Capacitar funcionários é necessário na prevenção complicações de doenças no rebanho. Leia no artigo "A importância da capacitação de funcionários em enfermagem e primeiros socorros".
ReHAgro News
Publicado em 22/12/2008 por Ana Elisa Franca Marra, médica veterinária - Equipe ReHAgro

A importância da capacitação de funcionários em enfermagem e primeiros socorros

A maior profissionalização da atividade leiteira precisa abranger a todos os profissionais que atuam na propriedade para que haja viabilidade do negócio. No aspecto sanitário essa capacitação se faz extremamente necessária, pelo fato de que a precocidade na identificação da doença e na instituição do tratamento é vital para o sucesso da cura.

É preciso se ter consciência de que os profissionais das ciências agrárias têm um sério compromisso com o desenvolvimento deste setor econômico, responsável por 23, 07% (2007), ou, em números, 611 bilhões de reais, do PIB do país. Para contribuir com este progresso, o veterinário da atualidade deve buscar uma maior internalização do conhecimento dentro das fazendas.

Para que a equipe da fazenda esteja apta a atuar corretamente nos problemas básicos, o veterinário deve ter dois papéis fundamentais: capacitar adequadamente esses funcionários e assumir a condução de práticas mais complexas. Isso trará benefícios ao seu trabalho e possibilitará um maior progresso aos seus clientes.

Como cada vez mais o veterinário atua em um número maior de fazendas, possuindo uma agenda cheia, fica difícil estar na fazenda para atender casos rotineiros e simples. Um adequado treinamento para diagnóstico e tratamento desses problemas pode evitar que tratamentos inadequados sejam instituídos e que, desta forma, não seja obtido um resultado satisfatório, prejudicando recuperação do animal pela ocorrência de resistência dos microorganismos aos fármacos e por uma maior debilidade física no momento de um possível atendimento veterinário.


Como exemplo, na Fazenda São João, em Inhaúma-MG, isto já é uma realidade e o número de mortes e custos com tratamento são cada vez menores. Alguns funcionários são treinados regularmente pelo veterinário da fazenda e a prática aumenta a competência. Todos os dias, um funcionário percorre todos os lotes em busca de qualquer anormalidade. Ao identificar um animal com comportamento estranho, o mesmo é encaminhado ao exame clínico, também feito por um funcionário, que, capacitado para este tipo de serviço, atua como o enfermeiro para o médico. O animal é reexaminado todos os dias no momento da aplicação dos medicamentos para acompanhar a evolução do tratamento e recebe alta no final do mesmo se estiver clinicamente normal.

O Funcionário Alberto Martins, mede a temperatura do animal e afirma: - Está com febre! Com posse desta informação, decide aplicar o antitérmico indicado pelo veterinário, além do restante do tratamento preconizado para pneumonia, caso deste animal.

O veterinário da fazenda, Paulo Henrique Garcia, ressalta benefícios como a desoneração do veterinário e a rapidez no socorro ao animal. Porém, alerta que existe um limite na atuação dessas pessoas, quando elas devem chamá-lo. Este limite fica claro quando a ocorrência foge do comum ou quando há ineficácia de algum tratamento instituído.

         Ficha de acompanhamento: Note na parte destacada a observação de suspeita de deslocamento de abomaso para a esquerda – exemplo de caso passado ao veterinário.


A noção de parâmetros vitais, medicamentos e vias de aplicação destes e de sinais clínicos das principais doenças é o que deve ser transmitido a estes profissionais.



Retração do globo ocular: Alberto identifica a desidratação. A partir daí administra o soro oral. Atitude que, na maioria das vezes, salva.


A enfermagem veterinária é algo que já existe em clínicas de pequenos animais e prova que não trará prejuízo algum ao trabalho do veterinário de campo. Os animais agradecerão e o bolso também!


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