Estatísticas comprovam: o controle da mastite, muito antes de ser um custo, é um investimento. Veja os números alcançados em diversos estudos e comprove!
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Publicado em 29/06/2009 por Danilo Augusto, graduando em medicina veterinária, estagiário - Equipe ReHAgro.
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Controlar a Mastite: Custo ou Investimento?

No oeste americano, a mastite gera um prejuízo para propriedades leiteiras de 200 dólares por vaca/ano e, estratificando as perdas, cerca de 17% advém da diminuição da produção de leite, 36% vêm das bonificações não alcançadas pagas por qualidade de leite, 12 % representam as perdas diretas por mastites clínicas e, por fim, as perdas decorrentes de descarte e morte de animais são de 35% (GODDEN, 2008).
A execução aprimorada de práticas de manejo com intuito de melhorar a qualidade do leite e reduzir os casos de mastite foi responsável pela consolidação de programas de melhoria da qualidade do leite e saúde da glândula mamária - O Programa de Seis Pontos.
Os primeiros trabalhos realizados para avaliar a eficiência da aplicação de programas de higiene e controle de mastite iniciaram-se na Inglaterra e Estados Unidos entre o final da década de 60 e início da década de 70 (CARVALHO, 2004).

1.0 Resultados zootécnicos de programas de controle de mastite bovina

Em rebanhos comercias de vários países, foi demonstrado que a taxa de incidência de mastite clínica se reduziu em torno de 50% no primeiro ano e, em até 75%, do segundo para o terceiro ano da aplicação de forma bem conduzida do Programa de Seis Pontos de controle de mastite (PHILPOT, 1994).
Em um estudo conduzido no Canadá, de 1989 a 1995, com a participação de setenta e três produtores de leite, sob a orientação de 40 médicos veterinários que implantaram o Plano Compreensivo de Controle de Mastite, foi obtida a redução média da CCS em 100.000 células/ml de leite e a aplicação sistemática do tratamento de vacas secas em 100% das fazendas. Após implantação das medidas de controle, o número de animais portadores de mastite subclínica por Streptococcus agalactiae foi reduzido de 55% para 7% (SCHUKKEN et al., 1998).
Na Bolívia após implantação do Programa Compreensivo de Controle de Mastite em 12 Rebanhos, a CCS reduziu em média 123.000 células por ano e, no final de cinco anos, a CCS saiu de 1.200.000 células/ml de leite para 461.000 células/ml de leite, totalizando redução de 62% na CCS (BROWN et al., 1998).
No Brasil, Carvalho (2004) encontrou redução na CCS de 300.000 células/ml de leite ou 52,1%, no tanque de expansão de 7 fazendas estudadas no período de 9 meses de análise e promoveu aumento de 6 % na produção de leite. Além disso, houve redução significativa na contagem bacteriana do tanque de 93,6%, onde a CBT inicial era de 813.000 UFC/ml de leite e ao final de 9 meses se encontrava em 52.000 UFC/ml de leite.
Os animais que possuíam CCS igual ou maior do que 400.000 células/ml produziram 12,87% menos leite quando comparados animais com CCS abaixo de 400.000 células/ml (CARVALHO, 2004).
No México, autores observaram, ao final do trabalho, aumento de produção de 1,2 milhões de litros anuais. Cada animal produziu 125,32 litros a mais de leite na lactação (JARAMILO et al, 1991).


2.0 Resultados econômicos

No Brasil, especificamente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, medidas profiláticas, curativas e de manutenção de controle de mastite foram realizadas em oito rebanhos. Considerando todos os rebanhos estudados, a média do indicador benefício/custo foi de 2,6 unidades monetárias, após um período de 6 meses (OLIVEIRA, 1989).
Em outro trabalho, a relação benefício/custo média encontrada foi de 4,08 (R$) em 4 rebanhos estudados após implantação do programa de controle de mastite (OLIVEIRA et al., 2009).


Após a implantação de programa de controle da mastite em sete rebanhos leiteiros, Carvalho (2004) obteve redução de 10% de quartos infectados e houve tendência de redução de animais portadores de mastite subclínica de 43% para 33%. Já OLIVEIRA et al. encontraram redução de 11,75% de quartos com mastite subclínica e 4,25% de vacas com mastite clinica, em 4 rebanhos, em um período de 6 meses de estudo.


