Introdução e Revisão
Com a melhoria do nível genético e produtivo do rebanho brasileiro nos últimos anos e com o crescimento de animais estabulados, além da produtividade de campo, a qualidade bromatológica da silagem tem merecido destaque pelos produtores, proporcionando dietas mais agressivas ou econômicas, acompanhando esta evolução e se tornando mais competitiva no setor.
Diversos são os fatores que tem influenciado diretamente na produtividade e qualidade de silagem no Brasil, o que tem contribuído para o aumento nos custos das silagens e das dietas de vacas de alta lactação. Um dos problemas mais comuns tem sido os erros básicos que muitos pecuaristas cometem tanto na lavoura, quanto no processo de ensilagem.
Dentre estes erros comuns, podemos destacar: Falta de matéria orgânica e palha no solo devido a cultivos sucessivos na mesma área; solos mal preparados e compactados; a escolha do híbrido de milho por preço baixo; adubações desequilibradas em Nitrogênio e Potássio; controle ineficiente de pragas e doenças, e colheita antecipada com baixo teor de % matéria seca.
Segundo o Professor Marcos Neves do Dep. de Zootecnia da UFLA em Lavras-MG, 90% das silagens que são analisadas no laboratório de nutrição animal apresentam nível de bromatologia pior que cana-de-açucar ou capim. Estes dados também são perceptíveis e semelhantes aos de Piracicaba-SP, segundo o Prof. Luis Gustavo Nússio do Dep. de Zootecnia da ESALQ-USP.
Dentre os fatores de qualidade da silagem, destacamos a escolha do híbrido de milho, que deve aliar a boa sanidade foliar e a maior produtividade de grãos com um bom porte e ciclo normal à tardio para um bom processo de ensilagem. Isto tudo alinhado com um período de colheita ideal compreendido entre 33% a 37% de matéria seca para as nossas condições.
Segundo a tabela abaixo, silagens de milho colhidas com baixo % de matéria seca, vão apresentar pouco acúmulo de carboidratos nos grãos, em especial, o amido, reduzindo os valores de Nutrientes Digestíveis Totais (energia) e aumentando a proporção de fibras: Fibra Detergente Neutro (ligada ao consumo animal – volume/conteúdo celular) e Fibra Detergente Ácido (relacionada à digestibilidade do conteúdo celular).
Os dados acima demonstram que se o milho for colhido em média com a linha de leite no meio (aprox. 35% de matéria seca), a planta já atingiu 95% do potencial produtivo de grãos e a planta 100% do seu potencial de crescimento e maturidade. Com isto, preserva-se a qualidade da silagem em % de fibras e energia, levando a uma maior produtividade de Leite/Kg Matéria Seca ingerida.
Segundo Caetano (2001), a decisão pelo momento de colheita deve considerar que a planta deveria ser colhida em um estádio fisiológico no qual o teor de FDN estivesse diluído pelo
progressivo aumento no teor de amido, decorrente do enchimento do grão.
Deste modo, o momento de colheita da silagem ideal é com estágio mais avançado de maturidade, mas com umidade suficiente para uma boa compactação e fermentação.
Outro fato que leva a uma maior participação de espigas e, consequentemente, de grãos na silagem é a população ideal de plantas por hectare. Altas populações reduzem a participação de espigas, aumento de plantas estéreis e elevam a % da fração vegetativa da planta na matéria seca total da silagem, em especial, o % de colmo ou haste, cuja digestibilidade é a mais baixa de todas as frações da planta (50%), conforme dados de CAETANO (2001) no quadro abaixo:
Outros trabalhos estudando alturas de corte mais elevadas da planta, aumentaram a participação de espigas e, consequentemente, de grãos e amido, reduzindo os valores de FDN na silagem (PEDÓ et alii, 2009).
O objetivo deste trabalho foi o de verificar a influência do % de amido na qualidade da silagem e sua influência para animais de alta produtividade de leite.
Material, Métodos e Resultados
O presente ensaio foi conduzido na propriedade “Fazenda Extrema” do Grupo Rivelli, em Alfredo Vasconcelos-MG, no período da seca (maio-junho-julho) do ano agrícola 2008, sob supervisão do Gerente local, Sr. Marcos J. dos Anjos.
