Como implantar Milho Bt? A utilização correta da tecnologia Bt na condução de lavouras de milho.
Artigos Técnicos
Publicado em 02/02/2009 por Fernando Rezende S. N. Rati, Graduando em Agronomia, Estagiário - Equipe ReHAgro

Como implantar milho Bt? A utilização correta da tecnologia Bt na condução de lavouras de milho.

O milho Bt foi aprovado no Brasil com um sentimento de missão cumprida por parte dos agricultores, técnicos e pesquisadores. Após inúmeras discussões, reuniões entre ministros de estado e especialistas em Biossegurança e Biotecnologia, o milho geneticamente modificado vem quebrando alguns paradigmas e mudando modelos do setor agrícola. Este fato abre a possibilidade para a produção, importação e comercialização de híbridos com o gene Bt no Brasil.

Este artigo tem como principal objetivo apresentar o correto manejo da tecnologia Bt e os efeitos que o uso irracional da mesma pode acarretar.

O milho Bt

O Bacillus thuringiensis, uma bactéria de solo com aproximadamente 50 espécies já relatadas e presente nos mais diversos continentes, foi isolada por pesquisadores no ano de 1901 após uma grande epidemia de mortalidade de Bicho-da-seda no Japão. A bactéria é organizada por um código numérico. Por exemplo, a família Cry1 atua sobre lepidópteras (borboletas) e a família Cry3 sobre coleópteros (besouros), ou seja, seu modo de ação é altamente específico para uma determinada ordem de insetos. A toxina Cry 1 Ab (proteína em forma de cristais) é letal para algumas espécies de lagarta-do-cartucho, broca-da-cana e lagarta-da-espiga, e não apresentam ação inseticida em insetos benéficos ou inimigos naturais, tornando-se uma tecnologia fortemente aliada à proteção do meio ambiente.

Com respeito ao modo de ação, ele resumidamente se dá pela ingestão de parte da planta contendo o gene Bt, seguida por uma difusão em todo o trato digestivo, resultando na ruptura de tecidos, paralisação e morte do inseto. É muito importante deixar claro que a toxina somente é ativada em pH alcalino (pH presente no estômago de lagartas) e, portanto, completamente degrada no estômago de humanos (pH ácido), não apresentando nenhum efeito e indício de perigo. Por isso, vem sendo utilizada há mais de dez anos nos Estados Unidos e na Argentina, fora inúmeros países que importam o grão geneticamente modificado.

Gleba de milho convencional ( DKB 330) – Fazenda G7 Empreendimentos no Agronegócio – Nazareno/MG

Gleba de milho com a tecnologia Bt (DKB 390 Transgênico) - Fazenda G7 Empreendimentos no Agronegócio – Nazareno/MG


Como implantar o milho Bt?

A condução das lavouras de milho Bt, tanto no Brasil quanto em outros países que desfrutam desta tecnologia, necessita de alguns requisitos de segurança. O primeiro deles, denominado norma de coexistência, foi elaborado para proteger os direitos de opção, respeitando o direito de escolha entre o agricultor vizinho em optar pelo uso da tecnologia ou não. Isso porque o milho é uma cultura de polinização aberta, existindo a possibilidade de uma lavoura de milho Bt polinizar uma de milho convencional. Para concretização de tal norma, a CTNBio emite a seguinte medida:

“Art. 2º: Para permitir a coexistência, a distância entre uma lavoura comercial de milho geneticamente modificado e outra de milho não geneticamente modificado, localizada em área vizinha, deve ser igual ou superior a 100 (cem) metros ou, alternativamente, 20 (vinte) metros, desde que acrescida de bordadura com, no mínimo, 10 (dez) fileiras de plantas de milho convencional de porte e ciclo vegetativo similar ao milho geneticamente modificado." (Figura 1)


 Figura 1. Esquema ilustrando a representação da coexistência entre  milho convencional e Bt. Imagem  adaptada do informativo nº27 – Pionner Sementes (2008)


Segundo o requisito de segurança, temos a utilização de áreas de refúgio e manejo da resistência de insetos. A utilização de áreas de refúgio permite que nas redondezas da lavoura onde foi utilizado o milho Bt ocorra uma população de insetos susceptíveis e estes cruzem com os prováveis insetos resistentes da área com o gene Bt. Dessa maneira, obtém-se uma descendência que mantém uma proporção de indivíduos susceptíveis na população original, evitando o aparecimento de insetos resistentes. Recomenda-se o uso de refúgio equivalente a 10% da área total de milho da propriedade e que a mesma não exceda 1500 metros de distância da área com milho Bt. O híbrido utilizado para a área de refúgio deve ser, preferencialmente, o mesmo usado com a tecnologia Bt e deve ter o mesmo ciclo, por motivos de maior praticidade na adubação de plantio, adubação de cobertura, avaliação do desempenho do híbrido e avaliação na colheita (Figura 2).


