Alerta aos produtores, técnicos e pesquisadores: Mudança de hábito da lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda).
Artigos Técnicos
Publicado em 18/01/2009 por Fernando Rezende S.N. Rati; Graduando em agronomia, estagiário - Equipe ReHAgro

Informativo Técnico: Mudança no hábito da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) do milho.

Vem acontecendo, há algumas safras, uma mudança no hábito alimentar da lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda) e produtores, técnicos e pesquisadores devem ficar alerta. No cenário agrícola atual, a lagarta-do-cartucho é considerada a praga mais devastadora e temida dos milharais, gerando prejuízos incontáveis na produtividade e qualidade do grão.

Breve histórico e características do ataque da praga

O histórico desta praga não é muito recente, os primeiros surtos da mesma ocorreram em 1889 nos Estados Unidos da América, e posteriormente em 1964 foram identificados os primeiros ataques nas lavouras brasileiras. A conseqüência foi um estrago enorme não somente nos milharais, mas também em plantações de arroz e pastagens, tornando-se motivo de preocupação entre os agricultores em geral. Baseando-se neste histórico marcante, houve inúmeros estudos sobre esta praga, principalmente sobre eficientes métodos de controle, hábitos alimentares, características morfológicas, ciclo de vida, condições favoráveis para proliferação, entre outros.

A fase adulta da praga corresponde a uma mariposa acinzentada, que coloca de 100 a 150 ovos na parte superior da folha e tem hábito noturno. O ataque inicial da lagarta começa com o milho na fase de plântula, a partir dos 15 dias de idade, ataque que se dá por raspagens nas folhas, sem ocasionar furos nas mesmas. Após rasparem as folhas, as lagartas evoluem ao 2º ínstar ou segunda idade, estádio na qual a lagarta se direciona para o cartucho da planta, consumindo grande quantidade de área foliar, permanecendo ali até o estádio de pupa. A partir do momento em que as lagartas se direcionam ao cartucho, pode ocorrer o chamado “coração morto”, que corresponde à morte da folha bandeira da planta, através das galerias feitas pela lagarta. 

Mudança no hábito alimentar da praga

 Em uma série de lavouras de milho tem-se notado uma mudança comportamental no hábito alimentar desta praga. As lagartas estão cortando as plantas de milho recém-emergidas no colo, ou seja, cortando totalmente a planta no caule, sendo confundida com outra praga da cultura do milho que apresenta este hábito: a lagarta rosca (Agrotis ipsilon). Foi verificado que as lagartas que causam este tipo de ataque, após cortar o coleto da planta ficam “debaixo da terra”, em uma camada bem perto da superfície.  Veja como nas figuras 1 e 2.

 Em alguns casos, o tratamento de sementes (tiodicard, carbofuran) não tem sido suficiente para deter o ataque, pois as lagartas já se encontram nas áreas remanescentes de culturas anteriores como aveia, braquiária, entre outras. Como resultado dos ataques da praga tem-se uma considerável diminuição no estande de plantas e, consequentemente, redução da produtividade da gleba atacada. Sendo assim, é imprescindível a amostragem de lagartas nas culturas antecessoras ao milho. Caso se constate a presença das mesmas, uma maneira eficiente de controle é a aplicação de inseticida à base de clorpirifós no sulco de plantio, antes que as sementes de milho sejam cobertas.

 

Figura 1. Ataque da lagarta-do-cartucho em plântulas de milho recém germinadas – Fazenda no município de Nazareno/MG.


Figura 2. Lagarta-do-cartucho se alojando no solo após o corte da plântula de milho – Fazenda no município de Nazareno/MG.

:: Comentários ::

Harry van der Vliet - 21/01/2009 09:10
Consultor Técnico

Alguem tem um controle eficaz?
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Eduardo Mancilha Gomes - 21/01/2009 09:31
Funcionário de Fazenda

Bom dia, trabalhamos com cultura de milho no Município de Campanha - MG, e Delfinópolis - MG, e também encontramos esse problema no plantio 2007/2008 e em larga escala, o que elevou os custos para poder controlar o problema, tendo que trabalhar com pulverizações noturnas, já que o ataque das mesmas nessa hora é mais intenso. Outro problema que notamos é que, nossas terras estão muito ricas em matéria orgânica,já que usamos o composto orgânico de esterco de aves e até mesmo o esterco verde, aumentando a MO do solo, e isso parece que favoreceu o seu aparecimento. Felizmente controlamos e ainda tivemos uma boa produção. Parabéns pelo artigo, isso é muito válido para nós produtores e funcionários do meio.
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henrique Beluti - 21/01/2009 10:37
Estudante

Como que eu sei se é lagarta rosca ou lagarta do cartucho?
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Silvino Moreira - 26/01/2009 10:58
Consultor Técnico

