A demanda por conhecimento, associada à experiência e capacidade de inovar com sustentabilidade, é grande e ascendente. Leia "Planos para 2009: Por que fazer uma pós-graduação?"
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Publicado em 12/01/2009 por Caique Oliveira, médico veterinário, membro da equipe de marketing do ReHAgro.

PLANOS PARA 2009: Por que fazer uma pós-graduação?

Diariamente, temos percebido como o mercado está se tornado exigente e específico quanto aos profissionais que necessita. Isso quer dizer que novas áreas de atuação estão surgindo e que carecem de novos conhecimentos para se desenvolver e tornar-se negócios de ponta. Também as áreas tradicionais estão se modernizando e amadurecendo em técnicas, estratégias e visão, como a produção de leite, por exemplo. Há alguns anos atrás, produzir leite era simplesmente extraí-lo de algumas vacas, vender uma parte para o laticínio mais próximo e usar outra para demandas pessoais do produtor, como produzir queijo, coalhada e biscoitos. Este segmento do agronegócio tão tradicional em nosso país tem necessitado diariamente por profissionais que não apenas consigam extrair o leite da vaca, mas que este leite tenha qualidade e quantidade, que o sistema seja altamente lucrativo e sustentável, que haja controle financeiro, sanitário, de pessoas, de processos, de recursos, tenha responsabilidade social e ecológica. Sim, a demanda por conhecimento associada à experiência e capacidade de inovar com sustentabilidade é grande e ascendente.

Recentemente, um diploma de nível superior dava a falsa certeza de que uma profissão já estava escolhida e que, com o devido tempo, o profissional teria o sucesso merecido. No entanto, por perceberem que os cursos de graduação dificilmente proporcionam a bagagem necessária para o graduando e seguindo o ritmo de exigências do mercado, as instituições de ensino têm providenciado um inúmero arsenal de cursos de pós-graduação stricto sensu e lato sensu que contribuam para a capacitação do profissional e sua titulação. Em uma análise comparativa, podemos dizer que um curso de pós-graduação stricto sensu, que engloba os níveis de mestrado, mestrado profissional e doutorado, está voltado para a formação de pesquisadores que pretendam seguir carreira acadêmica (tornar-se professores universitários), enquanto um curso pós-graduação lato sensu está voltado à área profissional, de mercado, o qual possibilita a associação entre vivência profissional em paralelo à absorção de conhecimento técnico. A escolha de uma ou outra dependerá dos anseios do profissional.

Independente da escolha, stricto sensu ou lato sensu, é necessário que esteja claro para o profissional que sua formação deverá cumprir parâmetros básicos que o levarão a uma carreira de sucesso. Isso vai muito além do diploma e conhecimento técnico simplesmente, ou seja, muitos fatores no decorrer da caminhada da capacitação e aquisição de experiência são fundamentais na composição de um profissional coerente com as exigências do mercado. É importante, ao decidir por um programa de pós-graduação, fazer dele um meio e não um fim. Tais fatores têm ganhado mais e mais peso com o passar dos anos e se mostrado determinantes no momento de uma contratação, ascensão na carreira e realização dos objetivos pessoais. Alguns deles são:

• Capacidade de auto-aprendizagem: ser capaz de aprender sem depender do meio acadêmico, chegando por si só a conclusões e solução sem que estas sejam fornecidas prontas. Uma vez em um programa de pós-graduação, é importante que o profissional esteja atento aos apontamentos e direcionamentos dados pelos professores e use isso para desenvolver sua auto-aprendizagem. Um dos mais importantes desenvolvedores de teorias de administração do século XX, Peter Drucker, disse em 1996: "A educação que se necessitará no futuro será fundamentada em valores e com um propósito social. A educação será contínua e não permanecerá confinada em instituições especificamente educativas. A função do docente consistirá muito mais em orientar, dirigir e motivar do que em transmitir informações".

• Capacidade de estabelecer e manter relacionamentos humanos produtivos e confiáveis: atualmente os modelos de gestão baseados em competição entre funcionários e imposição das idéias dos líderes sobre a equipe estão aos poucos se desfazendo e dando lugar a modelos de gestão baseados em colaboração e confiança. Como diz o professor Warren Bennis, da Southern California University, "A confiança é o lubrificante que torna possível o funcionamento das organizações". O contato com pessoas de diferentes origens e por isso diferentes pensamentos, percepções e ações em um programa de pós-graduação proporcionará o desenvolvimento da capacidade relacionamentos produtivos e geração de confiança entre pessoas através de um ambiente seguro, no qual os erros terão conseqüências muito menores e haverá tempo para processá-los.

• Capacidade de romper com os paradigmas estabelecidos sempre que necessário para gerar uma solução inovadora e eficiente: segundo a professora Carmem Migueles, da Fundação Dom Cabral (FDC), “Em um mundo em constante transformação, marcado por mercados globais e cada vez mais competitivos, a gestão da diversidade torna-se indispensável. Se mobilizada corretamente, no universo empresarial, a diversidade de culturas e pessoas pode criar valor para a organização, gerando muitas outras vantagens competitivas e garantindo, até mesmo, melhores resultados econômicos”. Sem dúvida, em um programa de pós-graduação o profissional receberá uma avalanche de novas idéias, novas regras, novas formas de realizar ações para atingir resultados semelhantes e formas diferentes para atingir resultados que nunca se imaginou. Com isso, encontra-se uma excelente oportunidade para deixar muitos preconceitos de lado, expandir a mente e desenvolver a capacidade de adaptação ao “novo”. Talvez o novo seja algo que mais gera temor nos seres humanos e saber lidar com ele é essencial.