Figura 2. Esquema ilustrando o refúgio como uma ferramenta eficiente no manejo da resistência dos insetos ao gene Bt. Imagem adaptada do informativo nº27 – Pionner Sementes (2008)

Conclusão

Esta tecnologia foi alvo de brigas políticas e discussões a nível técnico, foi defendida por uma parte da sociedade, mas considerada “perigosa” por outra parte. A grande verdade é que o milho transgênico chega ao Brasil como resolução de pelo menos parte dos problemas evidenciados na cultura do milho, tais como o melhor controle de lagartas (lagarta-do-cartucho, lagarta-da-espiga e broca da cana), redução no uso de inseticidas, diminuição de operações de pulverização, maior disponibilidade de máquinas e equipamentos, melhoria da qualidade do grão e redução da necessidade de mão-de-obra. É uma ferramenta que os agricultores agora têm em mãos e deverão que utilizá-la de maneira correta e sustentável, para garantir a máxima vida útil, além de otimizar a produção de milho e reduzir os custos de produção.


:: Comentários ::

Breno Jose Dutra Teixeira -
Representante Comercial

OBS: A distância da área de refugio foi reduzida de 1500m para 800 m .
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marcelo -
Consultor Técnico

Excelente materia,parabens!!!!
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Roni Antonio Garcia da Silva - 04/02/2009 10:05
Produtor - Agricultura

O milho bt e a tecnoburocracia Finalmente a comissão CNTBIO aprovou o uso de uma tecnologia que irá aumentar a produção nacional de milho em cerca de 25% sem alteração da área plantada. Creio que nos últimos 4 anos deixamos de colher uma safra só com as perdas provocadas pela lagarta do cartucho (Spodophora frugiperda, simplesmente pela teimosia de nossos burocratas e pseudoecologistas. É do conhecimento de todos que o bailos turingencis nunca apresntou nenhum dano à natureza. Isso é o que se chama de burrice tecnoburocrata. Abraçso a todos. Prof. e Produtor rural Roni A. Garcia da Silva ragarciasilva@yahoo.com.br
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henrique Beluti - 04/02/2009 15:35
Estudante

Gostaria de saber sobre a produção que pode chegar esse milho Bt.
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Breno Henrique Araújo -
Estudante

Parabéns pelo artigo, ficou muito rico em informações técnicas e escrito de uma maneira fácil de entender.
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Daniele Siqueira - 05/02/2009 13:37
Estudante

Finalmente estamos utilizando a tecnologia a nosso favor, e isso é muito bom!!!
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Daniele Siqueira - 05/02/2009 13:43
Estudante

Qual é o custo estimado do grão geneticamente modificado?
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juvenal sorana -
Professor

Este artigo é altamente tendencioso,pois preconisa em suma a produtividade apenas.Não podemos esquecer que os insetos vão cruzar novamente e o gene para resistência pode prevalecer.
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Fernando Rezende S. N. Rati - 09/02/2009 15:13
Estudante

Prezado Breno Jose Dutra Teixeira, Muito obrigado pelo dado referente à distância da área de refúgio.
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Fernando Rezende S. N. Rati -
Estudante