Sobre a pergunta de um controle eficaz do Sr. Harry van der Vliet, podemos fazer algumas considerações. Infelizmente, não temos um controle totalmente eficaz.Podemos associar várias ferramentas disponíveis. O que temos feito em áreas com palhada de gramíneas (principalmente aveia, braquiárias e outras) é fazer um levantamento antes da dessecagem da área. É bom observar logo pela manhã, já que às vezes elas escondem debaixo da palha, quando a temperatura aumenta. Se forem detectada as lagartas, geralmente aplicamos um inseticida junto com o glifosato na dessecagem. Isso tem ajudado bastante, mas muitas vezes nào é suficiente. Assim, outra recomendação é fazer a dessecagem com boa antecedência à semeadura (entre 15 a 25 dias, dependendo da quantidade de palha). Essa prática, além de ajudar eliminar outros insetos problemas da área (como o besouro verde metálico), ajuda a reduzir o impacto negativo da alta relação C:N das gramíneas na cultura do milho. Outra alternativa que está sendo muito usada é aplicação do clorpirifos no sulco de semeadura. Esse tratamento não elimina outros procedimentos para sulgadores, como os neonecotinóides (onde é necessário), por exemplo. A aplicação é feita a baixo volume (geralmente 20 litros/ha, usando de 1 a 2 litros/ha de produto comercial). Deve ser feita uma adaptação na Plantadeira com bicos, bomba e um tanque de 200 litros. Aliado ao que foi dito, com certeza a rotação de culturas com leguminosas irá ajudar a minimizar o problema. No entanto, esse problema pode aparecer mesmo em milho sob feijão, em regiões com grande infestação de lagartas do cartucho. Por isso, temos que buscar disseminar a necessidade de rotação de culturas para todos os nossos vizinhos.
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João Paulo - 27/01/2009 08:30
Funcionário Empresa

Será que um combate precoce com um inseticida qualquer (não sou agrônomo) não resolveria parte do problema? Um combate talvez na emergência das plântulas.
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Rosangela Marucci - 29/01/2009 09:10
Consultor Técnico

A respeito da dúvida do Henrique Beluti sobre como diferenciar a lagarta-rosca da lagarta-do-cartucho segue algumas dicas: - lagarta-rosca: coloração pardo-acinzentada escura, com listras laterais e centrais pouco visíveis; durante o dia tem o hábito de ficar enrolada. - lagarta-do-cartucho: coloração varia de cinza- escuro a marrom, apresentando um "Y" invertido na cabeça e três linhas longitudinais claras com pontos pretos no corpo, mas a característica marcante é o "Y" invertido na cabeça.
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Rosangela Marucci - 29/01/2009 09:25
Consultor Técnico

Quanto ao questionamento do João Paulo é importante ter em mente que na fase de emergêcia das plântulas não há área foliar suficiente para a absorção dos inseticidas e dessa forma grande parte do produto acaba indo para o solo gerando problemas de contaminação. Somado a isso, a eficência do controle é muito baixa, pois de modo geral as lagartas são maiores que 2 cm e precisam consumir uma apreciável quantidade de área foliar antes de serem mortas. Assim, a lagarta-do-cartucho precisaria cortar muitas plantas antes do inseticida surtir efeito o que gera redução no estande da lavoura, pois toda planta cortada é planta perdida.
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Rosangela Marucci - 29/01/2009 09:34
Consultor Técnico

Quanto ao comentário do Sr. Eduardo Mancilha Gomes sobre o efeito da matéria orgância sobre a incidência da lagarta-do-cartucho na fase de emergência das plântulas de milho já é sabido, por exemplo, que o problema de ataque da lagarta-rosca aumenta em áreas de plantio direto, pois a palha serve de proteção para as lagartas durante o dia. Provavelmente, o micro ambiente proporcionado pela matéria orgânica na superfície do solo deve favorecer a incidência da lagarta-do-cartucho, no entanto, esse tópico necessita ser melhor pesquisado e estudado.
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Jussara Magalhães -
Professor

Somente como esclarecimento ao comentário da Rosangela Marucci, a presença da sutura no formato de Y invertido é comum a todas as lagartas, a diferença é que as do gênero Spodoptera apresenta a borda dessa sutura branca, o que a torna muito mais visível.
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Tharick - 26/05/2009 15:37
Estudante

Eu sou estudante de agronomia, estou fazendo um trabalho sobre a lagarta do cartucho e queria saber se o controle biológico não seria eficiente???
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Fernando Rati -
Consultor Técnico

Olá Tharick, sem dúvida o controle biológico é uma das formas de combate a lagarta-do-cartucho, mas quando tem-se extensas áreas plantadas, este controle se torna complementar, e não decisivo para a morte da praga. Acreditamos que a integração entre os diversos tipos de controle seja uma estratégia e uma poderosa arma para ser utilizada na lavoura, já que visamos sanidade a longo prazo em nossas áreas plantadas Obrigado
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Paulo de sousa -
Estudante

Sou estudante de agronomia,queria saber mais sobre as características da lagarta do cartucho.
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Flávio - 29/10/2009 21:08
Estudante

Ola Tharick,acredito que no momento ainda não tenha um contole biológico efetivo,mas aqui na UFLA temos muitas pesquisas relacionadas,com fungos principalmente e vamos iniciar com nematóides.Procure no scielo, um site de artigos gratuitos.Até mais.
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