Entrevista com Maria Coeli, coordenadora do curso de medicina veterinária da PUC/Minas em Betim, sobre mercado de trabalho e formação acadêmica na medicina veterinária.
Ponto de Vista
Publicado em 02/09/2009 por Lidia Pantuza, graduanda em medicina veterinária, estagiária - Equipe ReHAgro

Leia sobre mercado de trabalho e formação acadêmica nessa entrevista de Maria Coeli - Médica Veterinária pela UFMG, mestre em Medicina Veterinária e doutora em Ciência Animal pela UFMG. Atua como consultora técnica em criatórios de equinos do Estado de Minas Gerais e é sócia fundadora da Associação Mineira dos Médicos Veterinários de Eqüídeos. Integra também a comissão organizadora de Encontros de Produtores de Gado Leiteiro F1, é Representante da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais – FAEMG na comissão Estadual de Controle da Anemia Infecciosa Equina em Minas Gerais – CECAIE – MG. Por fim, é Professora Adjunta III da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, exercendo o cargo de Coordenadora do Colegiado do Curso de Medicina Veterinária em Betim e também coordenando o Projeto de Extensão “Terapia Assistida por Animais: Qualidade de Vida de Idosos”.

1. Qual a diferença entre o profissional Veterinário de hoje e o antigamente?

Não mudou o profissional, mudaram as pessoas, e mudando as pessoas muda-se o mercado, mudam-se os interesses, muda-se o foco, mudam-se as formas de atingir estes objetivos. A profissão, especificamente a Medicina Veterinária, para que possa estar enquadrada dentro deste contexto, teve que fazer suas adequações. Então, hoje, as especializações são diferenciadas, bem como as oportunidades e as capacitações. Antigamente, na graduação, o leque de oportunidades ofertadas, não só no meio acadêmico, bem como no mercado, tinha restrições diferentes das atuais. Então, dentro desse contexto, vejo como mudança significativa decorrida de uma alteração anterior das pessoas, mundo e mercado.
 
O que se percebe nos profissionais de hoje, principalmente por estar vivenciando a coordenação de um curso de graduação, são as ansiedades em relação às diferentes áreas, e como as pessoas hoje lidam com estes anseios. Isso porque, antes, as pessoas procuravam a Medicina Veterinária porque tinham uma vinculação já regulamentada com o meio rural, com o pai que possuía, por exemplo, uma propriedade rural ou empresa relacionada à área. Hoje já não é assim: as pessoas despertam para a profissão e não conhecem muitas vezes a essência, ou com aprofundamento, quais são as ocupações e o dia a dia do profissional. Por isso, percebo nos alunos ou recém formados de hoje, uma busca orientada para conhecer e definir em que área vão se sentir realizados profissionalmente e como pessoas. O foco acontecia um pouco mais cedo naquele outro momento devido à vinculação estreita, que era mais frequente no aluno que procurava Agronomia, Medicina Veterinária ou Zootecnia.

2. Como a faculdade se adaptou a este novo perfil? 

  Ela começa a se adaptar na construção do próprio projeto pedagógico que tem uma inter-relação com o mercado, com as necessidades de um profissional que podemos chamar de “integral”, que deve possuir uma formação técnica, cidadã, que interage com o meio e se capacita para reconhecer e apresentar estratégias de ação para os desafios. As universidades têm que estar muito atentas às possibilidades de atualização e renovação desse projeto pedagógico, que é um alicerce, mas que não é imutável jamais.

A adaptação ocorre também na seleção do corpo de docentes, que vão participar, não só da construção, mas do desenvolvimento desse projeto.

Essa evolução é muito importante. Deve-se ponderar qual é o foco que tem aquele curso, como serão aqueles docentes que estarão  à frente da gestão desse projeto pedagógico e o apoio que a universidade dará para a sustentação desse projeto, quanto à  estrutura física, quanto às oportunidades de interação da universidade com este mercado, como a universidade se posicionará, como se relacionará  com este mercado, a capacitação da universidade para desenvolver os projetos de pesquisa, como dará sustentação ao desenvolvimento dos docentes, discentes e a equipe de apoio.

Esta interação com o mercado, com o mundo, com o desenvolvimento de pesquisas, com a evolução de um projeto, associada com uma gestão de uma universidade consolidada como instituição, é que permitiu essa adaptação.

3. O que você considera necessário em um veterinário de destaque, independente da área de atuação?

O que é um veterinário de destaque?

