Entenda como utilizar o pós-dipping e seus benefícios para a redução da mastite
O que é o pós dipping?
O pós-dipping consiste na imersão ou aspersão por meio de spray dos tetos em uma solução desinfetante. É uma prática bastante eficiente para a redução dos casos de mastite em uma propriedade. Perguntas e respostas comuns sobre o assunto:
Qual o objetivo da desinfecção dos tetos pós-ordenha?
A taxa de novas infecções de mastite está relacionada à quantidade de patógenos causadores de mastite na superfície dos tetos. A desinfecção dos tetos com um agente germicida imediatamente após a ordenha elimina a maioria desses patógenos, reduzindo, assim, a possibilidade de que esses microrganismos entrem na glândula mamária e causem mastite.
O pós-dipping é bastante efetivo contra microrganismos contagiosos como Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae. Esses dois patógenos são transmitidos de uma vaca para outra durante o processo de ordenha. Por isso, após a retirada do equipamento de ordenha, devemos promover a desinfecção dos tetos, pois esses microrganismos podem estar presentes nas teteiras e colonizar o canal do teto, adentrando na glândula mamária. É importante lembrar que o pós-dipping é menos eficiente contra microrganismos conhecidos como ambientais, como coliformes e Streptococcus sp., exceto o Streptococcus agalactiae. O controle desses patógenos ambientais é alcançado através de outras medidas tais como manutenção do ambiente das vacas limpo e seco, boa desinfecção e secagem dos tetos antes da ordenha e manutenção do equipamento de ordenha em bom estado de funcionamento. O pós-dipping deve ser mantido mesmo que o rebanho seja livre de Streptococcus agalactiae e a Contagem de Células Somáticas (CCS) do mesmo esteja em um nível baixo, ou seja, tenha baixa incidência de mastite contagiosa.
Quais resultados são esperados?
É esperado que mais de 50% das infecções sejam prevenidas pelo uso do pós-dipping com um produto eficiente após todas as ordenhas. Deve ser ressaltado que o pós-dipping não afeta a infecção já existente, ele somente é capaz de prevenir novas infecções no rebanho. As infecções existentes são eliminadas pelo tratamento do animal durante a lactação ou secagem ou pelo descarte de animais com infecção crônica. A prevenção da ocorrência de novas infecções aliada à eliminação dos casos existentes reduz o nível de mastite do rebanho. Redução nos casos clínicos e/ou menores CCS de rebanho são comumente observados com a adoção dessas práticas, geralmente ocorrem em poucos meses.
Como deve ser aplicado?
O pós-dipping pode ser aplicado pela imersão dos tetos ou através de spray com a solução desinfetante. Ambos os métodos são aceitáveis, desde que realizados de forma correta, cobrindo toda a superfície do teto, principalmente quando se utiliza o spray. Na prática, tem sido observado que a desinfecção dos tetos com spray requer mais atenção para que se consiga cobrir toda a superfície do teto com o produto. Deve-se ter atenção para que todos os tetos ordenhados sejam cobertos com a solução de forma correta. Além disso, a desinfecção deve ser feita imediatamente após a retirada do equipamento de ordenha para que impeça a colonização do canal do teto pelos microrganismos causadores de mastite.
Como os desinfetantes devem ser armazenados e manuseados?
Os desinfetantes devem ser armazenados em local fresco e seco. Os vasilhames devem ser mantidos fechados para evitar contaminação. Siga as instruções do fabricante para o uso. Esteja certo de que o produto está na concentração correta e somente faça a diluição se recomendado no rótulo. A diluição do desinfetante reduz a concentração do princípio ativo, ou seja, reduz o poder de desinfecção do produto. Quando o produto é próprio para ser diluído, a diluição é calculada para que a concentração garanta uma boa desinfecção dos tetos. Caso seja necessário fazê-lo, a condição da água utilizada deve ser avaliada. De nada adianta colocar a solução desinfetante em uma água de baixa qualidade, com alto nível de contaminação. Além disso, outras propriedades físicas da água também são importantes, tais com pH e dureza. O frasco no qual será feita a diluição deve estar limpo e após é importante fazer uma boa homogeneização da solução.
Os copos de pós dipping devem ser esvaziados e limpos como parte da rotina de limpeza após cada ordenha ou caso se contaminem durante o processo de ordenha. O desinfetante que sobra ao final de uma ordenha não deve ser retornado ao frasco original.
Quais características avaliar para optar por um produto?
Os bons desinfetantes devem:
• Possuir ação contra os principais causadores de mastite;
• Ser economicamente viáveis;
• Ser de fácil aplicação;
• Manter ou melhorar a condição da pele do teto.
Tanto os desinfetantes tradicionais quanto os tipo barreira podem ser utilizados. O importante é certificar-se de que apresentam ação comprovada contra os principais microrganismos causadores de mamite. A orientação de um médico veterinário auxilia na escolha do melhor produto.
Resumindo
• Pós-dipping feito de forma correta pode reduzir mais de 50% dos novos casos de mastite.
• Faça a imersão dos tetos imediatamente após a ordenha;
• Confira se toda a superfície do teto está sendo coberta pela solução desinfetante;
• Manuseie e armazene corretamente os produtos desinfetantes;
• Obtenha informações sobre o produto que você está utilizando.
O pós-dipping é uma parte importante do programa de controle de mastite. Aliado a desinfecção dos tetos após ordenha, o uso de procedimentos de ordenha e o manejo de ambiente adequados, a certificação de que o equipamento de ordenha está em perfeito funcionamento, o tratamento de todos os quartos no momento da secagem, a identificação e tratamento dos casos clínicos imediatamente e descarte dos animais crônicos, permite um efetivo programa de controle de mastite para seu rebanho.