Em um estudo conduzido por Alto et al. (2005), os autores encontraram um saldo do projeto após implantação do Programa de Seis Pontos, médio de R$ 3.686,17, em quatro propriedades. Na fazenda A, houve resultados positivos de melhoria na bonificação por UFC de R$ 510,00, houve redução de tratamento de casos clínicos, o que trouxe uma economia de R$ 249,48 para a fazenda. Com isso, foi diminuído o descarte de leite, que antes do programa custava R$ 826,20 e após passou a custar R$ 153,00, totalizando um saldo de R$ 773,20. Foram obtidos, ainda, resultados advindos da diminuição de perda de produção por mastite subclínica no total de R$ 369,67, totalizando um saldo do programa de Seis Pontos de R$ 1802,35. Na fazenda B esse saldo foi de R$ 2.142,87. Já na Fazenda C foram gerados R$ 9.220,72 de saldo do projeto e por fim, na Fazenda D o saldo foi de R$ 1.578,75.


Segundo Philpot & Nickerson (2002), o custo total anual de um programa de controle de mastite é de aproximadamente 30 a 35 dólares por vaca/ano e pode trazer cerca de 130 dólares por vaca/ano, vindos somente do aumento da produção de leite. Já Alto et al (2005), encontraram gastos com controle e prevenção de mastite durante o programa que variaram de R$ 39,67 para R$ 21,20 vaca/ano. Philpot & Nickerson (2002), afirmam que para cada dólar investido pelo produtor, o programa de controle de mastite retorna 4 a 5 dólares.


Jaramilo et al. (1991) avaliaram a resposta econômica da implementação de programa de controle de mastite em 19 rebanhos no México, com um total de 9.575 animais, no período de 2 anos. A taxa de retorno sobre o capital investido no final de 5 anos de execução do programa foi de 316,68%, ou seja, para cada unidade monetária investida na implantação e execução do programa de controle de mastite retornou três para os produtores.


As fontes de retorno financeiro vêm da redução da mastite clínica e descarte de leite anormal ou contaminado por antibióticos, menos horas de trabalho extra e gastos com medicamentos, diminuição de descarte involuntário por perda de tetos e prolongamento da vida produtiva do animal, bonificações por qualidade, especialmente por produzir leite com baixa contagem de células somáticas (CCS) e unidades formadoras de colônia (UFC), além de promover aumento na produção de leite PHILPOT & NICKERSON (2002).
Os programas de controle de mastite se mostram bastantes lucrativos para os produtores de leite, mostrando claramente que é melhor investir no controle do problema do que gastar com tratamentos temporários, que somente ameniza o problema.

3.0 Bibliografia

ALTO, S. M. M, MOLINA, L. R, OLIVEIRA, N. A. R. Avaliação do retorno econômico da implantação do Programa de Seis Pontos de controle de mastite em rebanhos leiteiros de Minas Gerais. 2005.
BROWN, D. F. ARDAYA, V. RIBERA, C. et al. Mastitis control programme in the developing dairy industry of tropical lowland Bolivia. Tropical Animal Health and Production, v. 30, p. 3-11. 1998.
CARVALHO, G. F. Efeitos da implementação de um programa de controle de mastite sobre a qualidade do leite. Tese de Mestrado. Escola de Veterinária – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.
GODDEN, S. Uso de selantes para tetos na prevenção de novas infecções no período. XII Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos. p. 98-112.2008.
JARAMILO, A. C. A.; ROQUE, G. S.; ALONSO, P. F.; et al. Evaluacíon económica de un programa de control de mastitis bovina en la comarca lagunera entre 1986 y 1988. Veterinaria México. v. XXII: 4, p. 295-304. 1991.
OLIVEIRA, V. M. Avaliação técnico-econômica do controle da mamite bovina. 65f. Tese de Mestrado em Medicina Veterinária – Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1989.
OLIVEIRA, V. M. CARNEIRO, A. V. SILVA, M. R. Benefícios de um Programa de Controle de Mastite Bovina em Condições Brasileiras de Criação. 9º Congresso Pamericano de leite p.523-526. disponível em: http: PHILPOT, W. N. Dairy herd management practices for improving milk quality and controlling mastitis. In: Dairy Research Report. p. 13-26.1994.
PHILPOT, W. N.; NICKERSON, S. C. Vencendo a luta contra a mastite. 1 ed. Campinas: Westfalia, 2002.
SCHUKKEN, Y. H. LESLIE, K. E. WEERSINK, A. J and MARTIN, S. Ontario bulk milk somatic cell count reduction program. Impact on somatic cell counts and milk quality. Journal of Dairy Science, v.75, p.3352-3358, 1998.


 

:: Comentários ::

ismailer -
Estudante

Muito bom.
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