na circulação e servem como fontes de energia para outros tecidos ou 3) Serem reesterificados em triglicérides (Figura 1).
O balanço energético negativo e a insuficiência de carboidratos no fígado após o parto levam à produção excessiva de corpos cetônicos, que pode resultar em quadros de cetose clínica ou subclínica. A grande absorção de AGNE pelo fígado pode levar ao desenvolvimento de fígado gorduroso, que geralmente precede a ocorrência de cetose. ¬A maior parte do acúmulo de triglicérides no fígado ocorre nos primeiros dias após o parto. A manutenção da ótima função hepática é um dos principais requisitos para uma transição tranqüila, boa saúde animal e boas produções de leite. Com o aumento da infiltração de gordura no fígado, funções normais do órgão são afetadas negativamente. O consumo de alimentos e o perfil de carboidratos na dieta são muito importantes na determinação da extensão da mobilização de gorduras, fígado gorduroso, e produção de corpos cetônicos.
Figura 1 – Esquema do metabolismo de ácidos graxos não esterificados em gado de leite
Adaptado de Drackley (1999)
Condição nutricional das vacas no período de transição
Embora não estejam produzindo leite no pré-parto, os animais sofrem uma série de mudanças que resultam em aumento significativo das exigências de nutrientes. A Tabela 2 ilustra claramente o substancial aumento na demanda nutricional nos últimos 30 dias de gestação. Entretanto, o incremento de nutrientes ocorre simultaneamente ao declínio no apetite e ingestão de alimentos, submetendo o animal a um quadro de balanço energético negativo, como pode ser observado na Figura 2.
Para compensar o aumento na demanda energética resultante do crescimento fetal e da lactogênese e o balanço energético negativo causado pelo decréscimo na ingestão de MS próximo ao parto, o animal começa a mobilizar tecido adiposo, tendo como conseqüência o aumento nas concentrações plasmáticas de AGNE, como pode ser observado na figura 4.
Tabela 2 – Deposição de energia e proteína no útero e no feto durante a gestação em vacas da raça Holandês
Figura 2 – Estimativa do balanço energético em vacas no periparto
Figura 4 – Concentração de ácidos graxos não esterificados em vacas no período de transição
Fatores que afetam a ingestão de matéria seca no período de transição
A ingestão de matéria seca diminui durante as três últimas semanas que antecedem o parto, sendo a maior queda observada na última semana. Essa diminuição é suficiente para permitir a ocorrência de déficit energético, mesmo antes do parto.
Muitos fatores afetam a ingestão de matéria seca pela vaca no período pré-parto. Dentre eles é possível citar o ambiente, a condição fisiológica, ordem de parição, condição corporal e composição da dieta, como ilustrado pela Figura 5. Infelizmente, pouco se conhece sobre a importância de cada um desses fatores ou da interação entre eles. Portanto, uma predição acurada da ingestão de matéria seca durante o período pré-parto ainda não é possível. Existe uma grande variação no consumo entre vacas dentro de um mesmo rebanho e entre rebanhos diferentes. Por estas razões o consumo deve ser controlado em cada fazenda, ao invés de ser apenas estimado.
Figura 5 – Importância relativa à condição corporal, parição, dia antes do parto e composição da dieta sobre a ingestão de matéria seca.
Estado fisiológico
O estado fisiológico, especificamente o estágio de gestação, ou tempo relativo ao parto, influencia a ingestão de MS. Uma diminuição no consumo da ordem de 30-35% não é incomum durante as três últimas semanas que antecedem o parto. Os fatores fisiológicos que determinam essa queda no consumo não são conhecidos. Uma hipótese sugerida por alguns pesquisadores é a possibilidade de diminuição do espaço físico no rúmen em conseqüência do crescimento do feto, o que pode ocorrer em alguma extensão. Entretanto, a curva de crescimento fetal e a de ingestão de matéria seca não são diretamente correlacionadas. O tamanho fetal aumenta mais rapidamente do que a queda na ingestão de matéria seca. A explicação mais provável parece ser a de que as mudanças endócrinas associadas ao parto e a lactogênese estejam envolvidas. Como exemplo, pode-se citar o fato de que o estrógeno tem sido correlacionado negativamente com o consumo de MS e sua concentração aumenta consideravelmente com a aproximação do parto.
