Mesmo com o crescimento do número de animais, a produção interna de carne ovina continua insuficiente para suprir o mercado nacional. Saiba mais no artigo: O mercado e a cadeia produtiva de ovinos no Brasil
Artigos Técnicos
Publicado em 12/11/2009 por Juarez Simões Batista - médico veterinário, sócio consultor da ATO - Acessoria, empresa que atua com elaboração, implantação e acompanhamento de projetos de ovinocultura de corte, com projetos implantados e serviços prestados no MS, GO, SP, BA e MG.

Há algum tempo atrás, quando se falava de ovinos no Brasil, automaticamente já se pensava nos rebanhos lanados da região sul ou nos ovinos deslanados do nordeste. Atualmente, estas regiões ainda possuem o maior contingente de animais do país. No entanto, esta situação está mudando.

 Nos últimos anos, diversas empresas ligadas ao beneficiamento de carnes, incluindo a carne de ovinos, se instalaram principalmente nas regiões Sudeste e Centro Oeste, o que solucionou o grande problema de escoamento da produção anteriormente enfrentado pelos criadores destas regiões. Com o problema do mercado resolvido, muitos novos produtores passaram a apostar na atividade, o que acabou gerando um grande aumento do efetivo de rebanho fora das regiões Nordeste e Sul, como mostra a tabela abaixo:

Ao contrário do que se imaginava, a região Nordeste apresentou queda do total de animais entre 2006 e 2007. Isto aconteceu porque grande parte dos animais que promoveram o aumento dos rebanhos nas outras regiões foram tirados da região nordeste, portanto este decréscimo de rebanho é compreensível.

Mesmo com este crescimento do número de animais, a produção interna continua insuficiente para suprir o mercado nacional, o que tem obrigado as empresas do setor a importar grande parte da matéria prima utilizada, principalmente no Sudeste e Centro Oeste. O gráfico abaixo mostra a variação das importações brasileiras de carne ovina entre os anos de 1992 e 2000.

Fica claro que o crescimento do rebanho não tem acompanhado o crescimento das importações, o que tem gerado uma grande lacuna entre a quantidade produzida e a necessidade do mercado.

Em virtude desta lacuna, passa a vigorar a tão conhecida “Lei da Oferta e Demanda”, o que tem resultado em bons preços pagos, tanto para o produtor, quanto pelo produto já beneficiado em supermercados, restaurantes e afins. Só para se ter um comparativo, atualmente, na região Sudeste, a carne de ovinos têm sido comprada pelos frigoríficos a um preço que varia de R$ 3,50 a R$ 4,00 pelo kg vivo, o que representa um ágio de 30% a 50% em comparação aos preços pagos pela arroba do boi.

Além do mercado da carne, não podemos nos esquecer dos mercados da lã e do leite de ovinos.

Em virtude do surgimento da lã sintética, além de outras variáveis, o mercado da lã sofreu forte retração entre os anos de 1992 e 1998, o que culminou na diminuição do rebanho de ovinos de lã de um total de 12 milhões de animais para 3,7 milhões. Além da redução do número de animais, boa parte dos produtores converteu os seus rebanhos para raças produtoras de carne por meio de cruzamentos, o que além de diminuir a quantidade de lã produzida, também piorou a qualidade da mesma.

Atualmente, o mercado da lã se encontra em recuperação, com algumas iniciativas de investimentos no setor. Os preços da lã estão entre US$ 2 a US$ 6 o quilo do velo, de acordo com o diâmetro da fibra, com menções de negócios pontuais de até US$ 7, para finuras médias abaixo de 20 micra.

Em função desta realidade, o mercado está se organizando em novas bases, e hoje empresas como a Lanobrasil (Jacareí/SP) e a Paramount Lã Sul (São Paulo/SP), que são hoje as únicas empresas que beneficiam lã de ovinos no Brasil, vêm colaborando para o crescimento da produção e a retomada do setor.

A própria Paramount investiu em 2006, cerca de R$ 200 mil no projeto “Lã Fina”, para melhorar a genética do rebanho da raça Merino do estado do RS, com importações de animais do Uruguai.

Já o mercado do leite de ovinos ainda é muito pouco difundido no Brasil, havendo poucas iniciativas principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A produção tem sido 100% voltada para a transformação em queijos, iogurtes e outros derivados, sendo que o consumo in natura do leite é praticamente inexistente.

Apesar de pouco difundida, a atividade tem se mostrado bastante viável, principalmente devido aos altos preços dos derivados do leite e também dos animais oriundos do cruzamento das raças leiteiras.  Hoje, já existem iniciativas para melhoria genética dos rebanhos, com importação de animais melhoradores principalmente da raça Lacaune e, mais recentemente, de animais da raça East Friesian.

Seja na carne, na lã ou no leite, a ovinocultura é mais uma boa opção para o pecuarista interessado em diversificar e melhorar seus resultados. A tecnologia e o conhecimento estão ao alcance de todos.

Para obter sucesso, basta começar!!!


:: Comentários ::

Sérgio Tessaro -
Produtor - Ovino

Gostei muito da matéria sobre a lã fina e carne de ovinos. Sou criador de ovelha na cidade de pedras Altas-RS crio ideal, corriedale e texel. No ano passado comprei carneiro Dohne Merino e Pool Dorset para melhorar as duas opções do mercado: lã e carne. Espero a cada ano a melhora dos preços da lã e carne Forte Abraço Sérgio Tessaro Cabanha Santa Amábile e Santo Antnio
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