Considerando que seja aquele que se encontra numa posição de equilíbrio dentro da profissão, o destaque vem quando se faz o que gosta, quando se compromete com sua atividade.
Quando se decide por uma atividade, se visualiza, elabora e cumpre um plano dentro da sua formação e se tem a capacidade de rever a cada dia e a cada momento os seus processos internos como pessoa, o destaque é  uma consequência.  É muito importante como você constrói a sua história como estudante e profissional, como você consolida essa história e mantém a chama acessa. A sua capacidade de buscar essas fontes e de ter a humildade para rever os seus limites, ser capaz ou capacitar-se para reconhecer que é preciso uma atualização constante, não só de rever os processos técnicos, mas também sua formação como pessoa. Então, o destaque vai muito dessa interação: objetivos técnicos profissionais e sua capacidade de ser uma pessoa.
 
4. Por ser mulher, você  enfrentou dificuldades ou preconceito no mercado, antes quase exclusivamente masculino, até  se firmar como veterinária de destaque?

Esse preconceito pode ser colocado como um mito.

Desde que ingressei para a Medicina Veterinária eu tinha um objetivo traçado, que era o projeto de trabalhar com grandes animais, especialmente produção de equídeos, e iniciei a atividade acadêmica com atividades na iniciação cientifica, monitorias e laboratórios.

Em 1986, quando me formei, o mundo da veterinária tinha um componente masculino muito grande, mas desde o momento que entrei para a universidade ficou muito claro para mim que é a nossa postura, a maneira como a mulher ou homem se posicionam é que dariam ou não o respeito em relação ao gênero homem/mulher. Então, a discriminação só  iria acontecer dentro da minha visão, muito dependente de como eu me posicionaria como aluna, como orientada, dependente do cumprimento das minhas responsabilidades, como eu me comportaria ao procurar um estágio, ao estar no meio da produção equídea – que era a minha área- com quem eu deveria falar e em que momento.

Também  é muito importante que se tenha sustentação técnica para defendermos os pontos de vista. Essa sustentação não pode querer jamais se contrapor ao gênero homem/mulher. Todos nós temos que estar capacitados e reconhecer que muitas vezes os limites são impostos pelas próprias pessoas, é como você se coloca diante desse mercado, que é, muitas vezes, masculino.

Eu vivi experiências que poderiam se caracterizar como discriminatórias, mas naqueles momentos eu tive o apoio e o amparo de professores da área que me conheciam. Como estudante, em uma exposição, havia uma limitação de acompanhar as atividades de julgamento em pista por ser mulher. No momento em que houve essa retaliação, solicitando minha retirada de pista, o professor que havia me indicado, que conhecia meus interesses, o quanto eu estava empenhada em exercer aquela função, teve a conduta de ir buscar a solução e aquela atividade discriminatória foi rechaçada a partir da ação, não só do professor, mas também da forma como nós atuamos.

A discriminação existiria se eu permitisse. Nós, mulheres, encontramos alguns tipos de desafios, e os homens vão encontrar outros tipos. Isso vai muito da nossa formação familiar, da consolidação técnica, da atitude que temos. Não vejo nenhum problema em ser mulher, ser veterinária e trabalhar com grandes animais. Isso nunca foi o limite.

5. Como está  o atual mercado de trabalho? Quais as áreas que mais absorvem profissionais? E qual a faixa salarial da profissão? 

O mercado de trabalho sofre mudanças frequentes e vai continuar sofrendo, faz parte da evolução, da mudança do mundo. E, dentro da Medicina Veterinária, as especializações trouxeram novas oportunidades. Quando pensamos que o veterinário pode trabalhar dentro da inspeção, da tecnologia, da produção animal, da clínica e cirurgia de pequenos e de grandes, na saúde pública e outras áreas, percebemos que o leque de atividades, e dentro disso de ocupações, é muito grande.

Se falarmos que hoje há uma demanda de mercado para a área de grandes maior que de pequenos ou vice-versa, nós estaríamos sendo precipitados. Nós temos dentro da universidade nichos de maior interesse dos próprios alunos e das linhas de pesquisa, então a universidade, com suas particularidades, fomenta essas determinadas áreas e vai se tornando referência para o mercado nas mesmas. Mas, sabe-se que hoje existe uma maior valorização do profissional em áreas como tecnologia, inspeção de carne e leite, e na produção animal com foco e respeito ao bem estar animal e sustentabilidade. Essa última englobando os conceitos e preceitos éticos, morais, ecológicos, econômicos, etc. Além disso, em especializações dentro das diversas áreas de atuação, por exemplo, de pequenos animais, que não existiam há 20 anos atrás. Então, são nichos diferentes que tem que ser devidamente explorados.

Vale ressaltar que as demandas, muitas vezes, são regionalizadas.

Clínica de pequenos sempre vai continuar absorvendo profissionais, uma vez que estudos mostram que há uma tendência de maior expectativa de vida das pessoas, e muitas residem sozinhas, sendo este um dos fatores que predispõem ao crescimento do mercado para animais de estimação; quando se associa a isso uma economia crescente, esse mercado fica mais exigente e absorvendo mais ocupações – treinamento, banho e tosa, clínica e cirurgia, acompanhante, hotel.

