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Controlar a Mastite: Custo ou Investimento?
No oeste americano, a mastite gera um prejuízo
para propriedades leiteiras de 200 dólares por vaca/ano e, estratificando as
perdas, cerca de 17% advém da diminuição da produção de leite, 36% vêm das
bonificações não alcançadas pagas por qualidade de leite, 12 % representam as
perdas diretas por mastites clínicas e, por fim, as perdas decorrentes de
descarte e morte de animais são de 35% (GODDEN, 2008).
A execução aprimorada de práticas de manejo com intuito de melhorar a qualidade
do leite e reduzir os casos de mastite foi responsável pela consolidação de
programas de melhoria da qualidade do leite e saúde da glândula mamária - O
Programa de Seis Pontos.
Os primeiros trabalhos realizados para avaliar a eficiência da aplicação de
programas de higiene e controle de mastite iniciaram-se na Inglaterra e Estados
Unidos entre o final da década de 60 e início da década de 70 (CARVALHO, 2004).
1.0 Resultados zootécnicos de programas de controle de mastite bovina
Em rebanhos comercias de vários países, foi demonstrado que a taxa de incidência
de mastite clínica se reduziu em torno de 50% no primeiro ano e, em até 75%, do
segundo para o terceiro ano da aplicação de forma bem conduzida do Programa de
Seis Pontos de controle de mastite (PHILPOT, 1994).
Em um estudo conduzido no Canadá, de 1989 a 1995, com a participação de setenta
e três produtores de leite, sob a orientação de 40 médicos veterinários que
implantaram o Plano Compreensivo de Controle de Mastite, foi obtida a redução
média da CCS em 100.000 células/ml de leite e a aplicação sistemática do
tratamento de vacas secas em 100% das fazendas. Após implantação das medidas de
controle, o número de animais portadores de mastite subclínica por Streptococcus
agalactiae foi reduzido de 55% para 7% (SCHUKKEN et al., 1998).
Na Bolívia após implantação do Programa Compreensivo de Controle de Mastite em
12 Rebanhos, a CCS reduziu em média 123.000 células por ano e, no final de cinco
anos, a CCS saiu de 1.200.000 células/ml de leite para 461.000 células/ml de
leite, totalizando redução de 62% na CCS (BROWN et al., 1998).
No Brasil, Carvalho (2004) encontrou redução na CCS de 300.000 células/ml de
leite ou 52,1%, no tanque de expansão de 7 fazendas estudadas no período de 9
meses de análise e promoveu aumento de 6 % na produção de leite. Além disso,
houve redução significativa na contagem bacteriana do tanque de 93,6%, onde a
CBT inicial era de 813.000 UFC/ml de leite e ao final de 9 meses se encontrava
em 52.000 UFC/ml de leite.
Os animais que possuíam CCS igual ou maior do que 400.000 células/ml produziram
12,87% menos leite quando comparados animais com CCS abaixo de 400.000
células/ml (CARVALHO, 2004).
No México, autores observaram, ao final do trabalho, aumento de produção de 1,2
milhões de litros anuais. Cada animal produziu 125,32 litros a mais de leite na
lactação (JARAMILO et al, 1991).
2.0 Resultados econômicos
No Brasil, especificamente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, medidas
profiláticas, curativas e de manutenção de controle de mastite foram realizadas
em oito rebanhos. Considerando todos os rebanhos estudados, a média do indicador
benefício/custo foi de 2,6 unidades monetárias, após um período de 6 meses
(OLIVEIRA, 1989).
Em outro trabalho, a relação benefício/custo média encontrada foi de 4,08 (R$)
em 4 rebanhos estudados após implantação do programa de controle de mastite
(OLIVEIRA et al., 2009).
Após a implantação de programa de controle da mastite em sete rebanhos
leiteiros, Carvalho (2004) obteve redução de 10% de quartos infectados e houve
tendência de redução de animais portadores de mastite subclínica de 43% para
33%. Já OLIVEIRA et al. encontraram redução de 11,75% de quartos com mastite
subclínica e 4,25% de vacas com mastite clinica, em 4 rebanhos, em um período de
6 meses de estudo.
