A qualidade da mão-de-obra é fruto da qualidade de quem a gerencia. Aproximadamente 50 a 70% dos funcionários percebem o ambiente em que trabalham de acordo com a visão que têm de um único indivíduo: o líder.
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Publicado em 30/06/2009 por Clóvis Corrêa, médico veterinário, doutor em ciência animal - Equipe ReHAgro
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A qualidade da mão-de-obra é fruto da qualidade de quem a gerencia

Qualquer empresa, para atingir o sucesso, precisa ter alguns pilares realmente fortes. O conhecimento do próprio negócio é essencial, assim como um bom modelo de gestão. O terceiro pilar fundamental é as pessoas que executam as tarefas e a capacidade da empresa de estabelecer liderança e colocá-las na busca do resultado.

Ministrando cursos em diversas regiões do Brasil, podemos verificar que existe uma percepção generalizada de que um dos maiores limitantes do desempenho das empresas rurais brasileiras é a qualidade da mão-de-obra. Geralmente, existe uma grande insatisfação por parte dos gestores em relação as suas equipes.

Se partirmos da premissa de que o problema realmente existe e que a qualidade da equipe é realmente um pilar importante em qualquer negócio, devemos considerar que se torna necessário discutir uma solução para a questão.

O primeiro passo para que se possa melhorar a qualidade da equipe e ter pessoas mais qualificadas e motivadas é decidir que isso é possível e que o problema será resolvido. Muitas vezes, vemos pessoas reclamando da questão, mas pouco dispostas a realmente atuar de maneira construtiva.

O segundo passo é compreender que a solução não está nos funcionários e sim na empresa, no empresário e nos gestores. Não se pode esperar que as mudanças comecem pelos funcionários. Ficar reclamando da qualidade das pessoas e dizendo que eles não se comprometem com o trabalho realmente não ajuda a resolver nada.

Não se pode negar que em muitas situações a baixa qualificação técnica e humana das pessoas envolvidas é realmente um grande limitante. Também é preciso considerar a possibilidade de ser necessário substituir algumas pessoas que tenham limitantes humanos ou técnicos que tornem sua manutenção inviável.

A questão é focar na solução do problema e com isso existem diversas possíveis ações para a construção de uma equipe realmente produtiva. Com certeza, isso irá passar por ações na contratação de pessoas com perfil adequado e na qualificação das pessoas para conhecerem mais de suas tarefas e responsabilidades.

Uma das ações mais importantes é a qualificação dos gestores para que se comportem como verdadeiros líderes e sejam capazes de construir a qualidade da equipe. A capacidade do gestor de, realmente, liderar.

Liderar é a capacidade de influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos. Os estudos de liderança mostram que existem determinadas características que fazem com que um indivíduo tenha ou não liderança sobre um grupo.

A primeira base para a liderança é a admiração. Um líder deve possuir a admiração das pessoas sobre as quais vai agir, sendo que daí decorre sua autoridade sobre elas.

Alguns pontos são fundamentais para que se tenha a admiração. O primeiro deles é a existência de valores que estejam alinhados com o grupo. O segundo ponto é a coerência. O Líder deve ter atitudes coerentes com suas crenças verbalizadas. Se o líder fala coisas que estão em sintonia com a crença do grupo, mas não age de maneira coerente ele perderá a admiração. Outro ponto importante é a confiança. Se as pessoas vão seguir alguém por vontade própria, seja no campo de batalha ou na sala de reuniões da diretoria, elas primeiro querem se assegurar de que esse indivíduo é digno de sua confiança

Um aspecto muito importante ao se analisar a liderança é ponderar que ela pode ser desenvolvida. Ou seja, um indivíduo pode desenvolver sua habilidade em liderar através da busca do conhecimento sobre o assunto e de seu próprio esforço em ter atitudes que gerem liderança.

Boa parte das dificuldades dos gestores de realmente terem alta eficiência como líderes estão relacionadas às suas limitações ao lidar com suas próprias emoções e consequentemente com o liderado. Comumente vemos gestores que perdem a paciência e tratam mal ou agem de maneira injusta com seu liderado. As conseqüências disso na motivação do indivíduo e do grupo e no resultado da empresa com certeza são grandes e muitas vezes não são percebidas.

Esse é só um exemplo em que a dificuldade emocional do gestor atrapalha sua liderança. Lidar com as emoções de maneira inteligente ou o uso inteligente das emoções é o assunto tratado pelo estudo da inteligência emocional. A inteligência emocional foi descrita a partir do estudo de pessoas que apresentavam um alto desempenho como líderes. Observou-se que essas pessoas tinham características em comum e essas características foram organizadas em quatro grupos.

Dois grupos se referem a competências pessoais:

O primeiro grupo é composto por três competências ligadas ao autoconhecimento, ou seja, a habilidade do indivíduo de perceber a si mesmo. O segundo grupo reúne as competências ligadas ao controle de suas próprias ações (auto gestão).