Os híbridos escolhidos para silagem foram baseados nos melhores resultados obtidos em produtividade e qualidade bromatológica de silagem na última safra. A diferença entre os tratamentos é que o híbrido P30F90, estava com população mais elevada (60.000 plantas/ha) e o híbrido AG4051 estava com população mais baixa (45.000 plantas/ha), e portanto, com % grãos e de amido maior em relação à matéria seca total da silagem. Os dados de produção a campo no momento da ensilagem, foram:
Os silos foram feitos e fechados no mesmo dia, na quantidade necessária para a condução do ensaio, com tamanho de partículas semelhantes (1,5cm) e utilizado o inoculante Biomax 5.
Os dados bromatológicos da silagem estabilizada foram analisados no Lab. de Nutrição Animal da UFMG em Belo Horizonte-MG, e se encontram abaixo:
Conforme se verificou, os híbridos de milho foram semelhantes quanto à sua produtividade e composição bromatológica, diferindo mais no aspecto de % de amido, devido às diferentes populações de plantas.
Os animais foram separados em 2 lotes homogêneos, em idade de 2ª e 3ª crias e produtividades similares para se detectar as diferenças entre as silagens (tabela abaixo).
Cada lote consumiu dieta com silagem de 1 híbrido e após a 2ª quinzena houveram avaliações para se detectar e medir as diferenças de desempenho produtivo entre os mesmos e as sobras de cocho.
A composição da dieta foi feita pelo veterinário Flávio, que presta serviços à Fazenda Extrema, na proporção de 50% de volumoso e 50% de concentrado. As avaliações iniciaram a partir de 9 dias de dieta, quando se estabilizou o consumo.
No quadro abaixo, obtivemos os seguintes dados:
Conforme se constatou, a silagem com maior teor de amido foi superior tanto na 1ª pesagem quanto na 2ª pesagem, mostrando um ganho médio de 1,9 litros de leite em relação ao obtido antes do início do ensaio (silagem comum da Fazenda), e cerca de 1,4 litros de Leite em média a mais por dia que a silagem com menor teor de amido, que por sua vez, apresentou ganhos de apenas 0,5 litro de leite/dia em relação à silagem da fazenda. Em termos de sobras de cocho, a silagem de maior teor de amido, obteve média de 1 Kg/dia a menos que a outra silagem (tabela abaixo).
Conclusões
Diante dos resultados obtidos neste 1º ano, podemos concluir que:
1- As silagens com maior teor de amido tenderam a mostrar melhor desempenho animal para vacas de alta lactação, em média 1,4 L Leite/vaca/dia superior ao da silagem comum.
2- Houve tendência de menores sobras de cocho na silagem de maior teor de amido, com cerca de 1Kg/dia a menos de sobras que a silagem comum, evidenciando menores perdas da silagem.
3- Devemos continuar os estudos e de preferência adotar dietas mais agressivas em silagem, tipo 60% volumoso e 40% concentrado, para mostrar ainda mais estas diferenças entre as qualidades da silagem com maior teor de amido.
4- Deve-se estudar até que ponto, as perdas de campo por utilizar menores populações de plantas ou alturas de corte mais elevadas nos híbridos para silagem, poderão ser compensadas pelo aumento da produtividade animal ou economia de concentrados.
Revisão Bibliográfica
• Caetano, H. Avaliação de onze cultivares de milho colhidos em duas alturas de corte para produção de silagem, 2001, 178p, Tese (Doutorado em Zootecnia) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, 2001.
• Mahanna, W. Corn – management and breeding the TMR plant. Pioneer Hi-Bred International (www.pioneer.com/usa/products and technology/nutrition), 1996.
• Nússio, L.C. Avaliação de cultivares de milho (Zea mays L,) para ensilagem através da composição química e digestibilidade “in situ”. Piracicaba, 1997, 58p. Dissertação (Mestrado em Agronomia)– Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 1997.
• Pedó, Luis Felipe Brancher.; Nörnberg, José Laerte; Velho, João Pedro; Hentz, Fernanda; Henn, João Dionísio; Barcellos, Júlio Otávio Jardim; Velho, Ione Maria Pereira Haygert; Marx, Fábio Ritter. Fracionamento dos carboidratos de silagens de milho safrinha colhidas em diferentes alturas de corte Ciênc. rural; 39(1):188-194, jan.-fev. 2009. tab.
• Correa, C.E.S.; Shaver, R.D.; Pereira, M.N., Lauer, J.G., Kohn, K. Relationship between corn vitreousness and ruminal in situ starch degradability. Journal of Dairy Science, v.85, n.11, p.3008-3012, 2002.