Hoje, outro ponto que merece destaque, é a maior exigência pela qualidade dos produtos de origem animal, sendo necessária a presença do veterinário em todos os processos de manipulação e comercialização. As biotecnologias, hoje, também têm um atrativo diferenciado, sendo imprescindíveis para o desenvolvimento e evolução de serviços e produtos.

Atualmente, o graduando sai da universidade com uma formação generalista, mas já consciente da necessidade de um aprofundamento em determinadas áreas. Então, isso identifica que o mercado é  pluri, é poli, apresenta diferentes áreas e que vai absorver aquele profissional que estiver devidamente capacitado e em permanente atualização.

A remuneração depende muito da área de atuação, da região onde se atua e do grau de capacitação do profissional. Então, ao início de carreira é esperado que o profissional tenha uma remuneração inferior. O importante é fazer um plano de carreira, estabelecendo-se qual a remuneração é condizente para área em que atuará daqui a um ano, a cinco anos, qual caminho se deve traçar e percorrê-lo, determinar o que espera para si como profissional e como pessoa, e com isso a remuneração vai ser construída e adequada ao perfil do profissional. 

6. Como coordenadora de um curso de Medicina Veterinária, qual o quesito profissional (déficit) acha que ainda precisa ser melhorado na nossa formação?

Nosso currículo, nosso projeto pedagógico, é construído por espécie e área, então o aluno dentro de um período tem um foco definido para que possa se direcionar, e observamos que os resultados são positivos: os alunos estão saindo seguros e preparados para as áreas em que vão atuar.

Mas a questão não é inserir novas disciplinas. Um currículo tem que estar sempre em mudança, constante reavaliação. Em nosso currículo, uma das próximas metas é a inserção de duas disciplinas relacionadas à gestão. Mas, mais do que aumentar disciplinas, é aumentar a capacidade do próprio curso nesse diálogo constante com os alunos, de ser exemplo de conduta organizacional.

Muitas vezes, os alunos ingressantes procuram o curso de Veterinária por paixão; sabe-se a expressão Médico Veterinário, mas não se conhece, e nem é obrigação que se conheça, a essência de ser Médico Veterinário.

O Veterinário tem capacitação para N áreas e o aluno quando entra na universidade, com uma faixa etária em torno dos 17-19 anos, e se depara com essa diversidade fica, ao início, perplexo.

Uma coisa, que é da educação de base, é a organização que o estudante tem, bem como o comprometimento com suas atividades acadêmicas. Muitas vezes, se tem uma carga horária semanal de aulas de 30 horas e o aluno precisa se organizar para estudar! E na maioria das vezes ele não está preparado para esta organização: quando estudar, como estudar, a quem recorrer.

O aluno deve, desde cedo, além de se organizar, reconhecer seus diferenciais - pontos fortes e pontos fracos - e a universidade, os docentes, o grupo que trabalha com os alunos deve ajudar também nessa identificação.

Enquanto coordenação, percebo que a história de vida, a história familiar, é um componente que pesa muito no desenvolvimento do aluno, na capacidade de concentração, na postura no meio acadêmico e como ele se relaciona com seu entorno. Então, se a universidade conseguir enxergar essas individualidades, essas especificidades e puder trabalhar isso, não só no âmbito do conteúdo técnico, supriria esse déficit na formação profissional.

7. Um assunto muito discutido está sendo a ética no uso e experimentação animal. Como as escolas de veterinária poderão se adaptar as novas exigências? Você considera que isso pode limitar o avanço científico ou até mesmo prejudicar a formação do Médico Veterinário?
 
As escolas estão todas mobilizadas, a universidade, a PUC como um todo, o curso de Medicina Veterinária.

Essa mudança não é e não deve ser radical! Essa consciência da otimização do uso dos animais, bem como o pensamento de como eles serão usados, é necessária. Por isso, a comissão de ética e o grupo de professores têm que receber orientação contínua para que essa mudança não seja extremista a ponto de comprometer o ensino, a ciência ou a tecnologia. Ela tem que ser muito bem planejada, muito bem discutida.

Nossos professores estão participando de cursos para conhecer novas estratégias, além dos contatos com empresas que apresentam propostas nessa área, com ferramentas para esta substituição, que sejam em manequins, protótipos, softwares ou outras.

A escola já tem hoje uma comissão de ética trabalhando com este foco.
 
Temos que enxergar como um processo de adequação que envolve riscos que devem ser devidamente conhecidos e mensurados. Mas, nós temos que estar abertos para essa mudança. Pensar em quais são as alternativas para cada uma das áreas da Medicina Veterinária, dentro da Fisiologia, da Farmacologia, da Cirurgia, para que não se passe por uma mudança sem uma avaliação prévia de como ela vai se adequar e como ela pode ou não comprometer o resultado.