Dois grupos se referem a competências sociais:

O terceiro grupo é composto por competências ligadas à habilidade de perceber o outro e o grupo, chamado consciência social. O quarto grupo reúne competências relacionadas à habilidade do indivíduo de lidar com o outro e com o grupo, chamado administração de relacionamentos.
A seguir segue uma breve descrição das competências da inteligência emocional. Uma auto-avaliação de como o leitor se percebe em cada uma delas pode dar uma visão de como está sua competência emocional. Vale ressaltar que esse não é um processo estático. Ou seja, todos podem desenvolver aquelas competências em que não estão muito capazes. O primeiro passo é se perceber e conhecer as competências em que se deseja melhorar. O segundo passo é entender bem a competência e se esforçar.

1º Domínio:Autoconsciência


- Autoconsciência emocional: Identificar nossas próprias emoções e reconhecer seu impacto; usar a intuição para guiar as decisões. O primeiro passo para que se tenha controle e perceber as próprias emoções.

- Auto-avaliação precisa: Conhecer nossos próprios limites e possibilidades. O conhecimento dos próprios limites é fundamental para que o indivíduo saiba até onde ir e quando buscar ajuda.

- Autoconfiança: Um sólido senso de nosso próprio valor e capacidade. A autoconfiança é essencial em momentos em que o líder deve tomar decisões e assumir posições perante o grupo.

2º Domínio: Autogestão

- Autocontrole emocional: Manter emoções e impulsos positivos ou negativos sob controle.

- Transparência: Ser honesto e íntegro; digno de confiança. Um líder transparente permite maior proximidade de seus liderados devido à confiança sólida gerada.

- Adaptabilidade: Flexibilidade na adaptação a situações voláteis ou na superação de obstáculos.

- Superação: Ímpeto para melhorar o desempenho a fim de satisfazer padrões interiores de excelência. Um indivíduo com alta superação busca sempre a excelência na realização das tarefas.

- Iniciativa: Agir antes de solicitado e por vontade própria, antecipando os outros. A iniciativa é uma competência fundamental aos líderes e faz com que eles acelerem os processos de tomada de decisão e se tornem decisivos em momentos estratégicos das empresas.

- Otimismo: Ver o lado bom dos acontecimentos. O otimismo é uma competência essencial para que o líder seja capaz de manter motivado e contagiar o grupo sempre com uma visão positiva e vencedora. O indivíduo otimista tem a capacidade de ultrapassar a visão do problema com uma proposta focada na solução.

3º Domínio: Consciência Social

- Empatia: Perceber as emoções alheias, compreender seu ponto de vista e interessar-se ativamente por suas preocupações. A empatia é a competência que permite perceber seu liderado mesmo quando ele não expressa abertamente o que está sentindo.

- Consciência Organizacional: Identificar as tendências, as redes de decisão e a política em nível organizacional. (Empatia ampliada). Essa competência permite uma percepção clara das relações de poder e liderança de um grupo e pode auxiliar na condução das ações na busca dos resultados.

- Serviço: Reconhecer e focar a satisfação das necessidades dos subordinados, fornecedores, parceiros e clientes. Essa competência está relacionada com a preocupação com a satisfação da necessidade do outro.

4º Domínio: Administração de Relacionamentos

- Liderança Inspiradora: Orientar e motivar de maneira instigante, contagiante. Com o uso dessa competência o líder é capaz de gerar no grupo um envolvimento emocional na busca dos objetivos. É a capacidade de colocar todos realmente envolvidos com a busca do objetivo como algo pessoalmente importante para cada um.

- Influência: Dispor de uma variedade de táticas para convencimento/persuasão. É a capacidade de argumentar com o grupo demonstrando racionalmente porque os objetivos ou tarefas são importantes e com isso envolvendo todos.

- Desenvolvimento dos demais: Cultivar as capacidades alheias por meio de retornos sobre seu desempenho, da orientação e do treinamento. É a real preocupação com o liderado, característica muito importante em um líder.

- Catalisação de Mudanças: “Fazer as coisas acontecerem”; gerenciar e liderar em uma nova direção. É a capacidade de mudar a direção do grupo em momentos em que isso se faz necessário.

- Gerenciamento de Conflitos: Solucionar divergências, ter o famoso tato. O líder forte nessa competência é geralmente aquela pessoa que todos procuram nos momentos em que se torna necessário mediar um conflito.

- Trabalho em Equipe e Colaboração: Cooperação e criação em grupo. Essa competência se refere à capacidade de promover um ambiente em que todos produzem juntos. Essa competência também se refere à capacidade do líder de perceber aqueles que estão ficando afastados da tarefa e incluí-los.

O principal objetivo dessa apresentação breve da inteligência emocional é permitir que se conheça o conceito e que se perceba como as competências se referem a aspectos simples, ligados ao dia a dia de todos. Ou seja, qualquer pessoa já utiliza as competências da inteligência emocional diariamente, mesmo sem nunca ter lido nada a respeito. Seu conhecimento pode permitir maior atenção e busca de melhoria para aqueles que estão realmente interessados em se tornar líderes mais eficazes.

Aproximadamente 50% a 70% de como os funcionários percebem o ambiente de suas empresas, dependem, em última instância, dos atos de um único indivíduo: O Líder.

A qualidade das equipes de cada fazenda com certeza está impactando o resultado do negócio. O desenvolvimento de equipes qualificadas e motivadas é um importante passo para o sucesso de qualquer empresa. O seu desenvolvimento como líder pode ser um importante decisivo rumo ao incremento de seu negócio. Pense nisso!
 

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