Ordem da parição
Considerando que as novilhas continuam crescendo durante o final da gestação, seria esperado que a ingestão, expressa como porcentagem do peso vivo, fosse maior, visando atender à demanda nutricional para crescimento e mantença. Porém, durante o período de transição, as novilhas apresentam menor consumo de MS em quantidade e também em relação ao peso vivo quando comparadas às vacas multíparas.
Condição corporal
Dados de literatura mostram que o escore de condição corporal é um importante fator que influencia o consumo de vacas no período pré-parto. Estudos demonstram que, no final da gestação, vacas magras apresentam queda mais tardia no consumo que vacas obesas. O menor consumo observado nas vacas supercondicionadas, provavelmente, contribui para uma maior predisposição ao desenvolvimento de doenças metabólicas.
Fatores da dieta
De maneira geral, o consumo de MS em ruminantes é inversamente correlacionado aos teores de FDN das dietas. Estudos demonstram que a redução da FDN de 40% para 30% em dietas de pré-parto resulta em um substancial aumento na ingestão de MS, ou seja, a formulação de dietas com baixo teor de FDN pode maximizar o consumo de matéria seca. Entretanto, pesquisas recentes têm demonstrado que vacas alimentadas com dietas contendo baixo nível de FDN, tendo o consumo maximizado por longos períodos de tempo (mais de 3 semanas pré-parto), podem apresentar comprometimentos na saúde e na produtividade pós-parto.
Vários trabalhos demonstram que existe pouco efeito do conteúdo protéico, e dos teores de proteína degradável no rúmen (PDR) e/ou proteína não degradável no rúmen (PNDR), sobre a ingestão de MS no pré-parto. Experimentos recentes, feitos exclusivamente para determinar os efeitos da proteína dietética pré-parto sobre a performance de vacas leiteiras, indicaram que o consumo pré-parto não foi afetado. Por outro lado, existe alguma indicação de que o consumo pós-parto pode ser influenciado pelo nível de proteína na dieta pré-parto, embora não existam informações consolidadas.
Revisão dos conceitos de densidade energética para vacas no pré-parto
É provável que as condições energéticas durante o período de transição sejam o melhor indicador para prever a ocorrência de complicações pós-parto. Pesquisadores avaliaram o nível de ácidos graxos não esterificados (AGNE) no plasma antes do parto como indicador do equilíbrio energético e observaram relação positiva entre AGNE e a incidência de todos os distúrbios comuns no pós-parto, exceto hipocalcemia/febre do leite. Utilizando conhecimentos de nutrição, deve-se evitar ao máximo o balanço energético negativo no pré-parto e alterações drásticas deste equilíbrio no pós-parto. Entre os fatores que determinam o balanço energético, é possível influenciar o consumo de energia, que é uma função do consumo de matéria seca e da densidade de energia da dieta.
Embora estudos preliminares tenham observado efeitos pequenos ou nulos do incremento no consumo de concentrado no pré-parto sobre a produção de leite no pós-parto, foram encontradas mudanças significativas na composição do leite. Ganhos elevados durante o pré-parto em função da maior ingestão de energia foram freqüentemente associados a maiores conteúdos de gordura e menores de proteína no leite durante o início da lactação.
Estudos demonstraram que vacas forçadas a se alimentar (por meio de fístula ruminal) antes da parição, apresentaram menores concentrações de triglicerídeos no fígado e cetonas no plasma, além de maiores produções leiteiras e teores de gordura no leite após a parição, em comparação com aquelas que passaram pela redução típica de consumo de ração antes da parição. Porém, vários estudos recentes têm demonstrado que talvez não seja essencial maximizar o consumo de matéria seca no pré-parto. Pesquisadores americanos relataram que vacas com acesso restrito à alimentação durante o período seco apresentaram menos triglicerídeos no fígado na época da parição e maior consumo de matéria seca após o parto. Uma possibilidade para explicar essa observação é a de que o fígado se adapte à exposição crônica a elevados níveis de AGNE no plasma e ajuste o seu metabolismo para maior oxidação de ácidos graxos e menor esterificação dos triglicérides. Diante da falta de unanimidade das informações relacionadas à maximização ou restrição do consumo de alimentos, o mais importante talvez seja minimizar a redução de consumo à medida que se aproxima a parição.
