Já refletiu sobre mudanças ocorridas em função de simples decisões? Leia no artigo " Decisões eficazes" e valorize o processo de tomada de decisão.
Ponto de Vista
Publicado em 24/11/2008 por Eduardo Diniz; Graduando em agronomia, estagiário - Equipe ReHAgro.

Processo de tomada de decisão

Você já parou para refletir sobre as mudanças ocorridas em nossas vidas em função de simples decisões?  Situações onde a escolha de alternativas diferentes poderia ter mudado o rumo de negócios, pessoas, organizações e até mesmo de grandes nações mundiais?
 Muitos líderes conseguem tomar suas decisões baseados exclusivamente em suas aspirações e sentimentos a respeito das diferentes situações. No entanto, para que possamos acertar mais em nossas decisões, torna-se necessária a valorização do processo de tomada de decisão, visando gerar condições para que pessoas que atuam em cargos que necessitam decidir, possam acertar cada vez mais em suas escolhas.

Outro fato que devemos considerar é a quantidade de informações disponíveis associadas à velocidade com que as mudanças vêm ocorrendo.  Comparando às situações do passado, podemos ver que o acesso a tantas informações faz com que a quantidade de variáveis aumente , tornando o risco de uma escolha errada mais evidente.  Se não bastasse, atualmente, uma decisão errada pode tomar proporções bem mais graves do que no passado.
Por que tomar decisões por vezes se torna tão complexo?  Se pensarmos profundamente no assunto, quando escolhemos, abrimos mão, de uma só vez,  de todas as outras alternativas . Isso pode se tornar desafiador, uma vez que a nossa decisão deve ser melhor do que aquelas outras possíveis anteriormente. Outro ponto interessante é que, a partir do momento que optamos por liderar, automaticamente, optamos por ter que decidir mais. Ao mesmo tempo, o impacto de nossas decisões passa a afetar uma quantidade maior de pessoas e processos.
Ao entrarmos mais um pouco na essência de uma tomada de decisão, verificamos que esta está intimamente ligada à maneira de pensar e agir daquele que vai tomá-la. Encontramos, portanto, uma estreita ligação entre as decisões tomadas e os valores, as crenças, enfim, a maneira de ser e pensar da pessoa que as toma. Partindo desta linha de raciocínio, torna-se claro o fato de existirem tantas decisões com as quais não concordamos, e ainda, de que decisões de sucesso em determinada sociedade podem se tornar desastrosas em outras.

Como citado, somos diretamente influenciados por nossas maneiras de pensar e agir. Além disso, temos a difícil tarefa de escolher aquela única alternativa que se aplica à nossa necessidade. Se não bastasse, uma decisão certa, mas fora de hora pode não ter valor algum. Em função destas razões, devemos ter em mente alguns fatores que nos levarão a tomar decisões mais seguras e com maior chance de acerto. Destacaremos a seguir alguns itens que acreditamos auxiliar a montar um processo de tomada de decisões eficiente:

• Utilizar dados históricos e índices- A quantidade e qualidade das informações disponíveis se tornam cada dia maiores. Assim, não há possibilidade de montarmos um processo de tomada de decisões inteligente e eficaz se não trabalharmos com números confiáveis associados a pesquisas de mercado, índices internos e externos das empresas, histórico de decisões e fatos anteriores, enfim, informações que balizem e dêem consistência às nossas decisões.

• Submeter as decisões a maneiras de pensar diferentes -   Muitas decisões são tomadas no ambiente organizacional. Assim, ao consultar as pessoas  diretamente envolvidas nas decisões , estas serão compartilhadas por um número maior de pessoas e por conseqüência, serão submetidas a diferentes  “maneiras de pensar”. A partir de então, várias informações serão avaliadas por formas de pensar distintas e vencerá a decisão que apresentar uma maior capacidade argumentativa. Esta decisão, geralmente será uma fusão das melhores idéias, provenientes das diferentes percepções e por isso já terão sido criticadas e revisadas por todas elas. Outro fato interessante é que quando as decisões são tomadas a partir de discussões, há o envolvimento de um maior número de pessoas. Assim, a implementação das decisões dentro da empresa se torna mais acelerada e eficiente, gerando ainda um grau de motivação superior na equipe.

• Boas decisões, em geral, têm aspectos contraditórios- Quando recebemos informações ou decisões que se apresentam sem nenhum aspecto contraditório, devemos ficar atentos ao fato de que, possivelmente, não foram devidamente avaliadas e criticadas. Geralmente, boas decisões passam por avaliação de prós e contras. Quando os contras não são conhecidos, devemos ficar alertas, pois podem existir falhas na avaliação das decisões.

• Sermos críticos de nossas próprias decisões- Você conhece líderes os quais, quando chegamos com alguma dúvida ou problema, já têm a decisão correta e decisiva? Estes líderes existem e muitas vezes tomam suas decisões sem analisar suas possíveis variáveis, correndo sérios riscos de erro. Portanto, tentarmos nos posicionar do outro lado da questão nos tornando críticos de nossas próprias decisões, pode ser uma ferramenta de grande utilidade para acertar mais em nossas escolhas.

• Procurar romper paradigmas- Existem situações em que as alternativas eram tão absurdas anteriormente que nem eram consideradas no processo de tomada de decisão. Ao instituirmos uma simples pergunta: - Por que não?- vários paradigmas podem ser quebrados e tais decisões absurdas podem se tornar grandes acertos. Devemos lembrar que grandes decisões foram tomadas contrárias às verdades absolutas da época.

• Uso da intuição- Por fim, após nos ampararmos em dados, pesquisas, informações atualizadas, buscarmos opinião de pessoas envolvidas no processo que tenham maneiras diferentes de pensar da nossa, verificar o quanto questionamos os prós e contras de nossas decisões, sermos críticos de nossas próprias idéias, usarmos o “por que não”, podemos lançar mão de nossa intuição. Esta é fundamental para enxergarmos além daquilo que o mercado está vendo. Com o uso da intuição, podemos tomar decisões arrojadas que antes eram diretamente ligadas a altos riscos. No entanto, ao passarmos nossas decisões por todos os processos acima descritos, este risco passa a ser mais bem calculado e nossa intuição passa a contar com um nível maior de precisão.
 
Vale lembrar que, muitas vezes, o que importa não é acertar sempre, mas sim ter um processo com bases sólidas e bem estruturadas, visando gerar decisões consistentes e bem direcionadas. 

Decidir é fácil, o difícil é acertar!


:: Comentários ::

Rubens Mazon - 25/11/2008 19:00
Produtor - Gado de Leite

Artigo bem fundamentado sobre assunto de grande relevância. Sugiro, se possível, expandir um pouco sobre o processo intuitivo: é o que seguramente evita os enganos do processo mental de tomada de decisão. A chamada "Teoria das Decisões" utiliza ferramentas da matemática para auxiliar nessa árdua tarefa de decidir. Vale também lembrar que após analisar, com base no maior número possível de informações, e entregar para nossos níveis intuitivos DEVEMOS tentar aguardar esses níveis sutis se manifestarem. Em minha experiência as questões assim tratadas são solucionadas ou "decididas" de uma forma meio mágica e com muita perfeição.
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