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Saiba como os diversos períodos de lactação podem influenciar na ocorrência de infecções da glândula mamária, lendo "Influência da ordem de parto e do estágio de lactação na ocorrência de mastite".
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Artigos Técnicos
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Publicado em
02/03/2009
por
Patrícia Vieira Maia, médica veterinária, pós-graduanda em pecuária de leite - Equipe ReHAgro
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Influência da ordem de parto e do estágio de lactação na ocorrência de mastite
A mastite é definida como uma inflamação da glândula mamária, frequentemente de origem bacteriana e pode ser clínica ou subclínica. A forma clínica caracteriza-se por apresentar sinais visíveis no leite e no animal, enquanto a forma subclínica exige o emprego de outros métodos de diagnóstico, como a contagem de células somáticas (CCS). Os leucócitos de origem do sangue, somados às células de descamação do epitélio glandular secretor são denominados coletivamente de células somáticas do leite. A CCS é influenciada por fatores como o estágio e o número de lactações. Por ser um indicador da saúde da glândula mamária, a CCS sofre variações quando há presença de infecção nesta glândula. A curva de CCS, abaixo, demonstra a incidência de infecções nos diversos períodos.
Taxa de novas infecções intramamárias na lactação e no período seco (Adaptado de Naztke)
No final da gestação e no início da lactação, a vaca de leite de alta produção se apresenta em balanço energético e protéico negativo, uma vez que nessa fase ocorre uma menor ingestão de alimentos e uma maior demanda por nutrientes. Deficiências crônicas de energia, proteína, minerais e vitaminas são associadas à depressão do sistema imune. O parto e o início da lactação promovem um grande estresse metabólico, contribuindo ainda mais para a deficiência de fatores alimentares que estão relacionados à manutenção do sistema imune. Os mecanismos de defesa começam a diminuir duas a três semanas pré-parto, alcançando o nível mínimo na primeira ou segunda semana pós-parto. Os níveis elevados de cortisol e estrógeno, desencadeantes do parto, incidem, diretamente, na imunossupressão, o que até certo ponto é inevitável. Além disso, os mecanismos desencadeantes do parto, principalmente o domínio estrogênico, favorecem a produção e a transferência de imunoglobulinas para a glândula mamária para a formação do colostro em detrimento das defesas celulares do próprio animal. Esse déficit é parcialmente responsável pelo aumento das patologias no periparto, como as mastites.
O início da lactação em vacas leiteiras é marcado por um aumento da demanda sobre os mecanismos de homeostase do cálcio. Desta forma, a maioria das vacas desenvolve algum grau de hipocalcemia nesta fase. A doença se desenvolve como resultado de uma drenagem súbita de cálcio para o colostro no inicio da lactação, constituindo em um grande desafio para a vaca manter um nível de cálcio normal. A conseqüência genérica da hipocalcemia é a perda de tônus muscular resultando num relaxamento do esfíncter mamário, contribuindo para maior incidência de mastite. Além disso, a hipocalcemia resulta em maior liberação de cortisol plasmático, o que exacerba a imunossupressão originalmente presente no parto.
Os patógenos ambientais são os mais presentes nessa fase da lactação. A taxa de novas infecções por esses agentes ocorre, principalmente, nas duas primeiras semanas do período seco, podendo ocorrer cura espontânea ou permanecer em latência e, ocasionalmente, desenvolver sinais clínicos neste período. Nas duas semanas antes do parto, o animal também se encontra susceptível a infecções por esses agentes. A manifestação clínica da infecção pelos patógenos ambientais ocorre principalmente no inicio da lactação, devido à debilidade do sistema imune dos animais nesta fase.
O pico de produção de leite das vacas geralmente ocorre entre a quarta e oitava semana pós-parto. A menor CCS nessa época se deve, possivelmente, à maior produção de leite. À medida que avançam os estágios de lactação, diminui a produção de leite, causando um efeito de concentração das células somáticas no leite. Há também maior incidência de mastite, o que tende a aumentar a CCS. Um fator que contribui para esse aumento é a maior probabilidade do animal se infectar ao longo da lactação, devido a uma chance maior de ser exposto aos agentes patogênicos.
No final da lactação, o acréscimo na CCS também pode ocorrer devido a uma maior descamação natural do epitélio da glândula mamária. Essa descamação ocorre principalmente pelas lesões às células epiteliais causadas por patógenos adquiridos ao longo da lactação e pela queda de produção, que diminui a necessidade de células secretoras do leite. As infecções por agentes contagiosos são mais freqüentes nessa fase da lactação em razão da natureza crônica da infecção, da baixa taxa de cura (especialmente S.aureus) e do mecanismo de transmissão (momento da ordenha).