• Visão ampla e sistêmica de negócios e empresas: em pesquisa recém-divulgada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro revelou-se que as escolas superiores pouco ou nada estimulam a cultura do empreendedorismo, tanto na grade curricular quanto na programação extracurricular. Os entrevistadores ouviram 1.795 estudantes de 74 cursos superiores e suas conclusões permitem algumas observações interessantes. Em relação aos alunos, 83% reconhecem a forte competição no mercado de trabalho, 43% sabem que diminuiu a oferta de contratações com carteira assinada e quase todos concordam que abrir uma empresa pode ser a opção para construir uma carreira. Em relação ao ensino, 73% não aprendem sequer como obter um financiamento bancário, 57% não sabem que muitas universidades contam hoje com incubadoras de empresas (uma eficiente alavanca para iniciar um negócio próprio) e 54% nunca ou raramente ouviram seus professores relatarem cases de sucesso. Mesmo que o profissional não tenha ambição por ser um empresário, sua visão ampla e sistêmica de negócios e empresas é essencial porque ela será importante na construção de sua carreira. Em vista do déficit de informações a este respeito na graduação, a pós-graduação se faz necessária para gerar e ampliar conhecimentos.

• Respeitos aos valores sociais e ambientais vigentes: em qualquer organização onde existam pessoas existem valores. Para um consultor que lida com diferentes empresas todos os dias, assumir uma posição de respeitos aos valores sociais vigentes em cada uma delas e os valores individuais das diferentes pessoas com as quais lida contribui para que sua atuação seja eficaz. O mesmo se observa em relação aos valores ambientais, que constantemente são esquecidos ao se pensar em lucratividade. Organizações que respeitam valores ambientais e, mais do que isso, asseguram que estes valores sejam respeitados por seus fornecedores e clientes são vistas pelo mercado de forma mais aceitável. Buscar conceitos e referencias em programas de pós-graduação que tratem de questões sociais e ambientais, assim como desenvolvê-los pessoalmente agregará muito ao perfil profissional e será um grande diferencial no mercado e na vida. Como diz a profª Maria Raquel Grassi, FDC: “A realidade social e ambiental deve ser inserida, de forma sistemática e pró-ativa, na atuação das escolas de negócios. A maioria das instituições ainda mantém um currículo tradicional que transmite aos alunos uma visão fragmentada e distorcida do mundo dos negócios.”.

• Domínio técnico e tecnológico específicos: ser um profissional com conhecimento com amplo espectro no segmento de mercado em que atua é, sem dúvida, desejável, pois isso o habilita a solucionar problemas dos mais diversos níveis sem que saiba a solução específica para cada um deles. No entanto, dominar tecnicamente e tecnologicamente soluções específicas faz com que o profissional assuma posições necessárias na organização. Durante a pós-graduação, não se deve abrir mão do propósito de adquirir conhecimento específico e de alta qualidade, ou seja, qualquer um que faça um curso de pós-graduação desejando apenas mais um título provavelmente estará perdendo tempo e dinheiro. Thomas A. Stewart, colaborador da Bozz & Company (empresa de consultoria em negócios), diz que o conhecimento "é o ingrediente principal de tudo o que compramos e vendemos, a matéria prima com que trabalhamos".
Com certeza vários fatores podem ser ditos quando pensamos no desenvolvimento de um profissional coerente com o mercado, e muitos outros quando avaliamos os benefícios muitas vezes “ocultos” que a participação em um programa de pós-graduação trará. O mais importante nesta caminhada é que estejamos plenamente conscientes de que não será fácil e de que atitudes de planejamento, persistência e pró-atividade serão indispensáveis. A recompensa sem dúvida virá!

Sucesso!


:: Comentários ::

Adriana Duarte - 21/01/2009 09:05
Funcionário Empresa

Excelentes colocações, pautadas em opiniões de especialistas e reunidas de forma adequada! Uma pós-graduação pode fazer a diferença entre ser apenas mais "um profissional" e tornar-se "O Profissional". Parabéns pelo artigo!
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Caique Oliveira - 23/01/2009 14:02
Consultor Técnico

Obrigado Adriana! Com certeza oportunidades de sermos profissionais coerentes com o mercado e, principalmente, com nossos valores pessoais estão presentes a todo momento. Só depende de nós para que as oportunidades convertam-se em realidade.
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Emerson Heringer - 30/01/2009 12:34
Outros

Muito bom o artigo, Caique. O ponto que mais me achou atenção foi sobre "visão ampla e sistêmica de negócios e empresas". Além da questão da graduação, acho que esse problema deveria ser tratado muito antes. Acho que o ensino fundamental é voltado para formação de operários e vestibulando, e não estimula o desenvolvimento de competências empreendedoras. Esse estímulo deveria existir e começar desde a escola.
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