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Qual é a vantagem do pagamento por qualidade da carcaça ovina? Leia em "Rendimento dos Cortes Comerciais de Ovinos e Avaliação Econômica dos Mesmos - Parte 1"
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Artigos Técnicos
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Publicado em
03/11/2008
por
Leonardo de Rago Nery Alves: Médico Veterinário, pós-graduando em ovinocultura de corte pelo ReHAgro.
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1. Introdução

A ovinocultura é um ramo da pecuária de exploração diversa, estando distribuída em todo o mundo em criatórios para subsistência, como atividade complementar ou como empreendimento comercial de pequena, média e grande escala. Nos países menos desenvolvidos a ovinocultura atinge populações expressivas, porém os rebanhos são pequenos e há pouca organização em torno do comércio dos produtos ovinos. Nas nações desenvolvidas as populações ovinas podem se dividir em pequenos ou grandes rebanhos, mas em ambos os casos há a inserção dessas explorações em organizações comerciais importantes, gerando renda para os produtores e receita para o país. No Brasil, a ovinocultura, especialmente a de corte, se mostra em fase de crescimento e em busca de consolidação dos mercados, havendo, assim, instabilidade para o produtor. A demanda pela carne ovina, no entanto, é maior que a oferta interna e cresce em ritmo acelerado, o que faz da exploração de ovinos de corte uma oportunidade interessante para o produtor, esteja ele em qualquer região do país.
Como conseqüência dos distintos sistemas de produção e de suas raças, o mercado da carne ovina apresenta grande variabilidade dos caracteres quantitativos e qualitativos que definem os diferentes tipos de carcaças comerciais (COSTA et al., 2006). Esta variação é importante por oferecer ao mercado consumidor diferentes tipos de carcaça, atendendo assim as preferências diversas, entretanto, como não há volume compatível com a demanda, a variação passa a ser um problema. De um modo geral, por todo o Brasil, a comercialização do cordeiro é feita com o animal vivo. Sendo assim, o peso do animal é a medida determinante de preços. Como conseqüência, podem ser colocadas no mercado carcaças de baixa qualidade, de animais mal terminados e com idade avançada; ou seja, com desuniformidade qualitativa e quantitativa da carcaça e carne oferecida (COSTA et al., 2006).
Com o desenvolvimento da ovinocultura no Sudeste, e a entrada de empresários com visão mais moderna no setor, alguns frigoríficos começaram a fazer pagamento diferenciado pela qualidade de carcaça e o peso morto tem sido a base da negociação em muitos casos. Em Minas Gerais, a pioneira nesse tipo de remuneração foi a PROCORDEIRO – Cooperativa Mineira dos Produtores de Cordeiro. A experiência dos produtores com a preparação dos cortes comerciais, o contato com clientes intermediários e com o consumidor final, mostrou que a variação na musculosidade e na apresentação final do produto era grande, mesmo quando o peso dos cordeiros vivos era uniforme. O rendimento de carcaça influi muito diretamente no valor recebido pelo produto, e é mais justo com o produtor que o pagamento seja relativo a esse rendimento. Assim, a cooperativa passou a remunerar seus associados pelo peso da carcaça e posteriormente passou a premiar as carcaças com maior musculosidade, usando para isso uma composição entre rendimento e classes de peso.
Uma forma mais adequada de calcular o valor das carcaças é por meio de caracteres quantitativos, dando destaque para as medidas morfológicas, peso e rendimento dos cortes, composição regional, composição tecidual, conformação e musculosidade da carcaça. Como os cortes têm valor de mercado diferenciado, o conhecimento do seu rendimento percentual é importante, inclusive, para direcionar a seleção de reprodutores, com base no valor médio obtido com as carcaças de suas progênies. Com o acesso às informações da indústria, os índices de seleção poderão incorporar mais esse refinamento. O objetivo deste trabalho foi avaliar as variações no rendimento percentual dos cortes comerciais efetuados pela PROCORDEIRO e quantificar os resultados econômicos advindos dessas diferenças.
2. Revisão da Literatura
A produção mundial de carne ovina situa-se em torno de 2,5 milhões de toneladas, com exportações médias de 880 toneladas; entretanto, no Brasil ainda não existe uma estrutura sólida para a comercialização dessa importante fonte de proteína animal, que possui ótimo potencial para minimizar a deficiência alimentar da população (OLIVEIRA et al., 2002). De acordo com Rufino (2005), o Brasil como produtor de carne ovina, contribui com menos de 1,0 % da produção mundial, apresentando um abate médio anual de 400 mil cabeças, com fortes flutuações entre os anos. O aumento do consumo da carne, o peso ao abate e a qualidade da carcaça, são os temas mais discutidos, objetivando atender a demanda do mercado consumidor.