Durante os últimos 20 anos, dietas de mais alta densidade têm sido utilizadas durante o pré-parto geralmente a partir de três semanas antes do parto. A recomendação baseava-se em pesquisas mostrando as vantagens da adaptação da microbiota ruminal e das papilas ruminais as dietas de alta densidade típicas do pós-parto, diminuição da mobilização de gordura corporal e deposição de gordura no fígado. No entanto, novos dados de pesquisa e experiências de campo têm demonstrado que dietas mais densas antes do parto foram ineficazes em melhorar o desempenho produtivo pós-parto, a condição corporal, a reprodução, e a saúde de vacas no início de lactação. Dados coletados por pesquisadores da Universidade de Illinois nos Estados Unidos demonstram que vacas alimentadas no pré-parto, até mesmo com níveis moderados de energia (1,50 a 1,61 Mcal de ELl/kg), podem consumir 40 a 80% mais energia líquida (ELl) que as suas necessidades durante o período pré-parto. O mais importante é que estes estudos demonstram que, permitir que as vacas consumam mais energia nesta intensidade pode predispor esses animais a problemas de saúde durante o período de transição, principalmente se são submetidas a desafios de manejo que limitem o consumo de matéria seca ou a outros fatores estressantes. Os dados demonstram que permitir que as vacas consumam mais energia do que o necessário, mesmo que não se tornem aparentemente super-condicionadas, resulta em respostas típicas de vacas obesas. Os pesquisadores especulam que o excesso de energia seja armazenado na forma de gordura e que os AGNE e moléculas sinalizadoras liberadas pelo tecido adiposo iriam diretamente ao fígado, causando fígado gorduroso, cetose sub-clínica e outros problemas secundários relacionados com a função hepática.
Dietas com Baixo conteúdo de Energia
Uma maneira de controlar o consumo de energia é formular dietas com baixo teor de energia (1,30 a 1,40 Mcal de ELl/ kg de MS), permitindo que as vacas consumam à vontade sem que excedam muito as exigências diárias de energia. Para isso, é muito comum a utilização de forragens com alto teor de FDN e a diminuição da utilização de forragens com alto conteúdo energético como silagens de milho de boa qualidade. Na América do Norte e Europa, isso tem sido feito por meio da adição de forragens de alto conteúdo de fibra como a palha de trigo, cevada ou aveia nas dietas. Dietas completas com alto conteúdo de palha de trigo, com tamanho de partícula adequado, têm sido utilizadas com grande sucesso nesses países, evitando-se assim a seleção de alimentos
Pesquisadores da Universidade de Illinois recomendam a seguinte composição de dieta (Drackley, 2007):
*Densidade enegética: 1,30 a 1,40 Mcal de ELl/kg de MS. * Proteína Bruta : 12 a 14% (14 a 15% recomendado para novilhas no pré-parto); ingestão de mais de 1000g/dia de proteína metabolizável predita pelos modelos NRC (2001) e modelo CNCPS/CPM de Cornell. * Conteúdo de amido: 12 a 16% da MS * Conteúdo de FDN oriundo de forragem (FNDF): 40 a 50 % da dieta total (MS) (consumo de 0,7 a 0,8% do peso vivo).
As recomendações de minerais e vitaminas para dietas comuns e aniônicas no pré-parto estão apresentadas na tabela abaixo.
A Tab. 3 apresenta referências de consumo de MS com base no NRC (2001). Consumos inferiores aos listados abaixo podem ser prejudiciais, sendo necessário, nesses casos, que sejam feitos cálculos para se estimar o equilíbrio energético entre vacas e novilhas. O balanço energético não deve ser negativo até alguns dias antes da parição e o consumo não deve cair mais de 30% durante a última semana de gestação.