Prezado Henrique Beluti, O fato de um híbrido de milho apresentar a tecnologia bt em sua composição não quer dizer que tem um potencial de produtividade maior que o mesmo híbrido de milho sem a tecnologia. A presença da bactéria Bacillus Thuringiensis garante uma maior resistência às pragas lagarta-do-cartucho do milho, broca-da-cana e lagarta-da-espiga. Com a menor taxa de ataque destas pragas, menor será a perda de área foliar, menor será a perda da composição da espiga e menor taxa de formação de galerias no colmo. É essencial que para uma produtividade alta e satisfatória, faça a análise e porterior correção do solo, fique atento aos cuidados e detalhes do plantio, frequente acompanhamento da lavoura, controle eficientes de pragas e doenças, cuidados na colheita minimizando ao máximo perdas, entre outros fatores. Há registros em alguns países de aumentos de até 20% utilizando material com a tecnologia bt, principalmente em lugares onde os ataques eram devastadores. Fique a vontade para qualquer esclarecimento.
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Fernando Rezende S. N. Rati -
Estudante

Prezado Professor Juvenal Sorana, Minha intenção não era afirmar que a adoção de áreas de refúgio seria a única e exclusiva maneira de evitar a resistência de insetos. Acredito que seja uma estratégia para minimizar e retardar a resistência, associada com a responsabilidade por parte dos produtores em respeitar os cuidados que esta nova tecnologia requer. Para qualquer outro tipo de esclarecimento, estou a disposição.
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Fernando Rezende S. N. Rati - 11/02/2009 11:05
Estudante

Prezada Daniele Siqueira, Nesta safra o custo do milho geneticamente modificado foi cerca de 30% maior que os híbridos convencionais. Caso tenha outras perguntas, fica à vontade.
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ROGERIO CASTRO - 13/02/2009 14:14
Consultor Técnico

Fernando, esta tecnologia Bt ajudará a produtores que se encontram em locais de alta pressão de pragas(largatas do cartucho, espiga e colmo. Sob nossas condições de campo, Brasil Central, observa-se que esta tecnologia tem ajudado no controle de largatas de solo (lagarta elasmo e largata rosca)
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Ronaldo Bassetto - 16/02/2009 19:16
Funcionário Empresa

Todas as Empresas produtoras de sementes de milho já têm sementes disponíveis com a tecnologia BT para o plantio da próxima safra? Se sim, gostaria de saber quais?
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Fernando Rati - 20/02/2009 08:56
Consultor Técnico

Prezado Ronaldo Basseto, Na realidade nem todas empresas produtoras de sementes de milho possuem a tecnologia Bt, mas a comercialização por parte das empresas que possuem a tecnologia começou no início desta safra 2008/09. No caso da fazenda em que as fotos foram registradas, foram utilizados os híbridos Dekalb 390 e Agroceres 9010, ambos contendo a bactéria Bacillus Thuringiensis. Com relação à disponibilidade destas sementes, as empresas Pioneer, DowAgroscience, Monsanto e Syngenta estão legalizadas a comercializá-las. A Pioneer por exemplo já comercializa o insumo desde a safra de verão de 2008 com a marca YieldGard (as sementes tem a letra ''Y'' no final para diferenciar das demais), e já possue 13 híbridos registrados com a tecnologia. A Monsanto, empresa a qual desenvolveu a tecnologia, oferece a partir da Agroceres 10 híbridos, Agroeste 3 híbridos e Dekalb. A Syngenta também já possue alguns híbridos com a tecnologia Bt no mercado, mas pretende que toda a linha de produtos contenha o gene, que futuramente levará as letras ''TL'' no final. Além destas empresas, a DowAgroscience também comercializa as sementes de milho Bt. Lembre-se que é muito importante a utilização da área de refúgio e da correta distância entre milho com a tecnologia Bt e convencional, além de sempre contar com o apoio de assistência técnica capacitada.
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Adriana Schwartz -
Estudante

Ótima materia,esclarecedora e de fácil compreensão. Gostaria de saber se essa tecnologia esta disponível em culturas semelhantes, e se há épocas especificas de plantio pra obter maior chance de sucesso.
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Adriana Schwartz - 18/03/2009 10:31
Estudante

Gostaria de saber se o aumento do custo na produção do BT, pode ser relativamente compensador pelo aumento da produtivaidade, e qual seria?
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Bruna - 13/10/2009 10:41
Estudante

seria interesante ter mais fotos sobre o milho trangenico x convencional pois para um trabalho de escola é importante poder visualizar as imagem pois para ser tecnica em agropecuaria é necessario conhecer o basico e com as fotos melhoraria.
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Francisco Elder Carlos - 24/05/2010 10:40
Estudante

Parabens pelo artigo, pois, esclarece como usar de forma adequada a técnica.
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