À medida que as lactações vão se repetindo, o que também coincide com o aumento da idade, os animais vão se tornando mais susceptíveis à infecção e são expostos com maior freqüência aos patógenos. No primeiro parto, a exposição do animal a agentes infecciosos causadores de mastite é bem menor, enquanto as vacas multíparas sofrem maiores perdas como resultado dos danos permanentes à glândula mamária por infecções prévias e devido ao fato de esses animais tenderem a sofrer infecções mais prolongadas. Além disso, os animais mais jovens apresentam mecanismos de resposta imune mais eficientes que os mais velhos. Por isso, a tendência é de ocorrerem infecções de maior duração nos animais mais velhos. Outro fator que, também, contribui para isso é a maior exposição dos animais aos patógenos contagiosos, os quais as infecções são de natureza crônica. Então, existe uma tendência de mastite contagiosa em vacas com maior número de lactações e com período de lactação mais avançado.
Quanto aos agentes causadores de mastite nos diferentes estágios e pela ordem de lactação, vale à pena ressaltar que o manejo dos animais é um forte determinador da infecção pelos diferentes tipos de patógenos. Em propriedades em que o ambiente apresenta-se muito desafiador para o animal, tendo uma alta carga de patógenos ambientais e sem uma adequada rotina de ordenha, a ocorrência de mastite ambiental poderá ocorrer durante toda a lactação. Já em propriedades em que o manejo de novilhas é indevido, ou há grande presença de moscas no ambiente destas, pode ocorrer mastite contagiosa no período pós-parto. Animais no início da lactação são mais susceptíveis a mastite por patógenos ambientais e vacas com maior número de lactações e com período de lactação mais avançado são mais susceptíveis a mastite por patógenos contagiosos. No entanto, o manejo dos animais na fazenda será o grande determinador do patógeno que estará presente ao longo da lactação.
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:: Comentários ::
Daniel Lena Nascimento - 02/03/2009 21:34
Estudante
Parabens Patricia, muito bom o artigo.
Apenas gostaria de complementar um fator nao citado que na minha opiniao contribui muito para que o indece de mastite em vacas multiparas aumente, é devido ao numero de lactacoes, pois a flacides dos ligamentos ja nao suportam o quarto mamario do animal, ficando assim um ubere pendular, o que propicia para que a contaminacao ocorra, pois todos sabemos que em 90% das propriedades a lama é um grande problema para os animais, tendo gasto de energia, stress e com isso o aparecimento da enfermidade.
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Daniel Neves Garcia -
Consultor Técnico
Patrícia, gostei muito do artigo, você esta de parabéns. Não sei a fonte dos dados do gráfico e se levou o seguinte comentário em questão, mas gostaria de acrescentar que o aumento das mastites pós secagem tb sofrem influência de um manejo de secagem mal feito ou sem critério, uma vez que o leite residual e a falta de uma terapêutica adequada contribuiram significativamente para esse aumento da enfermidade.
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Marinho alves rodrigues - 04/03/2009 21:45
Produtor - Gado de Leite
Obrigado pelos esclarecimentos. São muito uteis.
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Virgínia Maria Toledo Vilela - 05/03/2009 09:54
Estudante
Muito bom seu artigo Patricia.Mesmo eu estando no início do meu curso, foi de fácil percepção e entendimento sobre o assunto. Mas me restou uma dúvida: Porque a CCS é influenciada pelo número de lactações? Mesmo lendo todo o artigo não consegui entender.Teria como me explicar?
Obrigada!
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Jarbas Avellar -
Produtor - Gado de Leite
Dra Patrícia.São raros os textos com abrangência,sobre o assunto Mastite,enfocada em sua plenitude.Este é o primeiro que conheço e que pode conduzir o produtor e mesmo o veterinário que o assiste à real adequação da propriedade e do rebanho a uma codição de minimização da mastite.Deveria ele ser direcionado à classe veterinária com maior alcance,pois o que se nota é que em sua quase totalidade os produtores estão muito mal assistidos em seus rebanhos com relação á mastite.Parece-nos até que o veterinário que assiste ao produtor na fazenda não encontra condições de conhecimento ou de vontade de minimizar tal acometimento.(Certo que não são todos).Parabéns,desejamos que publique outros artigos em complementação.
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aguinaldo manhezzo jr -
Consultor Técnico
O artigo é de fundamental importancia tanto para leigos como para profissionais da área, gostei muito, estão de parabens.
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Elias Tuñón Villarreta - 08/03/2009 10:30
Consultor Técnico
Patricia: Excelente seu artigo. Muito bem redigido e com informações técnicas muito esclarecedoras. Tenho uma pergunta par te fazer. O uso de imuno estimulantes, fuciona para diminuir o problema? Agradecido, Elias.
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Renata - 09/03/2009 07:52
Produtor - Gado de Leite
Como o manejo deve ser feito, em vacas para pesagem de leite?
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Érico Furtado - 10/03/2009 16:19
Consultor Técnico
Parabéns Patricia, simples, prático e funcional
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Patrícia Vieira Maia -
Consultor Técnico
Caro Daniel Lena,
O fator citado por você favorece o aparecimento dos quadros de mastite, não somente para casos de mastites causadas por micro- organismos ambientais, como o que você citou, mas também para contaminação por contagiosos, no momento da ordenha, pois geralmete estes úberes são difíceis de ordenhar, propiciando a entrada de ar nas teteiras e, com isso, ocorre o que chamamos de Gradiente de Pressão Reversa (GPR). O GPR provoca uma flutuação de vácuo e há um retorno do leite do copo coletor para a glândula mamária, podendo levar leite de um teto contaminado para um teto sadio.
