Mastite em novilha – estratégias de prevenção e controle
A criação de animais de reposição é um ponto crítico para a produtividade de uma fazenda leiteira, já que estes animais representam o futuro do rebanho. Um dos fatores que pode contribuir para o sucesso do desenvolvimento e do crescimento das novilhas é a manutenção da saúde, sendo a mastite uma das doenças que podem afetar a capacidade produtiva destes animais.
A mastite é tradicionalmente considerada uma condição que afeta a glândula mamária em lactação ou involuída de vacas multíparas, por isso tem sido dada pouca atenção a ocorrência de mastite subclínica e clínica em animais de reposição. A presença de infecções intramamárias em novilhas tem efeito negativo sobre a produção de leite futura, já que grande parte do desenvolvimento da glândula mamária ocorre durante a primeira gestação e, conseqüentemente, este desenvolvimento pode ser comprometido pela presença de mastite.
O principal agente causador de mastite em novilhas é o Staphylococcus coagulase negativo (SCN). Este microorganismo pode ser encontrado normalmente na pele do teto, sendo agente de baixa patogenicidade, que causa menor dano ao tecido mamário. As infecções se manifestam na forma subclínica, resultando em aumento da contagem de células somáticas (CCS). Estas características não diminuem a importância desse agente, pois este leva à perda significativa na produção de leite futura.
Em rebanhos onde há bom controle de mastite em animais adultos, as novilhas podem apresentar infecções intramamária por Staphylococcus aureus e serem fonte de infecção para os outros animais. E, em rebanhos onde a higiene do ambiente não é muito favorável, as mastites causadas por patógenos ambientais podem estar presentes.
Estratégias de prevenção e controle:
- Ambiente no pré-parto:
Considerando que o maior risco de vacas se infectarem com patógenos ambientais acontece nas primeiras semanas do período seco e no periparto, torna-se razoável inferir que novilhas gestantes ou próximas ao parto apresentem um elevado risco de se contaminarem com estes patógenos. Estes animais ainda não tiveram a chance de desenvolver imunidade contra doenças típicas de animais em lactação, por isso as chances de ocorrer problemas no periparto são maiores. Então, como regra geral, deve-se proporcionar um ambiente limpo e seco, com boa cobertura vegetal, obtido em piquetes bem drenados. Além disso, a presença de sombra, bebedouro e lotação adequada do piquete é fundamental para garantir o conforto desses animais. Com isso reduz-se a carga bacteriana na extremidade do teto e a incidência de novas infecções.
Piquete maternidade inadequado
- Controle de moscas:
As moscas têm grande importância como agente transmissor da mastite em novilhas, especialmente as moscas picadoras e sugadoras. Estas transmitem os patógenos causadores de mastite em novilhas quando se alimentam na extremidade do teto, provocando pequenas lesões, onde podem se desenvolver patógenos causadores da doença. As moscas podem também funcionar como simples vetores mecânicos, transferindo patógenos entre superfícies, como a partir de tetos não desinfetados após a ordenha, com acúmulo de leite residual, para os tetos das novilhas.
As moscas têm potencial para contribuir com a disseminação da mastite por S. aureus. Este agente pode estar relacionado com mastite em novilhas mesmo em áreas e durante estações em que não existe problema significativo com mosca. Assim, as moscas são mais um dos fatores de risco associados à mastite em novilhas. O controle de mosca pode ter efeito significativo para redução dos casos de mastite nesta categoria por esse e outros patógenos.
- Uso de leite de descarte para alimentação de bezerras e contato entre elas:
Bezerras alimentadas com leite proveniente de vacas com mastite podem, após o término do fornecimento de leite, transmitir agentes presentes no leite mastítico da boca para os tetos de outras bezerras através da mamada, quando há contato entre estes animais. Alguns agentes como o Streptococcus agalactiae podem se alojar na glândula mamária, permanecendo no úbere por prolongado período de tempo. Desta forma, o risco deste tipo de transmissão pode existir principalmente em rebanhos com alta prevalência de S. agalactiae e quando é permitido o contato (mamada) entre as bezerras em aleitamento.
Isolar as bezerras algumas semanas após a desmama, antes de agrupar com outros animais da mesma categoria também auxilia na redução da transmissão de patógenos, pois pode minimizar a necessidade de mamada dessa categoria, especialmente na desmama imediata.
Contato entre bezerras favorece a disseminação de doenças
- Adequada suplementação mineral e de vitaminas:
Certos minerais e vitaminas estão relacionados com a capacidade de resposta imune dos animais. Por isso, devem-se fornecer níveis adequados de minerais, como o selênio, cobre e zinco, e de vitaminas, como A e E.
- Momento da ordenha:
A mastite contagiosa é transmitida de uma vaca doente para uma sadia no momento da ordenha. Recomenda-se que as primíparas sejam ordenhas antes dos animais mais velhos. Isto minimiza a transmissão de agentes contagiosos e deve ser feito sempre que o manejo da propriedade permitir.
- Tratamentos:
O tratamento de novilhas pré-parto com antibiótico intramamário visa diminuir o nível de infecção na glândula mamaria após o parto. Dois protocolos podem ser utilizados:
Infusão intramamária 60 dias antes do parto: deve-se realizar a infusão intramamária de todos os quartos com antibiótico para vaca seca. Este protocolo age antes mesmo do patógeno determinar lesão significativa no tecido mamário e há baixo risco de resíduo de antibiótico no leite após o parto. A desvantagem deste, é que a infusão será em uma glândula com um esfíncter ainda intacto, podendo lesioná-lo.
Infusão intramamária 7 a 14 dias antes do parto: realizar infusão intramamária com antibiótico para vaca em lactação, em todos os quartos mamários, 7 a 14 dias antes do parto. A persistência de resíduo de antibiótico pode ocorrer nos três primeiros dias de lactação.
Para ambos os tratamentos deve-se realizar a desinfecção dos tetos antes da infusão e optar pelo uso de bisnagas com cânula curta, evitando, assim, maiores lesões nos tetos e inserção mais profunda de patógenos na glândula mamária.
Espera-se uma vantagem econômica no uso destes tratamentos em rebanhos que apresentam alta taxa de infecção intramamária em novilhas e elevada contagem de células somáticas em primíparas.
Conclusão:
A mastite em novilhas não é tão rara quanto se acreditava no passado. Não existe, entretanto, um único método eficaz na prevenção e controle de mastite nestes animais. A adoção de práticas que reduzam a carga bacteriana na extremidade dos tetos e a incidência de novas infecções é fundamental para que haja um adequado desenvolvimento da glândula mamária da futura reposição do rebanho.
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