Uma das peculiaridades da espécie ovina é apresentar alta eficiência para ganho de peso nos primeiros seis meses de vida, somando-se, ainda, o rápido ciclo reprodutivo, pois com 11 meses, incluindo cinco de gestação, já é possível o abate dos animais, o que torna a ovinocultura uma atividade da pecuária com retorno econômico garantido (RUFINO, 2005). Os animais, geralmente, são vendidos pelo peso vivo com, aproximadamente, 30 kg, acreditando-se que este proporcione carcaças de qualidade visando a sua maior valorização pelo mercado consumidor (BUENO et al., 2007; COSTA et al., 2006), além de tornar o produto mais uniforme (OSÓRIO et al., 1999). A preocupação com a qualidade de um alimento posto à disposição da humanidade é, atualmente, um dos temas mais comentados e que tem demandado, cada vez mais, informações (PÉREZ et al., 2007). A qualificação é feita com base na conformação e composição (RUFINO, 2005). A carcaça é o produto básico das transações comerciais dos grandes mercados, nacionais e internacionais (COSTA et al., 2006).
Entende-se por carcaça o corpo do animal abatido por sangria, depois de retirada a pele e vísceras, sem a cabeça e porções distais das extremidades das patas dianteiras e traseiras, podendo ocorrer algumas variações entre países, de acordo com o uso e costumes locais (PEREZ et al. 2007). Definem o valor da carcaça, a proporção entre as diferentes partes, ou cortes, quais sejam: o traseiro, o dianteiro, baixos e o costilhar; as proporções entre carne, osso e gordura e a distribuição desses diferentes tecidos em cada um dos cortes e leva em conta, ainda, as medidas de partes específicas relacionadas à características de maior interesse comercial (BUENO et al., 2007). Essas medidas, quando realizadas, são importantes por permitirem uma comparação dinâmica entre raças, idades, pesos, sistemas de produção, e também, o estabelecimento de correlações com outras medidas ou com os tecidos constituintes da carcaça, possibilitando a estimação das suas características físicas, assim evitando o processo de dissecação da carcaça (ZUNDT et al., 2003).
Os principais caracteres quantitativos da carcaça que podem ser identificados são: medidas morfológicas, peso e rendimento, composição regional, composição tecidual e musculosidade da carcaça (COSTA et al., 2006). O estudo das carcaças é uma avaliação de parâmetros relacionados com medidas objetivas e subjetivas em relação à mesma e deve estar ligado aos aspectos e atributos inerentes à porção comestível. Atualmente, a meta em ovinos de corte é a obtenção de animais capazes de direcionar grandes quantidades de nutrientes para a produção de músculos, uma vez que o acúmulo desse tecido é desejável e reflete a maior parte da porção comestível de uma carcaça (PÉREZ et al., 2007). O rendimento dos cortes cárneos é geralmente, o primeiro índice a ser considerado e o seu conhecimento é fundamental para estimar o valor comercial da carcaça (COSTA et al., 2006). É dado pela porcentagem correspondente ao peso do tecido muscular, propriamente dito, na carcaça (LAWRIE, 2005). Independente da categoria animal, a maior parte das carcaças se caracterizam por não terem acabamento e apresentarem rendimentos muito inferiores ao desejado (SELAIVE-VILLARROEL et al., 1997). De acordo com Lawrie (2005), o rendimento de carcaça está intimamente relacionado com a conformação da carcaça. A tabela 1 mostra o rendimento médio de carcaças de ovinos, encontrado por diversos autores:
Analisando os cortes comerciais de ovinos Bergamácia e Santa Inês, Oliveira et al. (2002 a) estimou um percentual dos cortes em função da ½ carcaça baseando nos pesos médios encontrados. Os valores estão representados na tabela 2.