Tabela 3 - Consumo esperado (% PV) em vacas em período de transição pré-parto
Proteína no periparto
O NRC (2001) estima que níveis dietéticos de PB de 12% para vacas e de 14-15% para novilhas seriam suficientes para atender às exigências nutricionais totais no pré-parto. Estudos sugerem alguns inconvenientes da utilização de maiores níveis de PB neste período como, por exemplo, menor consumo de matéria seca no pós-parto. Pode-se observar também, menor capacidade de detoxificação de amônia pelo fígado no periparto, devido ao acúmulo de gordura no órgão. No pós-parto, o consumo de matéria seca é baixo, mas as necessidades de proteína aumentam rápido devido à produção de leite, tornando-se necessário o ajuste dos níveis protéicos da dieta de acordo com as exigências nutricionais para a produção.
Conforto ambiental
Outro fator crítico para o sucesso do período de transição é o conforto ambiental. A vaca seca passa por um grande estresse com a parição e início da lactação, e um ambiente adequado é uma peça chave na diminuição do estresse.
Estudos relatam alta incidência de mastite ambiental nas duas primeiras e nas duas últimas semanas do período seco. É extremamente importante a verificação das condições ambientais com o objetivo de reduzir a exposição dos animais aos patógenos causadores de infecções. Estudos indicam que os benefícios do ambiente adequado ao minimizar o estresse animal estariam relacionados ao aumento da função imune e aumento da resistência a microrganismos patogênicos, além da manutenção do consumo de matéria seca e consequente menor variação dos níveis sanguíneos de AGNE.
Altas temperaturas resultam em significativo estresse térmico para vacas no período de transição. A exposição ao calor excessivo durante o último trimestre da gestação aumenta o fluxo sanguíneo para as extremidades e conseqüente diminuição do fluxo próximo ao útero, podendo comprometer o crescimento da placenta e do feto. Pesquisas reportam aumentos de 12 pontos percentuais na ocorrência de retenção de placenta em meses mais quentes do ano quando comparados aos de temperaturas mais amenas. Alterações hormonais durante o estresse calórico podem afetar o desenvolvimento da glândula mamária e a lactogênese, reduzindo a produção de leite na lactação subseqüente. O sombreamento de pastagens e a utilização de ventiladores e aspersores em sistemas “free-stall” são exemplos de medidas a serem adotadas, visando ao maior conforto térmico dos animais. Durante o período de transição os animais apresentam pouca capacidade de competição, necessitando de espaços adequados de comedouros para minimizar variações de consumo. Recomenda-se um mínimo de 75 cm por vaca, visando ao maior conforto animal e menor variação de consumo dentro dos lotes.
Considerações Finais
Estratégias nutricionais que evitem o consumo excessivo de energia durante o pré-parto estão associadas a melhores condições de saúde durante o periparto. Além disso, deve-se evitar que os animais apresentem extremos de condição corporal (menor que 3,0 ou maior que 4,0) já que os mesmos estão mais susceptíveis a problemas no periparto.
Condições ambientais e de manejo que visem a maximização do conforto e a diminuição de situações que promovam o estresse estão dentre os fatores mais importantes para uma transição tranqüila.
Principais referências bibliográficas
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Drackley, J. K. 1999. Biology of dairy cows during the transition period: the final frontier? Journal Dairy Science. 82: 2259-2273.
Grummer, R. R, 1995. Impact of changes in organic nutrient metabolism on feeding the transition dairy cow. Journal Animal Science. 73:2820-2833.
Grummer, R. R., 2002. Estratégias para reduzir a incidência de desordens metabólicas no periparto. VI Curso de Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos. Uberlândia, MG. pág. 60.
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:: Comentários ::
Antônio Furtado -
Representante Comercial
O artigo é ótimo e veio reforçar conhecimentos adquiridos no Curso de Pós Graduação em Bovinos de Corte e Leite oferecido pelo ReHAgro.
Mas, pensamos que poderia também ter focado a importância da adaptação dos animais à dieta post parto.
Att.
Antônio Furtado.
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marcelo erthal pires -
Consultor Técnico
Muito bom trabalho científico, traz luz a um obscuro período no ciclo alimentar ligado a reprodução. Grande!!!!
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LUZIA -
Produtor - Gado de Leite
Quero só saber quantas semanas uma vaca leva para parir?
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Equipe Rehagro - 31/03/2010 11:54
Consultor Técnico
Cara Luiza, a vaca leva em torno de 285 dias - 40,7 semanas. Porém animais zebuinos levam alguns dias à mais para parir.
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