Muito obrigada pelo comentário!
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Patrícia Vieira Maia -
Consultor Técnico
Caro Daniel Neves, seu comentário é muito importante. Na secagem a vaca já está susceptível à mastite pela presença do leite residual, além disso ainda não houve formação do tampão de queratina e não há mais desinfecção dos tetos antes e após a ordenha, já que a vaca não está sendo mais ordenhada. Todos estes fatores já favorecem a infecção da glândula mamária. O manejo da fazenda no momento da secagem, influenciará muito na ocorrência de mastite! Por isso é muito importante a desinfecção dos tetos para aplicação do antibiótico de vaca seca, a introdução da cânula curta no momento da aplicação do antibiótico e a utilização de antibioticos eficientes para o controle de mastite da fazenda.
Seu comentário foi de grande relevância!!
Obrigada
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Patrícia Vieira Maia -
Consultor Técnico
Cara Virginia,
As vacas mais velhas têm maior chance de serem infectadas pela prolongada exposição aos microrganismos da mastite. Algumas infecções que elas adquiriram podem se tornar crônicas e levar à formação de grande quantidade de tecido fibroso no úbere. Isso pode aumentar a CCS por um longo período de tempo. Além disso o sistema imunológico de vacas mais velhas pode ser menos eficiente do que os de animais mais jovens, e isso pode contribuir para o aumento da taxa de infecção.
Mas vacas mais velhas que nunca se tornaram infectadas, ou não sofreram injúrias nos tetos ou úbere devem continuar a produzir leite com baixa taxa de CCS.
Espero ter esclarecido suas dúvidas. Caso ainda não tenha ficado claro, por favor entre em contato novamente que tentarei esclarecê- las.
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Patrícia Vieira Maia -
Consultor Técnico
Caro Elias,
Precisava de mais informações sobre o imuno estimulante que você cita. Mas já te adianto que dependendo do produto ele poderá auxiliar na resolução do processo por melhorar a capacidade do animal em responder ao processo infeccioso.
Um ponto que gostaria de chamar atenção é que, se o animal está imunologicamente debilitado, pode estar havendo alguma deficiência que não permite que ele responda bem, como por exemplo o balanceamento da dieta inadequado. O uso de imuno estimulante será uma forma emergencial de tentar ajudar na resolução do problema. Devemos agir de forma preventiva, como já falado, através de uma dieta e manejo adequado dos animais (rotina de ordenha adequada, ambiente limpo e confortável para o animal, entre outros). Com isso mantem-se um sistema imunológico responsivo e diminuiu o desafio para o animal.
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Patrícia Vieira Maia -
Consultor Técnico
Cara Renata,
Não entendi sua pergunta. Seria possivel você me explicar melhor o que deseja saber?
Obrigada
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Aristides -
Produtor - Gado de Leite
Muito bom o artigo! Sempre leio os artigos sobre este tema, parabéns!
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Fabrício S. Borges -
Estudante
Prezada Dra. Patrícia Maia, gostei muito da abordagem do assunto, mas gostaria que você incrementasse com as formas de controle da mastite (tratamento, por exemplo). Abordar o tratamento da mastite clínica, os prós e contras do tratamento da mastite sub-clínica nos estádios de lactaçao de uma vaca leiteira.
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joao mendes -
Outros
Gostei muito de sua matéria. Excelente. Por favor, me responda se nas vacas velhas é maior a contagem de CCS e qual a relação e razão das novilhas parirem de mamite.
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Sara Cecília Cordeiro - 27/03/2009 11:24
Estudante
João, nas vacas mais com maior número de lactações, portanto, mais velhas, a suceptibilidade às infecções aumenta e os animais ficam expostos com maior frequência aos patógenos contagiosos. Isto se explica pelo fato das vacas multíparas sofrem maiores perdas como resultado dos danos permanentes à glândula mamária por infecções prévias e devido ao fato desses animais tenderem a sofrer infecções mais prolongadas. Além disso, os animais mais jovens apresentam mecanismos de resposta imune mais eficientes que os mais velhos. Por isso, a tendência é de ocorrerem infecções de maior duração nos animais mais velhos. Quanto ao fato de as novilhas adquirem mastite, isto se deve ao fato de um manejo indevido, podendo haver grande presença de moscas no ambiente, o que resulta na mastite contagiosa no período pós- parto. Maiores esclarecimentos sobre as suas dúvidas encontram- se nos dois últimos parágrafos do artigo.
Obrigada!
Sara Cecília Cordeiro, graduanda em zootecnia, estagiária - ReHAgro
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Escreva aqui o seu comentário sobre o artigo. Ele é muito importante para gerar discussões produtivas sobre o assunto. Contribua!
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