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| Universalmente, admite-se que a conformação de carcaça seja um dos fatores que mais incidem sobre o valor final de comercialização da carne (OLIVEIRA et al., 2002a). A conformação expressa o desenvolvimento das massas musculares, sendo um parâmetro obtido pela verificação dos perfis musculares, os quais definem anatomicamente as regiões de uma carcaça. Uma conformação superior indica elevada proporção músculo:osso, com maior distribuição nos cortes nobres. Visualmente busca-se uma carcaça convexa, particularmente no traseiro, já que essa parte da carcaça tende a ter menor gordura de cobertura e elevada relação músculo:osso. Uma carcaça intermediária é avaliada como retilínea, ao passo que uma carcaça inferior é avaliada como côncava, apresentando um desenvolvimento muscular precário e mal distribuído (PÉREZ et al., 2007). Assim, a determinação da conformação é um critério indispensável para tipificar e classificar as carcaças (OLIVEIRA et al., 2002a). A estimativa de conformação pode ser feita de forma subjetiva, pela avaiação visual das distintas formas, sendo altamente sujeita a erros de observação; ou de forma objetiva, mediante a determinação de medições em vários pontos da carcaça (OLIVEIRA et al., 2002a). A tabela 3 apresenta o rendimento médio das carcaças com diferentes conformações:
A seleção de animais com uma boa conformação propicia um maior rendimento de carcaça e a obtenção de uma maior quantidade de produto aproveitável, de acordo com Pérez et al. (2007). Em todas as características de natureza quantitativa da carcaça, atuam grande quantidade de fatores intrínsecos como: raça, idade, sexo, peso vivo, tipo de nascimento, sanidade; e extrínsecos ao animal, como: alimentação, clima, manejo, etc (OSÓRIO et al., 1999; SILVA et al., 2000; OLIVEIRA et al., 2002; ROSA et al., 2002; COSTA et al., 2006; ZUNDT et al., 2001; SOUZA et al., 2002; SOBRINHO et al., 2005; PÈREZ et al., 2007). Raça: De acordo com experimento realizado por Garcia et al. (2000), animais cruzados possuem grande superioridade em relação a cordeiros Santa Inês puros, mostrando a vantagem de utilização de uma raça especializada como a Texel; já os animais Santa Inês apresentam menor quantidade de gordura subcutânea, indicando a potencialidade da raça para obtenção de carcaças magras. Idade e Peso: O abate de cordeiros ao desmame com 45 dias de idade e peso aproximado de 20 kg proporcionou altos rendimentos de carcaça, no entanto, o abate aos 28 kg de peso vivo é mais adequado, pois proporciona maior equilíbrio quanto às características quantitativas da carcaça (SILVA et al., 2000). A tabela 4 mostra o efeito do peso ao abate sobre as pesagens diversas em ovinos:
Sexo: Conforme experimento realizado por Rosa et al. (2002), conclui-se que o crescimento muscular da paleta é precoce em machos e tardio nas fêmeas; sendo assim, em cordeiros jovens com um mesmo peso de carcaça, os machos apresentam maior musculosidade, nesse corte, que as fêmeas. Em contrapartida, de acordo com Garcia et al. (2000), atribui-se maior rendimento de carcaça às fêmeas, devido à sua maior deposição de gordura. Dieta: Nos sistemas de produção de carne, a alimentação, entre outros fatores, reflete diretamente na quantidade e qualidade do produto final, sendo as características da carcaça de importância fundamental na comercialização (SOBRINHO et al., 2005). Dieta x Morfometria da carcaça: A baixa ingestão de energia e proteína atrofia os tecidos e, em conseqüência, podem modificar-se as proporções corporais (COSTA et al., 2006). Dieta x Peso e Rendimento da carcaça: de acordo com COSTA et al., (2006), o aumento da concentração energética e protéica da dieta resulta em valores desejáveis para os rendimentos da carcaça e os pesos e rendimentos dos cortes, mantendo assim as boas características de carcaça. Dieta x Composição tecidual da carcaça: o manejo e níveis de nutrição distintos levam o animal de corte a apresentar diferenças consideráveis na relação carne x osso x gordura, mesmo sendo geneticamente idênticos, com importante repercussão em seu valor comercial (COSTA et al., 2006). Osório et al. (1999) e Sobrinho et al. (2002) observaram em cordeiros que o uso de diferentes sistemas de alimentação e dietas ricas em concentrados, respectivamente, aumentaram os teores de gordura na carcaça, principalmente quando os cordeiros foram abatidos com pesos elevados. Dieta x Musculosidade: Animais suplementados com concentrado com níveis de proteína altos apresentam um maior índice de musculosidade e área de olho de lombo (COSTA et al. 2006; ZUNDT et al., 2001). Clique aqui e leia a segunda parte !
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:: Comentários ::
Sergio Salum -
Produtor - Ovino
O artigo é muito importante para o crescimento da ovinocultura. Parabéns!
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José Antonio-Canecão - 19/11/2008 18:08
Consultor Técnico
O artigo é fundamental para o conhecimento e aprimoramento dos que produzem a ovinocultura. Parabéns!
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