Em um estudo conduzido por Alto et al. (2005), os autores encontraram um saldo
do projeto após implantação do Programa de Seis Pontos, médio de R$ 3.686,17, em
quatro propriedades. Na fazenda A, houve resultados positivos de melhoria na
bonificação por UFC de R$ 510,00, houve redução de tratamento de casos clínicos,
o que trouxe uma economia de R$ 249,48 para a fazenda. Com isso, foi diminuído o
descarte de leite, que antes do programa custava R$ 826,20 e após passou a
custar R$ 153,00, totalizando um saldo de R$ 773,20. Foram obtidos, ainda,
resultados advindos da diminuição de perda de produção por mastite subclínica no
total de R$ 369,67, totalizando um saldo do programa de Seis Pontos de R$
1802,35. Na fazenda B esse saldo foi de R$ 2.142,87. Já na Fazenda C foram
gerados R$ 9.220,72 de saldo do projeto e por fim, na Fazenda D o saldo foi de
R$ 1.578,75.
Segundo Philpot & Nickerson (2002), o custo total anual de um programa de
controle de mastite é de aproximadamente 30 a 35 dólares por vaca/ano e pode
trazer cerca de 130 dólares por vaca/ano, vindos somente do aumento da produção
de leite. Já Alto et al (2005), encontraram gastos com controle e prevenção de
mastite durante o programa que variaram de R$ 39,67 para R$ 21,20 vaca/ano.
Philpot & Nickerson (2002), afirmam que para cada dólar investido pelo produtor,
o programa de controle de mastite retorna 4 a 5 dólares.
Jaramilo et al. (1991) avaliaram a resposta econômica da implementação de
programa de controle de mastite em 19 rebanhos no México, com um total de 9.575
animais, no período de 2 anos. A taxa de retorno sobre o capital investido no
final de 5 anos de execução do programa foi de 316,68%, ou seja, para cada
unidade monetária investida na implantação e execução do programa de controle de
mastite retornou três para os produtores.
As fontes de retorno financeiro vêm da redução da mastite clínica e descarte de
leite anormal ou contaminado por antibióticos, menos horas de trabalho extra e
gastos com medicamentos, diminuição de descarte involuntário por perda de tetos
e prolongamento da vida produtiva do animal, bonificações por qualidade,
especialmente por produzir leite com baixa contagem de células somáticas (CCS) e
unidades formadoras de colônia (UFC), além de promover aumento na produção de
leite PHILPOT & NICKERSON (2002).
Os programas de controle de mastite se mostram bastantes lucrativos para os
produtores de leite, mostrando claramente que é melhor investir no controle do
problema do que gastar com tratamentos temporários, que somente ameniza o
problema.
3.0 Bibliografia
ALTO, S. M. M, MOLINA, L. R, OLIVEIRA, N. A. R.
Avaliação do retorno econômico da implantação do Programa de Seis Pontos de
controle de mastite em rebanhos leiteiros de Minas Gerais. 2005.
BROWN, D. F. ARDAYA, V. RIBERA, C. et al. Mastitis control programme in the
developing dairy industry of tropical lowland Bolivia. Tropical Animal Health
and Production, v. 30, p. 3-11. 1998.
CARVALHO, G. F. Efeitos da implementação de um programa de controle de mastite
sobre a qualidade do leite. Tese de Mestrado. Escola de Veterinária –
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.
GODDEN, S. Uso de selantes para tetos na prevenção de novas infecções no
período. XII Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos. p. 98-112.2008.
JARAMILO, A. C. A.; ROQUE, G. S.; ALONSO, P. F.; et al. Evaluacíon económica de
un programa de control de mastitis bovina en la comarca lagunera entre 1986 y
1988. Veterinaria México. v. XXII: 4, p. 295-304. 1991.
OLIVEIRA, V. M. Avaliação técnico-econômica do controle da mamite bovina. 65f.
Tese de Mestrado em Medicina Veterinária – Escola de Veterinária, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1989.
OLIVEIRA, V. M. CARNEIRO, A. V. SILVA, M. R. Benefícios de um Programa de
Controle de Mastite Bovina em Condições Brasileiras de Criação. 9º Congresso
Pamericano de leite p.523-526. disponível em: http:/www.cileite.com.br/publicações/arquivo_congresso/congresso4.pdf.
Acesso em 02 mai. 2009.
PHILPOT, W. N. Dairy herd management practices for improving milk quality and
controlling mastitis. In: Dairy Research Report. p. 13-26.1994.
PHILPOT, W. N.; NICKERSON, S. C. Vencendo a luta contra a mastite. 1 ed.
Campinas: Westfalia, 2002.
SCHUKKEN, Y. H. LESLIE, K. E. WEERSINK, A. J and MARTIN, S. Ontario bulk milk
somatic cell count reduction program. Impact on somatic cell counts and milk
quality. Journal of Dairy Science, v.75, p.3352-3358, 1998.