8. Seguindo a mesma linha, o mercado consumidor mundial está  exigindo produtos de origem animal que se originem de criatórios que primem pelo bem-estar animal e produção sustentável. As universidades estão se preocupando em ensinar aos profissionais do futuro como trabalhar de forma ecologicamente correta?

Esta é uma preocupação não só aqui do nosso curso de Veterinária, como também de outros cursos da PUC Minas.

Essa preocupação é inerente à nossa atividade, os impactos são intrinsecamente relacionados a essas ocupações, por isso é importante saber como nós vamos trabalhar esses impactos.
Os professores abordam, dentro de suas matérias, este assunto; existem cursos/treinamentos com foco neste tema, grupos de estudos e há projetos em desenvolvimento com o objetivo de mobilizar os alunos.
 
O foco é na abordagem no nosso dia a dia dessas questões da conservação ambiental: como tem sido o consumo de água no hospital ou na fazenda, como tem sido o descarte dos materiais nesses locais. Em todas estas linhas, que gerem um equilíbrio para o ambiente e que são também oportunidades de trabalho para o veterinário. Em trabalho associado, há uma comissão da Universidade responsável pelo controle de resíduos em todos os setores de atividades da instituição.

A preocupação e cuidados são constantes e enxergamos que se o processo é lento é  porque depende de quanto nós, como pessoas, estamos educados e preparados para isso.
Então, que não seja algo vinculado somente a uma disciplina específica, mas que seja uma conduta nossa como pessoas, em nossas casas, em nossa vida, no nosso ambiente de estudo, em nosso ambiente de trabalho. E é nesse conjunto de ações que o curso tem trabalhado, não somente como um projeto, mas para atingir como consciência, como conduta. Isso é um programa.

9. Quais as vantagens em se optar por trabalhar num ambiente universitário, ou seja, optar pela carreira acadêmica?

Dentro das áreas de trabalho, a carreira acadêmica tem que ser uma opção sedimentada por um perfil técnico/científico/acadêmico. Para isso, o profissional tem que se interessar e se visualizar dentro das áreas de iniciação científica, atividades de pesquisa, percurso do mestrado e do doutorado.

As vantagens deste ambiente são as oportunidades do conhecimento a cada momento, a movimentação da informação torna-se mais rápida; além do acadêmico, enquanto docência, ter o convívio com o aluno, seja da graduação ou da pós; as possibilidades de elaboração e interação entre os saberes; as cobranças para a atualização; e o convívio com o jovem, que é um revitalizador. E, no ambiente acadêmico, as diferenças podem ser colocadas e discutidas de uma forma ampla com uma visão diferenciada, quando comparada a outras atividades empresariais, porque tem um objetivo que é técnico, científico, acadêmico.

É uma carreira que vai ter desafios como outra qualquer, não existindo uma estabilidade, uma vez que carreiras são como projetos/programas e passam por instabilidades de momentos. Mas, não há a necessidade de nos pautarmos por estabilidade, uma vez que estamos à procura da evolução e todo processo de mudança tem uma relação direta com instabilidade.
 
Muitas vezes, a remuneração é diferenciada, mas o quanto a universidade exige do profissional, o quanto há de comprometimento, de satisfação, de alegria de viver? Então, nem sempre uma alta remuneração significa estabilidade, que é emocional. Pode-se estar estável financeiramente e instável emocionalmente! E, esse ponto de equilíbrio é individual, não se consegue de forma alguma desvincular as atividades profissionais das atividades como pessoa. O importante é como nos vemos executando aquela atividade: será feliz só porque tem uma boa remuneração e horário pré-determinado? 
 
10. Comentários:

O ReHAgro desperta-nos para esta forma de trabalhar, que está pensando não só no indivíduo técnico, mas no indivíduo que vai além desse contexto. E como a equipe ReHAgro tem conseguido realizar esse projeto e vinculá-lo ao mercado! Isso me chama muita atenção porque, segundo minhas concepções, é uma perspectiva de vida.


:: Comentários ::

Leonardo de Rago Nery Alves - 03/09/2009 17:55
Consultor Técnico

Excelente entrevista; acredito que essas respostas possam indicar um caminho para o jovem graduando de medicina veterinária, não só da PUC-Betim, como também de outras instituições. É importante ressaltar que alem de paixão, o graduando de medicina veterinária deve possuir como pré-requisito ao sucesso: dedicação e caráter.
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Thales de Lima Silva - 04/09/2009 07:15
Estudante

Excelente!!! Meus agradecimentos à professora Maria Coeli pela elucidação de temas tão improtantes e atuais no processo de graduação acadêmica e à Lídia pelo brilhante trabalho. Parabéns Lídia!
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